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O que é CATIMBÓ? com MESTRE LUCAS

1:41:24Portuguese (Portugal, Brazil)Transcribed Jul 25, 2026
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Novamente é um prazer uma honra convite do  bàbá Mário estar aqui falando sobre Jurema  

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que é algo que realmente me excita falar, eu  venho numa cidadezinha do interior da Paraíba  

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chamada Alhandra que para muitos é o berço  da Jurema Sagrada historicamente é dali que  

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começa as maiores concepções maiores famílias  de Catimbó assim como o Candomblé assim como  

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algumas religiões de terreiro, A Jurema  descende de famílias né e de concepções  

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de tradições então Alhandra ela pega o viés da  Concepção do começo do que se passa de pajelança  

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para o que nós conhecemos hoje como Catimbó ou  como comumente chamado de Jurema Sagrada né é  

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muito comum as pessoas ah eu sou da Jurema  Sagrada e pode causar a confusão para quem  

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não conhece de fato o culto porque Jurema  é apenas uma das plantas ou das concepções  

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sagradas que nós cultuamos dentro do Catimbó  né, Jucá, Aroeira, o junco a própria jurema  

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e várias outras plantas do nosso do nosso  Nordeste fazem parte desse universo místico  

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que é o Catimbó concepção que migra das aldeias  indígenas com a catequização forçada dos índios  

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e vai para cidade para o meio civil tendo  suas modificações é claro para que pudesse  

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se adaptar e para que a gente continuasse  cultuando o que nós chamamos de Encantado

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concepções como o Cruzeiro como cachimbo como  a própria tronqueira que seria um resquício  

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um pedaço do tronco da jurema e é muito comum  dentro dos terreiros de Catimbó hoje em dia,  

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mas aí temos que pegar do começo da tradição  do começo de Como surge o Catimbó né dentro  

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das cidades com a perseguição né era  uma perseguição desenfreada e devido  

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essa perseguição muitas práticas tiveram que ser  modificadas para se esconder no meio da cidade,  

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conhecemos a jurema de mesa que era uma concepção  que usava para se enganar a volante na época onde  

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dois juremeiros sentavam cada um na ponta da mesa  colocava uma taça um príncipe como é comumente  

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chamado e uma sineta ao invés de Maracá a sineta  servia para abalar o Encantado para servir como  

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extra dissonoro e se devido alguma denúncia alguma  perseguição a volante adentrasse aquela casa nada  

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poderia comprovar a prática de bruxaria, ou  prática pagã como era considerado o Catimbó  

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porque haveria apenas dois copos uma mesa e  a sineta que era usada naquela época para que  

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servisse a comida mesa E então havia uma forma de  se camuflar nesse meio a Jurema de chão que era  

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feita adentro da Mata não usava Maracá ou quando  se usava altas horas da noite somente o Maracá e  

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a palma da mão foi outra forma de se esconder da  volante e mesmo estando no meio civil dentro da  

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cidade eles adentravam a mata para cultuar dessa  forma aí e não ser pego porque a represália da  

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época não era somente a prisão, muitos juremeiros  foram mortos foram espancados até a morte e também  

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era negado Socorro em hospital e e também eram  proibidos de ser enterrado no cemitério então  

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Alhandra ficou conhecida como ah Alhandra tem o cemitério dos Mestres, na verdade não é isso é uma  

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verdade Profunda o que acontecia muito dentro de  Alhandra é que quando juremeiros eles morriam eles  

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eram enterrados no que eles tinham de propriedades  em casa no quintal na lavoura e para que não  

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ficasse perdido a demarcação do local onde aquele  ente querido foi enterrado se plantava um pé de  

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Jurema em cima como demarcação como forma de  marcar aonde o meu ancestral foi enterrado  

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também com uma analogia de que a árvore plantada  em cima seria futuramente um portal para que eu  

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tivesse acesso a aquele ancestral, estamos em um  culto onde vemos que Árvores Sagradas são portais  

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para cidades espirituais logo o se eu planto Uma  Árvore Sagrada em cima de onde um ancestral meu  

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foi sepultado, futuramente aquela árvore será  de acesso ao meu ancestral então muito comum  

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em Alhandra numa localidade vizinha chamada  Estivas as famosas cidades de Jurema, seriam  

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vários pés de Jurema que compõem a cidade cada  um batizado consagrado para um encantado, para  

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um mestre e em algumas situações eram Encantadas  e consagradas com mestres enterrados debaixo dela,  

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a última cidade de Jurema que faz parte  no município de Alhandra é a que a minha  

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avó deixa minha avó falece na década de 80 né e  deixa a última cidade de Jurema o pé de Jurema  

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mais novinho lá tem 22 anos e os mais antigos tem  mais de 77 Então são hoje 11 pés de Jurema seriam  

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14 mas três foram ceifadas de forma criminosa e  hoje nós resguardamos o último espaço histórico  

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que resguarda pé de Jurema e concepções da  Jurema antiga do Catimbó da era vocais que  

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é outra controvérsia hoje dentro do culto outra  concepção que se perdeu bastante porque a família  

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ela se esvai família carnal sanguíneo e quando  pegamos um viés de todo esse preconceito de tudo  

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isso que a Jurema passou de toda essa perseguição  aí começa às modificações para que o culto pudesse  

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chegar hoje aqui como estamos falando até dez anos  atrás era quase impossível você vê alguém falando  

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de Jurema de forma tranquila, ter pessoas querendo  escutar sobre Jurema isso era quase que impossível

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e dentre todas as modificações a Jurema começa  a partir do espaço aberto da própria natureza  

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para dentro do salão pra dentro de uma casa e como  vamos cultuar árvore agora? Já que somos proibidos  

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de ter ela né quem plantava um pé de Jurema a  polícia ia lá e obrigava a cortar, Então como é  

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que eu vou cultuar meu encantado agora? E aí foi  quando houve a toda modificação dentro do culto  

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e o que seria uma árvore virou um tronco  dentro de alguidar e tivemos que dentro  

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da nossa Sapiência procurar um meio de dar força  aquele pedaço de tronco e dar significado aquele  

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pedaço de tronco de dar fundamentação aquele  pedaço de tronco né então novamente a Jurema  

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passa por essa modificação até chegar o que nós  conhecemos no momento que é Jurema de toque que  

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é o toque é batido é uma concepção nova de  Jurema porque antes não somente em Paraíba  

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como em todo nordeste existe a proibição do toque  do ilú, seria o tambor ritualístico mais comum  

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e utilizado dentro da Jurema então um toque  do Ilú da mazuca, ela era proibida então nós  

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conhecemos muito a Jurema de mesa e a Jurema  de chão e com o passar do tempo o toque, foi  

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começando a se adentrar nesses espaços e salões  e a genteHoje é a forma mais conhecida de Jurema

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eu consigo aqui reconhecer um irmão que também  é da Jurema e também pratica Jurema de uma  

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forma tradicional e também faz um trabalho que  importante que é de levar a Jurema dentro das  

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das redes sociais que é expor a Jurema inclusive  parabéns pelo trabalho então hoje a Jurema passa  

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novamente por outra transformação que é de passar  de uma tradição que passavam todo seu conhecimento  

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somente de forma oral e hoje ela precisa ela  tem a necessidade de pegar toda essa estrutura  

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de conhecimento e jogar de uma forma científica  para que fique de fácil entendimento para que seja  

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estudado dentro de universidades para que seja  fácil entendimento em cursos e palestras porque  

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é uma tradição muito rica é muito rica não tem  como a gente remeter ao nordeste quando a gente  

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fala de Jurema quando a gente fala da forma que  o Nordeste se veste e como come como fala, dos  

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costumes da bebida que é usado em meios culturais  com o nosso quentão que é usado dentro do nosso  

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São João e é uma das bebidas mais comuns dentro  da Jurema que a nossa bebida de salão né então  

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todas essas tradições do Nordeste e Jurema elas  Se fundem muito forte e não tem como a gente falar  

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de um sem se misturar né depois de todas essas  adaptações hoje ainda passamos por mais algumas  

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e aí pegando do contexto de que eu nunca posso  deixar de falar que da minha tradição da tradição  

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de Alhandra ela é quem fortemente me ensinou todo  essas práticas de sobrevivência né hoje eu tô  

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fazendo oito dias que eu tô em São Paulo seis sete  dias eu já perdi até as contas e até pouco tempo  

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muitas pessoas não viam falar em Jurema Sagrada  aqui em São Paulo hoje é algo muito mais aberto  

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hoje é algo muito mais falado, Por que a Jurema  era muito arredia as pessoas o Bàbá Mário teve a  

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a oportunidade de ir para Alhandra e ele viu com  os próprios olhos ele sentiu que a Jurema que lá  

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é praticada ela é muito fechada ela se prende  bastante, as pessoas têm medo de abrir suas  

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portas porque não sabem o que vão esperar Então  hoje eu tento por fazer parte dessa Juventude  

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mesmo tendo nascido num berço de Jurema a  minha avó foi a mestra Jardecilha a mulher que  

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revolucionou dentro de Alhandra, foi a primeira  tocar um ilú porque era proibido ela foi a  

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primeira mulher dentro de Alhandra a tocar o ilú a  tocar o tambor de Jurema, era proibido na Paraíba  

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o culto foi liberado na década de 60, só então  pouco tempo atrás Então ela conseguiu levar essa  

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frente então foi uma mulher que com cinco anos  de idade teve sua primeira incorporação que na  

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época era algo anormal era algo de outro mundo e  aí sofreu preconceito foi perseguida foi dada como  

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louca até que um mestre chamado Manoel Severo  um homem juremeiro da época que chegou a casa  

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da minha bisavó e disse bem eu tenho que informar  que sua filha não é louca por mais que a sociedade  

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impõe isso, e eu lhe peço toda a licença para  cuidar de sua filha e na época minha bisavó não  

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tinha outra escolha não tinha mais o que fazer  e queria que a filha voltasse sã né porque para  

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época mediunidade de incorporação era a algo de  insanidade está ligado da insanidade até mesmo a  

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possessão de algo ruim e foi passado essa doutrina  minha avó com 12 anos de idade ela já tinha  

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percorrido os caminhos E trabalhou unicamente  e exclusivamente para Jurema até o último dia  

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de sua vida trabalhou sempre para Jurema não fez  nada além disso foi conhecida internacionalmente  

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nesse meio mas era uma mulher analfabeta não sabia  escrever não sabia ler mesmo assim revolucionou  

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dentro do que ela pode dentro do culto levantou,  ergueu uma cidade de Jurema Manteve de pé cultuou  

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até o último dia de sua vida e deixou esse  legado para gente então quando eu nasci essa  

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tradição já estava na família muito tempo todo  essa prática tinha sido herdada pela minha mãe  

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que foi a sucessora, e aí eu logo cedo vai ver a  frente eu estou com 26 anos já tô quase dez anos  

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na frente da casa e juntamente com a minha mãe e  é o que nós fazemos Catimbó, queimar mato o ato  

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de queimar mato uma palavra tão simples mas que no  nosso cotidiano Ou pelo menos no entendimento da  

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maioria é algo negativo quando falamos de palavras  como macumba como Catimbó sempre tem uma conotação  

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negativa em torno Mas aí o tupi-guarani que quer  dizer queimar mato quando europeu chega até as  

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aldeias e vai catequizar os índios estão fazendo  uso do cachimbo se pergunta o que seria isso,  

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Catimbó, estamos queimando mato, erva  cheirosa logo tudo que não era cristão  

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tudo que não estava mediante a ensinamento  da Igreja Católica era prática pagã então  

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Catimbó É algo ruim Macumba é algo ruim e isso  foi passando os anos e foi sendo colocado na  

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sociedade como algo ruim e hoje uma palavra  tão simples da nossa língua originária Tupi  

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e quer dizer queimar mato pode se explicar em  pouco tempo então eu particularmente adoto o termo  

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catimbozeiro e Catimbó na minha religião porque  dentro do nosso culto é impossível ou basicamente  

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99 por cento de todas as práticas vai o uso da  fumaça e do fumo e das Ervas do sangue das Ervas  

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não tem muita lógica esse cortado esse termo é  necessário que a gente estude e vai a fundo para  

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que entenda como eu expliquei Jurema Sagrada é o  nome comum da placa do Catimbó mas não teve só a  

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jurema como Árvore Sagrada ela pode ser e é uma  das mais conhecidas dentro do culto do Catimbó  

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mas não é a mais não é mas o mais importante é não  vamos desmerecer as outras para colocar a jurema  

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como árvore central do culto né a conotação  de Jurema por ser tão importante no culto era  

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devido o seu vinho o vinho o enteógeno que causa  o transe dentro do culto até mesmo nas aldeias  

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vem da raiz da Jurema preta que as pessoas até  associam erroneamente que Jurema preta e Jurema  

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branca é porque uma faz o bem outra faz o mal,  é só pela concepção e a condição de sua casca é  

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a jurema-preta tem uma casca Mais Escura mais  grotesca e Jurema branca ela mais esguia mais  

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fina ela tem uma duração de vida menor a semente  dela é diferente a flor dela diferente a base da  

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semente dela diferente e o uso litúrgico dela é  diferente não se extrai vinho da Jurema Branca  

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se quer se consegue fazer um cachimbo com a Jurema  Branca porque é uma árvore que não tem tronco  

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muito grosso a sua madeira depois de seca é fofa  já Jurema preta não, a Jurema preta uma árvore  

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que cresce bastante tem bastante espinho tem uma  condição de Casca Grossa onde é que é possível  

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retirar essa casca e fazer Inúmeras coisas desde  banho de remédio medicinal né então fazer essa  

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alusão de Jurema branca e Jurema preta de uma  forma erronea lembrando também que há vários tipos  

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que ácacia, vários tipos de Mimosa no nordeste  pernambucano no sertão Pernambucano conseguimos  

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pegar um tipo de Jurema preta que é totalmente  diferente da Jurema preta que conhecemos  

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em Alhandra, então vejo até pessoas aqui de São  Paulo que me manda mensagem Lucas eu encontrei  

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um pezinho de Jurema na Mata e quando você vê é  uma ácacia de fato é uma Mimosa mas não é de fato  

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a Jurema preta, ela tem uma base de semente mais  fina, quando Seca tem uma coloração amarronzada e  

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é pequenininha essa semente bem pequenininha essa  semente que comumente nas tradições em algumas  

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se vai na pele do discípulo uma firmeza de força  para o corpo para que ele consiga ter força para  

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receber o encantado que vai ser destinado a ele  dentro da espiritualidade né então pra não fique  

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muito extenso eu gostaria de ouvir um pouco vocês  se tem alguma dúvida eh eu nunca mais tiver alguma  

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dúvida de princípio sobre e esse primeiro aspecto  sobre Jurema sobre a questão da perseguição

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sim ela tem o dmt na sua composição de sua raiz  não na sua casca mas na composição de sua raiz ela  

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tem dmt em grande quantidade e devido a prática  que é feita nas aldeias o pajé ele escolhia a dedo  

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algumas pessoas que ele via que espiritualmente  estava apta para tomar o vinho né E essa beberagem  

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era feita e dentro de Espaços fechados dentro de  uma liturgia onde houvesse uma proteção espiritual  

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ele ofertava ao discípulo o vinho, logicamente no  processo de jejum até para aquela substância fosse  

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absorvida mais facilmente pelo organismo E aí ele  sim começava a entrar em transe esse transe era  

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para que ele fosse até os ancestrais e trouxesse  informações informações sobre sobre erva sobre  

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magia sobre enfim inúmeras situações e o pajé  que estava acordado e que não fazia o uso estava  

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ali para que se aquele transe fugisse do controle  ele conseguisse retornar aquele discípulo daquele  

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transe hoje costumamos ver pessoas que usam ou de  forma aleatória tentam fazer ou elaborar o vinho  

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de Jurema algumas misturam um monte de coisa e  fazem isso mas isso fere o sentimento religioso,  

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não é tomado de uma forma recreativa há uma  condição espiritual há uma motivação você  

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se propõe a tomar mediante a visão do seu mais  velho, do seu Cacique do seu ancestral você toma  

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com o propósito de estar ligado ao sagrado não  é simplesmente assim ah vou tomar ah vou fazer  

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Será que eu tenho a condição de fazer? Será que o  meu mais velho me dá condição de fazer? Este vinho  

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será que está mediante a fim a minha tradição  familiar? Eu vejo pessoas hoje em que ensinam  

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fazer o vinho de uma forma que é fervida a raiz,  na minha tradição o vinho não se ferve em algumas  

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concepções de Aldeia, imagina Brasil 1500 chegada  dos europeus, a prática da pajelança os índios já  

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estavam no Brasil a Jurema já existia e toda essa  pratica já existia, não tinha condição de ferver,  

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de panela, o vinho era a raiz era retirada era  macerada e ela entra no processo de fermentação  

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natural, eu não sei se alguém aqui já bebeu o  vinho de Jurema mas o vinho quando ele está dentro  

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da garrafa ele fermenta cria uma nata Branca por  cima e o gosto dele é altamente amargo é então  

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ele cria um processo de fermentação natural  e era daquele processo após aquele processo,  

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concepção espiritual que se tomava  e fazia, hoje as pessoas misturam,  

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Hoje nós temos a condição de estudo sabemos  que Ayahuasca, raiz da Jurema são enteógenos  

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e causam o transe Mas está dentro do conceito  espiritual é bem diferente então basicamente

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o batismo da Jurema ele nasce é uma tradição  que nasce com a catequização forçada só que a  

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sapiência indígena era muito baixa, para mim eu  acho que é uma das coisas que mais me encanta  

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dentro do culto, o indígena ele é obrigado a se  batizar é toda aquela concepção batismo Cristão  

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que todos nós conhecemos, água benta não sei o  que te batismo nome de Deus então foram forçados  

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a essa prática e nós absorvemos essa prática,  o indígena mais velho era obrigado era passado  

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para que ele batizasse os outros índios Em Nome de  Deus então daí eu vou batizar mas eu vou batizar  

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mediante o meu entendimento eu não vou usar água  benta eu vou usar o sangue das ervas vou usar o  

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sumo verde as ervas sagradas que eu tenho eu vou  usar e eu não vou dar hóstia nem pão nem vinho eu  

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oferto meus ancestrais com a fruta com a caça  com as raízes Então é isso que eu vou ofertar  

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e aí eu vou fazer eu vou batizar o meu  discípulo eu vou batizar o meu irmão de  

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Aldeia e aí que nasceu batismo de Jurema né hoje  muito mais moderno hoje nós recebemos o cachimbo  

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lavado no nosso batismo hoje nós Recebemos um  fio de conta mais fininho para nossa proteção  

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Recebemos um príncipe que é aquela questão de  estar ligado a ancestralidade, da clarividência,  

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da vidência, antigamente não tinha isso mas  enfim foi essa condição de batismo que veio  

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forçado em cima da Aldeia e o índio com  a sua Sapiência ele coloca a seu favor  

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eu vou sim batizar o meu discípulo mas com  as ervas sagradas que abençoam o corpo dele,  

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pra sacralizar o corpo dele de uma forma que ele  tenha forças espirituais. Não é vinho nem pão,  

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é peixe é fruta é mandioca é batata é inhame é  milho vamos ofertar os nossos ancestrais vamos  

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convidar os nossos ancestrais para que na hora  que esse discípulo esteja batizado todos os  

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ancestrais estejam presentes e abençoem ele na  caminhada espiritual dele, dentro depois desse  

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contexto de batismo o discípulo tem toda a sua  caminhada de desenvolvimento mediúnico de conhecer  

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sua espiritualidade sua ancestralidade,  mestre, mentor, caboclo enfim ele vai,  

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o dentro do caminhar da Jurema passar pela  consagração que seria estar consagrada ao caboclo,  

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a um ancestral primordialmente da jurema,  hierarquia maior dentro da Jurema são índios,  

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os caboclos e depois vem a corrente mais  contemporânea que seriam mestrias, espíritos  

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contemporâneos que Independente de sua vivência  ou condição de vida estão dentro da Jurema para  

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nos trazer conhecimento a Jurema é diferente da  Umbanda que classifica baiano, caboclo, vaqueiro,  

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na Jurema não né mas ela tem a mestria dentro da  mestria nós temos cangaceiros nós temos médicos  

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nós temos Jangadeiros nós temos benzedores nós  temos raizeiros nós temos feiticeiros nós tivemos  

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cangaceiros que comumente a história escutamos  falar como o próprio Corisco como Pilão Deitado  

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e vários outros, Zé faísca, algumas pessoas já  houve histórias e relatos de trabalhar com o  

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próprio Lampião com a própria Maria Bonita  Então são espíritos do Nordeste que foram  

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através de toda sua Sapiência toda essa ciência  acordado dentro da tradição da jurema e hoje  

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trabalha, pra chegar a condição de tombo, hoje  é muito complexo de falar de tombo porque cada  

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tradição tem sua visão de tombo, o tombo que seria  dentro da tradição de Alhandra? Uma prática comum

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e frequente, o que conhecemos de tombo hoje na  jurema atual é uma prática que diz socialmente  

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que aquele discípulo está pronto e apto  para cuidar de outros espiritualmente,  

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que nem sempre é uma verdade ele pode sim se  predispor a ter a viagem astral do Tombo mas  

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um tempo é da espiritualidade ele pode não  ver nada ele pode não galgar nada e como  

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alguém que não galgou algo espiritual seu,  está apto a cuidar do espiritual dos outros?  

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Bom então atualmente o tombo dá uma condição  social para que você seja um Juremeiro, tenha a  

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sua casa tenha seu povo tenha a liberdade de fazer  suas práticas de fundamentos dentro da tradição  

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mas não quer dizer que você realmente está apto  espiritualmente, socialmente sim, na tradição de  

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Alhandra o ato de tombar era feito com o uso do  vinho e ao menos dois ou três juremeiros de sua  

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confiança você iria para debaixo do pé de Jurema  colocava uma esteira, estava em jejum espiritual  

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isso está ligado a abdicação sexual ao consumo  de álcool ao consumo de crustáceos, de carne  

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de porco de práticas negativas de bruxaria  então eles entravam em uma questão de retiro  

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espiritual e deitavam e faziam uso da beberagem  e estavam ali com dois ou três ou mais juremeiros  

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ao redor emanando energia cantando vibrando  até que ele entrasse num contexto de transe e  

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viagem espiritual, e ao retornar dessa viagem  ele relatava o que teria visto ou não visto,  

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podia ter visto muita coisa ter absorvido muita  coisa ou não. Então essa prática para conhecer  

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a espiritualidade era frequente, o juremeiro tá  fazendo isso sempre sempre sempre sempre sempre  

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para que ele dissesse assim eu hoje eu conheço meu  mestre, meu mestre foi la de não sei da onde lá de  

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não sei das quantas ele vem de tal ciência ele  passou isso aparência dele era essa e hoje por  

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essa história dos mais antigos se conta, no ato do  seu tombo você vai ver quando ele nasceu onde Ele  

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viveu onde ele morreu aí o que ele fazia como ele  era, e nem sempre é verdade a pessoa as vezes não  

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consegue ter essa viagem astral até pelo contexto  mediúnico, não é todo mundo que tem a facilidade  

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da projeção da viagem hoje a prática do vinho, da  beberagem, se perdeu então não tem essa facilidade  

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de colocar uma pessoa através do vinho para ter  essa viagem astral hoje é muito mais difícil  

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e hoje a viagem astral do Tombo ela  é muito mais difícil, muito mais,  

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mas basicamente explicando o tombo hoje  seria se predispor a uma viagem espiritual  

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e no término da sua viagem espiritual você  vai relatar ao seu sacerdote O que você viu  

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e isso vai ser avaliado espiritualmente por ele  que é seu mais velho e em seguida você receberá  

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e será apresentado a sua irmandade a sociedade  como juremeiro uma pessoa que respeitou a sua  

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hierarquia Espiritual do princípio até o término  e cumpriu todas as etapas que você deveria ter  

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passado para ao menos ter segurança de levar  a espiritualidade de outras vidas à frente,  

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é de cuidar, de zelar de entender o que é um  Encantado de como tratá-lo e como doutriná-lo,  

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como doutrinar um discípulo de como tratar um  discípulo de como agradar a espiritualidade e  

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a ancestralidade, então tudo isso basicamente  na nossa tradição atual isso eu falo de uma  

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forma geral de Jurema você vai receber no ato  de seu tombo, mas a diferença de juremeiro ou  

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de batizado para Tombado é gritante, o que não  muda seus deveres mas a diferença é gritante.

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Tudo isso agregado ao nosso culto, quando  a Jurema parte de sua concepção de aldeias,  

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vem para Cidade essas práticas começam a  ficar muito forte muito forte muito forte,  

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quando chega a concepção de mestria que como  eu falei só espíritos mais contemporâneos,  

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são espíritos que você consegue ter uma identidade

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até pra nossa vestimenta é difícil chegar  aqui com um cocar uma lança uma Maraca na mão,  

35:10

então beleza respeito mas a nossa identidade  é mais próxima ao cara que chega com Chapéu na  

35:17

cabeça que bebe que fuma que fala um linguajar  mais despojado, uma mestra que tem uma concepção  

35:24

de sexualidade mais aflorada que fala de uma forma  mais doce mais irreverente mas brincalhona então  

35:32

há uma concepção de atração por esse tratar, por  essa forma por essa ritualística por essa forma  

35:38

de se apresentar E aí como o irmão tem falado  aqui hoje dentro das práticas de Jurema o público  

35:46

quando vê essas formas se apresentando no ato da  incorporação eles entram num estado de Euforia  

35:53

entra num estado de Euforia quando ele vê toda  aquela ritualística toda aquelas coisas aquela  

36:01

vibração aquele toque aquele canto ele entra  em Estado De euforia isso se espiritualmente  

36:08

Não tiver o controle sai do controle e o que era  uma reunião espiritual acaba sendo uma diversão  

36:15

para os civis que vieram prestigiar que vieram ver  isso é um problema que nós juremeiros enfrentamos  

36:22

muito hoje porque as pessoas quando adentram  a uma ritualística como essa às vezes ela num  

36:28

Estado De euforia elas acabam extrapolando um  pouco e infelizmente alguns sacerdotes também  

36:37

tem extrapolado nesse mesmo pra que essa forma  seja com Vida Ativa para que atraia pessoas ao  

36:47

meu ver de uma forma negativa porque trata jurema  como um meio de atrair a facilidade, banaliza até  

36:59

mesmo a questão da beberagem dentro da Jurema a  bebida alcoólica cachaça tem sua fundamentação  

37:08

para os encantados mas em alguns locais é servido  como uma condição Recreativa de convite e de bem  

37:19

tratar os consulentes os visitantes que dentro  de algumas tradições não é bem visto e causa  

37:27

essa confusão desenfreada das pessoas tratarem  O terreiro de Jurema as vezes até como uma  

37:31

festa né. Porque eu sei que vai ter toque e  vamos cantar vamos bater palmas vamos dançar  

37:45

e vamos beber E aí toda aquela introdução indígena  morre porque a presença do Caboclo Ela traz uma  

37:54

serenidade, uma seriedade uma informação indígena  que não é Atrativa A Pisada do Caboclo a forma do  

38:06

cabelo que se expressar a forma do Caboclo se  apresentar a forma do Caboclo saudar as pessoas  

38:12

a forma do comportamento social do caboclo  na gira no terreiro não é nada atrativo,  

38:20

não é atrativo Então as pessoas hoje acabam  passando por cima dessa ritualística do  

38:29

Caboclo o saudando brevemente porque  é até uma afronta não saudá-los já que  

38:39

dentro da hierarquia de ancestralidade, eles  que vem primeiro não há como eu citei isso no  

38:44

convite anterior do Bàbá Mário e cito novamente  Não tem como nenhum de vocês aqui seja branco,  

38:50

preto dizer que não tem uma gota de sangue  indígena é impossível, é impossível dizer eu sou  

38:59

brasileiro mas não tenho uma gota de sangue, foram  os indígenas que foram e são donos de nossa nação  

39:10

é a nossa ancestralidade primordial então não tem  como a gente falar de Jurema enquanto sanguíneo,  

39:22

e não relembrar que é minha ancestralidade  primordial lá do princípio são os índios,  

39:29

mas hoje em dia as pessoas ignoram, modificam  suas práticas diminui sua ritualística para que  

39:37

seja asseverado essa condição mais atual porque  é mais atrativo e falando de uma forma até de ego

39:53

é bem melhor eu trabalhar com espírito que eu me  identifico com ele, que ele bebe que ele fuma que  

40:04

ele brinca que ele dança, que ele se veste bem ou  Particularmente eu acho que ele se veste bem que é  

40:12

outra discussão que dentro da Jurema eu tenho  levantado bastante é a questão da vestimenta

40:18

eu vejo mestras e Mestres que em vida não  tiveram a condição social de usar um terno  

40:29

por exemplo ou de usar um vestido armado  com luvas com gargantilha com pulseiras,  

40:41

não tiveram isso, é uma construção social Europeia  no Brasil não deu, não se caiu então eu vou citar  

40:48

Maria do Acais é uma mulher índia década de 30,  Maria do Acais morreu em 1934, então imagina uma  

40:59

mulher que falece em 1934 Vamos colocar a década  de 30 imagine uma mulher do interior da Paraíba  

41:07

de uma cidade que hoje tem 22 mil habitantes,  uma mulher que estava locada numa área indígena  

41:15

e Rural e se apresentar hoje espiritualmente  com vestido rodado com peruca com luva, foge  

41:27

totalmente da construção social desse encantado  na época, logo se eu coloco essa indumentária essa  

41:34

vestimenta sobre esse Encantado eu o desmereço  socialmente, a sua história e estrutura e eu  

41:42

automaticamente vou estar passando uma identidade  inexistente para ele, para aqueles que vão ver,  

41:52

e novamente estou ferindo o ancestral eu  estou impondo a ele mas uma vestimenta uma  

42:00

indumentária que não fazia parte dele é a mesma  coisa que dá uma chupeta a um homem de 35 anos,  

42:07

isso não me serve, Maria do Acais diria  que nunca me serviu Então hoje é muito  

42:16

comum isso dentro da Jurema Eu trabalho  com um guia espiritual trabalho com dois  

42:23

guias espirituais dentro da concepção de mestria,  Mestre Canito e o outro se chama Benedito fumaça,  

42:31

Canito foi um jagunço homem do Sertão  firme, bruto de uma época difícil,  

42:42

adentrou alguns bandos de Cangaço e desertou então  imagina a estrutura social que esse homem traz,  

42:48

Benedito fumaça foi maquinista de trem, comandou  uma capita como ele gosta de chamar de Rio  

42:55

Grande do Norte até Mata Norte de Pernambuco  cruzava de Rio Grande do Norte Paraíba até  

43:03

Pernambuco então é um homem que dentro do seu  trabalho dentro do seu ofício, exigia coragem,  

43:13

Benedito fumaça em inúmeras situações  precisou ser um homem fora da lei

43:22

ele ia contra os saqueadores era muito comum na  época colocar pedaço de Tronco para desviar o trem  

43:28

para descarregar o trem e o trem ser saqueado,  então quando ele via isso ele ele tinha que ser  

43:34

homem muito corajoso na época e isso é fora da lei  infelizmente Em alguns momentos precisava matar,  

43:42

tinha que matar, precisava lutar, há relatos  que o Benedito fumaça algumas pessoas falam  

43:52

né os mais velhos falam que tinha matado  índio, pela sua capita que ele tanto amava  

43:59

então são histórias e mostram e demonstram  a construção social de um homem desse,  

44:04

eu trabalho com Benedito fumaça hoje eu  posso dizer que estruturalmente eles não  

44:10

é um homem nada sociável, é bruto e firme suas  palavras, tem costume comum de ingerir o álcool  

44:18

ou cachaça porque era um recreação para homem  que tava ali de dentro da locomotiva, de como  

44:32

viveu de como se comportou do que ele achava que  era correto do ensinamento social mesmo hoje a  

44:41

gente tem muito que aprender com eles, e eles  conosco mas que eu separo para prestar atenção  

44:51

na construção desse homem Mestre Canito ele  não trabalha comigo com camisa regata e bermuda  

44:57

e uma vez questionado meu irmão questionou Porque  ele disse na minha época isso era samba-canção,  

45:04

era cirola, o homem estava de cueca para gente  agora então ele veio com uma forma de desrespeito  

45:11

para com ele para com as mulheres no recinto,  uma coisa que para nós é simples hoje, a bermuda  

45:17

regata, ele diz que a regata o que nós usamos  hoje era a camisa debaixo da camisa de botão

45:30

Você pode dizer, ah não isso é só besteira  trabalhar de bermuda é besteira mas  

45:37

para a condição dele enquanto encantado que  volta com todos os trejeitos costumes da época  

45:42

isso é uma afronta ele está de cueca e está  desrespeitando a ele e as pessoas ao local,  

45:50

então eu enquanto o discípulo sabendo da  condição social dele tenho que respeitar

47:09

Ótima pergunta, dentro da Universidade Federal  da Paraíba eu estudava ciências das religiões e  

47:17

fui convidado Uma Vez pelo departamento de  neurociências do comportamento para estudar sobre  

47:22

o DMT e logicamente abracei causa e fui estudar,  o vinho da Jurema quando em estado de fermentação  

47:30

ele consegue ativar naturalmente o DMT, só que o  uso ou melhor o efeito do DMT encontrado no vinho  

47:40

da Jurema, ele é muito rápido no nosso corpo não  seria um transe de no máximo três quatro minutos  

47:49

por isso que outras dosagens eram dada pelo Pajé  para que o transe do discípulo fosse satisfatório,  

48:03

a arruda da síria ela é colocada no vinho  da Jurema para que o efeito seja prolongado  

48:10

potencializado. Então as pessoas encontraram  um meio, Porque aí vamos prolongar o transe o  

48:21

efeito químico do DMT vai ser prolongado nosso  corpo e aí o que eu acabei descobrindo na época  

48:27

alguns químicos pegaram o DMT e transformaram  em cristais, cristais de DMT isso foi feito  

48:38

uma forma ilegal e estudamos na época sobre  isso que pessoas que fizeram uso do Cristal do  

48:44

DMT no cachimbo com fumo preto e o DMT foi tão  forte tão concentrado que queimou os neurônios  

48:54

de uma condição de que não não conseguiram se  regenerar então foi um dano mental muito forte,  

49:04

eis aí que algumas pessoas cruzam o que poderiam  ser para o espírito, algo que nunca foi usado de  

49:15

forma Recreativa e quando pega esses elementos  de forma desenfreada desinformada e muito forte,  

49:21

causa esses danos, dentro da Jurema temos  uma história muito interessante de um mestre  

49:31

que tomou o vinho e não conseguiu retornar,  que é a história do Mestre Carlos até os mais  

49:39

antigos costumavam falar Mestre Carlos, e  Mestre Carlos menino e seu filho pega esse  

49:51

vinho vai para debaixo da Jurema com todas as  indumentária Sagradas e faz o uso desse vinho  

49:57

só que aí dentro de Aldeia o pajé tava lá pra  acordar ele do transe ele tomou uma quantidade  

50:05

muito forte e não conseguiu retornar desse  transes aí tem uma cantoria da Jurema que diz

50:22

Quando se levantou espiritualmente falando o  Espírito levantou foi pronto para trabalhar,  

50:34

acontece que os mais antigos contam que ao estar  perdido na mata o pai dele não sabia onde é que  

50:40

ele tava o pai dele abriu uma sessão de mesa para  descobrir onde o filho estava após três dias e ele  

50:46

já vem trabalhando, ele já incorpora, a gente  não chama de morte isso, chama de encantamento,  

51:00

ele não morreu ele se encantou, teve uma viagem  tão forte que sua alma saiu do corpo e está até  

51:10

hoje sendo cultuado dentro da Jurema Sagrada, mais  uma história Para comprovar aqui de forma errônea  

51:17

e fora do contexto espiritual da responsabilidade  espiritual, o vinho de Jurema pode ser nocivo a

51:46

Sim o uso de Jurema pra quem tem algum  tipo de problema psicológico ele deve  

52:01

ser de uma forma responsável, freado dentro  da Jurema nós temos outros tipos de ervas,  

52:08

de cascas de raízes que usamos para pessoas que  têm problemas psicológicos, como o próprio Mulungu  

52:15

que pode ser usado em forma de  chá para pessoas que tem insônia,  

52:23

série de tristeza de angústia e todo tipo de  problema psicológico então o cacique no tempo  

52:33

de Aldeia ele observava as pessoas, e aquele  indígena que tinha algum tipo de transtorno  

52:39

na época isso estamos falando das aldeias  e estamos falando de uma tradição que pode  

52:46

fugir do nosso contexto de sociedade Mas eles  eram excluídos e algumas vezes até mortos,  

52:51

os que vinham trazendo uma deficiência ou  física aparente ou mental, eles eram excluídos

53:11

Já existia e até com uma condição de maldição,  

53:14

de maldição então eles entendiam que aquela pessoa  passava por esse contexto e estavam amaldiçoados,  

53:22

em algumas aldeias há muito tempo a condição da  mulher que tinha gêmeos ela tinha que escolher  

53:28

por que acreditavam que o outro não tinha alma  e poderia ser possuído por um espírito ruim e  

53:34

ele era enterrado vivo, isso é história, é até  duro para mim que sou juremeiro mas é a história  

53:43

ancestral eu busquei estudei muito e vivenciei  para entender esses contextos então aquele que  

53:50

tinha qualquer tipo de transtorno psicológico  ele era afastado muitas vezes abandonado em  

53:56

meio à mata né até porque muitos transtornos só  eram percebidos após a adolescência quando aquele  

54:01

jovem iria passar por um processo ritualístico  pra se tornar guerreiro, pra caçar para construir  

54:08

sua família E aí era visto que ele não tinha  condições, e ele não entrava na capacidade ele  

54:15

não aprendia então quando se sentia qualquer tipo  de deficiência e ao passar por vários processos  

54:20

de remédio de beberagem e de busca espiritual e  quando via que de fato ele tinha um problema ele  

54:27

é totalmente excluído algumas aldeias até hoje  em dia tem esse costume, eu tive acesso algumas  

54:35

pessoas que foram a Amazônia e foram aos locais  mais restritos que tem as aldeias menos acessadas  

54:42

e até hoje eles têm essas práticas e eles não  podem fazer nada, mas por ser uma questão cultural  

54:50

ancestral eles têm que respeitar então crianças  que nascem com deficiência nas mãos e nos pés uma  

54:57

atrofia elas infelizmente são ceifadas Porque eles  acreditam que lá na frente ela vai sofrer porque  

55:05

ela não vai poder passar não vai poder casar não  vai poder ter filho não vai poder andar e lógico  

55:10

na nossa sociedade hoje é fácil acesso a uma  cadeira de roda uma muleta a qualquer tipo de  

55:16

adereço para que a mobilidade de um deficiente  seja melhorada mas dentro da Aldeia assim essa  

55:23

condição não tinha essa visibilidade até hoje  mesmo aldeias que aceitem hoje imagina só as  

55:30

nossas aldeias se quer tem direitos básicos  e quem dirá ter uma assessoria a mobilidade  

55:40

a um trabalho social em relação a deficiência  mental, então infelizmente por ser uma prática  

55:49

ancestral hoje eu digo infelizmente porque para  nossa sociedade isso é muito forte aí eu até eu  

55:55

como juremeiro como Neto de indígena e eu sinto a  nossa educação europeia cristã que foi o enraizada  

56:08

na nossa Nação em bem dizer no mundo todo é  muito forte e passa essa condição pra gente

57:52

Ótima pergunta, quando a gente fala de Pilintra  Eu costumo denominar que o termo Pilintra seria  

58:01

uma alcunha uma cunha eu sou Lucas Souza  vulgo Pilintra, e Como assim Lucas? Vamos lá  

58:17

na construção do Catimbó temos Antonio Pilintra,  Antonio Preto, Zé Pilintra, Zé dos anjos  

58:31

enfim são vários que vai surgir da mente que  chegam no terreiro dizendo sou eu Zé Pelintra,  

58:52

então Pilintra se tornou alcunha, dentro  da Umbanda nós conhecemos entidades que se  

59:01

apresentam como Pilintra mas aí historicamente aí  lá vai Lucas com chato Estudar né e na Umbanda eu  

59:11

vi que existe uma até Não me recordo bem qual foi  o autor que denominou uma diferença até mesmo na  

59:18

forma de escrita, porque na jurema conhecemos Zé  Pelintra e na umbanda Zé Pilintra na umbanda né  

59:30

Zé Pilintra então eu não lembro não recordo bem o  autor que colocou essa diferença e aí ele começou  

59:39

ele fez uma viagem até o Rio de Janeiro e começou  a pegar toda aquela identidade do Pilintra do  

59:45

baiano do terninho branco da gravata da Boemia  e da malandragem né que ficou em cima porque  

59:52

quando a gente fala de Zé Pelintra na umbanda não  tem como a gente tirar esse esteriótipo não tem  

59:58

como a gente tirar essa estrutura dele, já o Zé  Pelintra na Jurema tem uma estrutura completamente  

1:00:05

diferente um linguajar arcaico, hora Grosso  ignorante ora brincalhão mais uma brincadeira  

1:00:15

voltada a malícia,é um costume muito forte  Regional Então uso muito asseverado de trocadilhos

1:00:28

do machismo, é machista é uma figura machista é  o homem que canta a mulher mas sem saber se era  

1:00:42

casada ou não, é o homem que diz a forma que  a mulher tem que se comportar o que homem tem  

1:00:49

que ser homem entende é toda aquela estrutura do  Nordeste que podemos ver naquela época e até hoje  

1:00:56

a gente estudar um pouco e ver a estrutura  do Nordeste dentro do seu mais afastado da  

1:01:03

sociedade vamos ter aquela estrutura porque  é cultural vai passando de pai para filho e  

1:01:09

aí vai então a construção social dos dois  é completamente diferente alguns autores  

1:01:16

pesquisadores historiadores e antropólogos vem até  diferença na escrita do nome, e na ritualística  

1:01:22

dentro da jurema como você falou algumas tradições  acredita que ele não baixa mais o Zé Pelintra o  

1:01:32

José de Alencar o primeiro enfim, há tantas  informações né sobre quem teria sido o primeiro  

1:01:39

que é o primeiro e algumas tradições de fato não  acreditam que ele desce mais, e não trabalha mais,  

1:01:57

há tradições que dizem o contrário que ele  ainda desse, que trabalha que ainda vem,  

1:02:07

a minha tradição diz que de fato o  primeiro Pelintra que ele lá que puxa  

1:02:13

toda essa fama dele dentro do Catimbó não se  faz mais presente mas ainda é cultuado mas  

1:02:19

deixou um legado. Então respondendo  à sua pergunta é basicamente isso.

1:03:02

Sim, no Catimbó estamos dando com uma  religião que acredita em cidades espirituais  

1:03:12

que acredita em evolução espiritual, logo  se meu ancestral, encantado destinou-se  

1:03:20

que ele vem trabalhar vem ajudar quer prestar  conhecimento quer prestar serviço quer prestar  

1:03:25

auxílio a todos nós que o solicitamos,  logicamente que dentro da concepção de  

1:03:30

espiritualidade de cidade espiritual ele vai  galgar crescimento e evolução espiritual,  

1:03:35

uma hora estará dentro de cidades espirituais  que não estarão de acesso a nossa incorporação,  

1:03:46

e ele vai estar lá ele vai estar a nos  auxiliar está auxiliar outros espíritos  

1:03:52

que adentrarão essas cidades espirituais mas  não estarão de nosso acesso para incorporação,  

1:03:59

basicamente mas ele está lá ele podemos acessá-los  podemos cultua-lo e até devemos, que não é porque  

1:04:09

ele não faz presente na incorporação que devemos  ignorá-lo né, a caminhada espiritual continua  

1:04:16

mas não mais incorporando, então acreditamos  sim nessa questão de evolução e muitos deles  

1:04:24

falam disso é comum ouvir até um termo chamado  galardão né está tomando galardão ou mestre que  

1:04:37

tem muito galardão né quem fala sobre a questão da  ascensão de estar muito evoluído, alguns Mestres  

1:04:45

já estão no estágio de não beber mais a matéria da  quebra dos vícios, Entende, então tem tinha essa  

1:04:53

concepção de evolução até porque se não existisse  seríamos para sempre discípulos, mas nós enquanto  

1:05:01

encarnados passamos um processo de evolução  batizados, consagrados até chegar ao tombado e  

1:05:06

depois de tombado vamos viajando espiritualmente,  passamos por essa busca incessante aqui na terra  

1:05:16

para que se por hora depois de nossa passagem  estivermos ou formos convocados para uma dessas  

1:05:25

cidades espirituais, tenhamos conhecimento para  passar em algumas pessoas colocam a teologia  

1:05:33

Cristã de que estão dentro dessas cidades porque  pecaram foram pecadores e tiveram erros estão para  

1:05:39

pagar outros não acreditam basicamente  nisso, isso é uma escultura que ainda é  

1:05:44

bastante discutida mas a questão da evolução é  bem comum e se acredita muito dentro da Jurema

1:06:38

No começo da nossa conversa eu falei sobre alguns  reinos e eu citei o nome de algumas plantas, essas  

1:06:46

plantas são portais para cidades espirituais que  são inúmeras e eu acredito que ninguém consegue  

1:06:51

dizer quantas cidades espirituais existem e o  nome de cada uma mas nós temos algumas mas enfim  

1:06:56

então falando de cidades espirituais seria isso  seria um, eu costumo de uma forma científica pois  

1:07:06

estudei ciências das religiões e que preciso nesse  meio palestrar e falar de Jurema de uma forma que  

1:07:13

fique fácil, é a mesma condição de cidade de  uma cidade imagine uma cidade chamada Jurema,  

1:07:19

imagine que tem uma cidade chamada jurema e isso  seria o reinado Ok? E aí cidades espirituais  

1:07:29

seriam os bairros Então dentro da cidade de Jurema  tem bairro tal bairro tal Barro, dentro desses  

1:07:36

bairros vai ter um bairro nobre vai tem o bairro  de classe média e vai ter o bairro barra pesada,  

1:07:46

então basicamente de uma forma chula mas que  de fácil entendimento seria basicamente isso,  

1:07:53

nós temos reinados e devido à evolução espiritual  desse espírito ele vai estar numa cidade,  

1:08:01

não tanto evoluída como uma mais evoluída né.  Lembrando que a nossa concepção de evolução é  

1:08:09

muito vaga é muito vaga a nossa concepção de  evolução ele tá até às vezes evito usar esse  

1:08:15

termo menos evoluída porque para nós a evolução  é todo uma estrutura de educação de doutrinação  

1:08:24

daquilo que socialmente é aceito, mas pra nossa  época isso é algo bem diferente né Nego Gerson  

1:08:36

é uma das entidades que estão presentes que  está presente do Catimbó mas não somente nela  

1:08:42

porque várias tradições do nosso Nordeste e do  Norte e elas lidam com Encantado, você vai na  

1:08:54

encantaria no Codó de Maranhão e Nego já está  lá, se não me falha a memória tambor de mina  

1:09:05

Nego já está lá então Nego já tem uma estrutura  de Encantado. É um encantado que novamente repito  

1:09:16

estando numa tradição que cultua ancestralidade  ele é cultuado, ele é chamado é reverenciado E  

1:09:25

se ele é uma energia espiritual é um Encantado ele  pode estar aqui nesse exato momento, ora se eu sou  

1:09:35

o juramento se eu sei como um chamar ele, sei como  reverenciá-lo e eu necessito do auxílio dele e eu  

1:09:44

chamo ele aqui, aqui não é uma casa basicamente  de Jurema é uma casa espiritual mas não uma casa  

1:09:54

de Jurema, ele está onde ele é cultuado então no  Codó de Maranhão ele é cultuado na encantaria e  

1:10:06

Jurema é cultuado, se eu te disser que eu  sei a fundo a estrutura do Nego Gerson eu  

1:10:12

vou estar mentindo eu sei que muitos falam Nego  Gerson príncipe da Nova Guiné, é o nego velho  

1:10:19

quimbandeiro Feiticeiro mas eu não sei de fato  além dessa estrutura a que passam para ele o que  

1:10:27

teria o nego Gerson para oferecer eu não sei se  ele tem conhecimento a profundo profundo sobre  

1:10:32

ervas sobre enfim sobre direcionamento espiritual  eu não sei, de fato lhe explicar quem a fundo foi  

1:10:42

nego Gerson, mas posso dizer que ele está dentro  da nossa Jurema de uma forma livre em alguns  

1:10:56

cultos que fazem parte do Nordeste e do Norte,  porque pega a fama foram estruturas que andaram  

1:11:03

bastante, o Pelintra ia do Cabo de Santo Agostinho  a Alhandra muitas pessoas o colocam como de  

1:11:12

Alhandra, mas é porque simplesmente o Pelintra ele  percorreu todo esse processo todo esse toda essa  

1:11:20

região lá do Pernambuco do Cabo de Santo Agostinho  a Alhandra e quem dirá outros estados eu não tenho  

1:11:30

uma históriografia correta e afirmativa de forma  concreta de como se comportava o Pelintra de onde  

1:11:40

ele se alocou nessa época de onde ele andou o que  ele fazia enfim né Então essas estruturas elas  

1:11:49

estão muito espalhadas aqui do nosso Nordeste  eles andaram bastante eles criaram raízes em  

1:11:55

outros estados eles absorveram outras práticas  foram homens que foram conhecidos até dentro da  

1:12:01

própria estrutura espiritual e aí vamos lá eu sou  de Alhandra da Paraíba mas eu trouxe para cá um  

1:12:07

pouquinho sobre a estrutura de Alhandra um pouco  sobre Maria do Acais falei aqui vagamente então  

1:12:12

você já absorve isso que você já pega daqui  de São Paulo e já leva para o o sul do país,  

1:12:20

pra Minas e aí essa toda essa estrutura quando  chegar lá se você é um cara que quer enraizar  

1:12:29

aquela tradição ali ela vai ser enraizada vai ser  cultuada e todo aquele conhecimento para começar  

1:12:33

a ser passado. Quando você menos esperar uma  estrutura que saiu da cidadezinha do interior que  

1:12:41

é Alhandra, se espalha pelo Brasil  é o caso da Jurema hoje em dia.

1:13:12

Malunguinho eu vinha conversando sobre o  próprio a gente tava conversando um pouco  

1:13:21

hoje cedo Malunguinho é figura muito firme dentro  da jurema e até mesmo dentro do nosso pro nordeste  

1:13:28

porque ele faz parte de toda uma identidade que  vai muito além de espiritualidade e religião,  

1:13:36

Malunguinho foram vários Malungu companheiro de  estrada que dominaram da Mata Norte ali de Goiana  

1:13:46

município de Goiânia já extrema com Paraíba  até Beberibe então foram homens que novamente  

1:13:56

Malunguinho é uma alcunha, por que tem identidade  de guerreiro de homem de lutar pela minha aldeia,  

1:14:11

vários nomes de Malunguinho historicamente  registrado houveram 19 homens procurados pela  

1:14:23

a volante da época né e não era comum naquela  época se oferecer dinheiro pela cabeça de um Preto  

1:14:31

de escravo mas Malunguinho era oferecido porque  ele dava prejuízo ele era tido como um bandido,  

1:14:39

Malunguinho tocava fogo no canavial antes da  safra, hoje no Nordeste quando se tem a queima  

1:14:48

da cana que aquelas palhinhas vão caindo  as pessoas dizem tá caindo Malunguinho,  

1:15:05

então foram guerreiros quilombolas já a  parte da miscigenação do preto com indígena  

1:15:18

e aí vamos lá se eu sou indígena eu cultuo  ancestrais eu sou preto cultuo ancestrais  

1:15:24

Malunguinho foi um ancestral meu que lutou pela  libertação do meu povo pela libertação do meu  

1:15:31

culto pela minha liberdade e foi um homem firme,  viril é guerreiro ele vai voltar, ele vai ser  

1:15:40

cultuado mas olha só, se eu dentro de meu trabalho  eu cultuo caboclos bravos guerreiros para proteger  

1:15:49

a minha reunião é a concepção do Exu da Umbanda, é  aquele que vem para limpar para gerar comunicação  

1:15:59

para quebrar os empecilhos tirar toda negatividade  Então dentro da Jurema antes sempre, por  

1:16:18

que esses homens essas energias que vem proteger  o nosso terreiro a nossa gira nosso trabalho como  

1:16:27

Malunguinho ficou muito famoso e olha, Pega ali  dois estados importante dentro do culto da Jurema  

1:16:35

ele pega divisa entre Paraíba e Pernambuco e  pega basicamente toda Mata Norte de Pernambuco  

1:16:41

então todos esses dois estados tem a figura de  Malunguinho como o guerreiro que protegia o povo  

1:16:50

das Aldeias e os negros Os Pretos logo vamos  cultuá-lo ele será o nosso defensor se ele foi  

1:17:00

em vida o nosso defensor no encantamento dele ele  voltará como nosso defensor E aí hoje Malunguinho  

1:17:07

é cultuado no começo de uma gira deJurema e  no começo um trabalho de Jurema é cantado para  

1:17:14

Malunguinho na concepção de que ele venha quebrar  levar os embaraços. Faz alusão a Malunguinho com  

1:18:00

vários homens estando dentro de Mata para proteção  de seu povo e todas essa estruturas de Malunguinho  

1:18:09

é como protetor e isso foi passando Mas em Rio  Grande do Norte e uma das tradições de Jurema  

1:18:18

do Rio Grande do Norte pega esse viés que  eu tô falando Malunguinho não chegou por lá  

1:18:24

e quem é nosso Caboclo tronqueiro, lá é Canindé  lá em Rio Grande do Norte é muito comum que  

1:18:33

jeito que eu não dá seja o primeiro Caboclo a  ser reverenciado quando você abre uma reunião  

1:18:38

de Jurema. Mas logo Malunguinho está dentro do  culto da Jurema Sagrada principalmente Pernambuco  

1:18:53

e Paraíba com uma uma entidade muito conhecida e  reverenciada mas há um ponto de ignorância sobre  

1:19:02

o Malunguinho as pessoas dizem que Malunguinho é  Exu da Jurema, mas porque ela ativamente ele está  

1:19:09

como protetor com proteção mas usar esse termo Exu  Malunguinho pode causar dúvida porque em várias  

1:19:20

tradições de kimbanda que lidam diretamente com  Exu e Pombogira você não vai ver Exu Malunguinho  

1:19:26

então é importante frisar Malunguinho é tido e  chamado de Exu na jurema por ele vir para essa  

1:19:36

concepção de proteger de quebrar e defender  de fazer a proteção do culto mas nem todas  

1:19:43

as pessoas vão concordar com o termo Exu, eu  entendo que foi uma forma de tratar Malunguinho.

1:20:56

Não necessariamente precisa se acreditar na  reencarnação para cultuar Catimbó até porque  

1:21:04

quando a gente fala de Catimbó a gente não fala  de uma de uma construção sólida como esse Pilão  

1:21:09

aqui de um pilar único há vários Pilares  dentro do que nós chamamos de reencarnação  

1:21:15

e alguns não acreditam em reencarnação né mas a  tradição de Alhandra acredita sim numa condição  

1:21:21

de reencarnação e tendo em vista que essa  evolução foi questionada pelo pelo irmão,  

1:21:27

é justamente para isso eu fui um homem que  nem sempre andei de forma correta a minha  

1:21:33

estrutura social me fez Um carrasco matador  um feiticeiro entende e eu estou dentro do  

1:21:43

mundo espiritual para que eu evolua para que eu  aprenda que em terra eu não fui boa pessoa mas  

1:21:48

eu sou um homem que entendo minha sina e hoje  vou trabalhar para que a minha sina não seja  

1:22:02

vou me compreendendo através do seu trabalho  , a chegar um ponto que eu galgo maiores os  

1:22:11

mais evoluídos cidades espirituais  onde lá mesmo eu sou redirecionado

1:22:17

isso não estrutura de que algumas tradições de  Jurema acredita, somente a tradição de Alhandra,  

1:22:24

em 1932 foi foi erguida a capela do Acais que até  hoje quem visita Alhandra vai ver as margens da  

1:22:34

PB 034 tem uma igreja criada por Maria do Acais,  que foi um dos nomes mais significativos dentro do  

1:22:43

Catimbó ela não criou terreiro ela não criou uma  casa de Exu ela não criou nada físico a não ser a  

1:22:49

igreja então diz assim Poxa então a concepção  cristã para esse povo é muito importante era  

1:22:57

de suma importância, eles naquela época eram  proibidos, então bem como atrás era uma comunidade  

1:23:09

indígena em volta e que agregava muitos juremeiros  eles criaram a própria igreja e iam cultuar lá  

1:23:15

dentro mas essa condição de reencarnação não é  algo totalmente explícito em todas as tradições,  

1:23:25

há as que não acreditam, mas aí eu faço um  questionamento para algumas pessoas que falam  

1:23:32

tudo teria o Espírito estar trabalhando e  continuar trabalhando por todo um sempre  

1:23:41

que concepção seria essa de estar  ali para sempre, entende, porque?  

1:23:52

Quem destinou, aí entra o que novamente costumo  chamar de alcunha, vamos lá eu trabalho com  

1:24:08

Canito, uma entidade que se entitula Zé  de Canito ou Canito do Fogo e eu vou para  

1:24:16

minha viagem astral e ele diz assim meu nome é  José Pereira Júnior ele aqui também é de Canito  

1:24:24

E aí ele foi para viagem astral e Canito  disse meu nome é Arthur Gabriel Ribeiro, mas  

1:24:32

o Lucas tombou, disse que o nome era tal eu  tombei para o mesmo mestre e o nome é outro?  

1:24:50

Aí vamos ao que algumas tradições colocam é a  condição de alcunha na umbanda falam em falange  

1:24:57

a alcunha São espíritos que até mesmo o próprio  Canito, viu esse espírito a mesma estrutura  

1:25:07

chega para cá para a cidade espiritual você vai  trabalhar você vai se apresentar com o meu nome  

1:25:14

e com essa estrutura com essa forma de  trabalhar mas você é esse camarada aí,  

1:25:21

eu sou eu, certo estamos aqui o time  de futebol do Flamengo e do Vasco  

1:25:32

a cada um tem um nome mas estão um prol da mesma  coisa usando o mesmo uniforme se apresentando  

1:25:37

um jogador do Flamengo e por aí vai e segue o  fluxo, então dentro concepção aquele primeiro já  

1:25:47

evolui e tá o segundo e tá o terceiro , lembrando  tá eu sei que você vai ficar gravado não é uma  

1:25:59

verdade absoluta não existe verdade absoluta  do culto de Jurema acredito que nada na vida  

1:26:04

é verdade absoluta isso são visões de tradições  diferentes tá, essa visão que eu particularmente  

1:26:12

acredito porque faz sentido, imagino só eu  trabalho com Canito e só existe um Canito,  

1:26:34

uma estrutura energética que é uma anima  e é uma alma que é uma singularidade

1:26:43

se dividir em partículas para conseguir  trabalhar numa concepção de incorporação Entende,  

1:26:53

então eu particularmente acredito nessa premissa  e ela segue a visão da reencarnação, são espíritos  

1:27:05

que aquele espírito principal agrupou, doutrinou  dentro das cidades espirituais e colocou para  

1:27:12

trabalhar, tem vários Mestres que diz assim,  quem me puxou para a cidade foi Zé Pelintra,  

1:27:28

eu sou fulano de tal estou ciclano entende? Sem  falar na condição de Que a cada dia trabalhando  

1:27:39

na ciência a gente descobre uma nomenclatura de  mestria Nova é muito vasta a concepção de nomes  

1:27:48

e de alcunhas que tem dentro da mestria né então  mediante a minha tradição existe a reencarnação

1:28:06

Até o momento não foi revelado nem um ser  não-humano, temos estruturas espirituais né como  

1:28:29

você falou, não Encantados mas não tem como citar  um não Encantado como vou dar um exemplo a dentro  

1:28:36

do folclore comum a Comadre florzinha ou Curupira,  seriam nada mais nada menos que Guardiões da mata  

1:28:45

no Candomblé vamos ter Aroni o espírito da  mata, aquele que deve ser reverenciado para  

1:28:54

entrar e para buscar as ervas para que não cause  confusão ou perturbando aquele que adentra a Mata,  

1:28:59

na Jurema a mesma coisa também Comadre Florzinha  temos o Curupira que é reverenciado nas entradas  

1:29:04

da Mata quando adentramos pra fazer nosso  trabalho eles são reverenciados tem tradição  

1:29:10

que cultua como Comadre Florzinha tem tradição  que cultua como Curupira, outras Dono da Mata  

1:29:16

e é salvo digo essa forma de oferenda se compara  muito com o que é feito para Ossain e Aroni, o  

1:29:25

fumo a cachaça, a moeda é Mel são comidas frutas  entende sempre na condição de pedir licença para  

1:29:36

que a estadia na mata por mais que momentânea seja  segura e que não atraia nenhuma negatividade e

1:29:49

Alguns falam que incorporam, eu não tive  essa experiência nem vi nem presente essa  

1:29:55

experiência até porque são espíritos da  Mata que se encantaram dentro da própria  

1:30:02

mata na estrutura física da mata então  na minha tradição eles não incorporam,  

1:30:08

Maria florzinha nem o próprio Curupira não  incorporam são Guardiões mata que estão  

1:30:15

ali para manter a ordem ou causar desordem  naqueles que entram com a mesma intenção.

1:30:50

Olha isso é um tocante bem forte por que existe  sim a concepção de pecado que é errado entende  

1:31:03

existe uma concepção até mesmo de como se  comportar socialmente, o sacerdote de Jurema  

1:31:12

ele recebe pela própria espiritualidade como  ele deve andar no mundo. Quando ele diz que foi  

1:31:34

aprender ciência para poder andar no mundo ele diz  assim eu fui buscar conhecimento espiritual pra  

1:31:39

ser gente pra não fazer besteira para não ferir os  outros para não me tornar um bandido um devasso um  

1:31:50

mentiroso o mau-caráter entende? Então dentro da  Jurema tem sim essa estrutura que nos passa muito,  

1:32:01

porque hoje nós costumamos ver até algumas  entidades da jurema reclamar porque homens usam  

1:32:13

brinco, então porque a construção social da época  que eles achavam correto e eles querem passar dos  

1:32:19

tempos atuais por mais que a gente sabe que isso  não influencia em nada no caráter de ninguém  

1:32:23

tatuagem piercing brinco enfim isso não influencia  na estrutura social de caráter de ninguém mas  

1:32:29

dentro da Jurema sim, tem a condição de pecado do  que é certo o que é errado do que deve ser dito,  

1:32:36

de comportamento que podem ser agregados dentro  do culto ou na sua vida social você imagina eu  

1:32:43

faço sempre essa analogia não tem de dentro de uma  questão de ir quebrando a barreira da hipocrisia  

1:32:50

como eu ver um sacerdote o meu sacerdote uma  pessoa que fora do terreiro é um devasso,  

1:32:59

entende? Por mais que a gente queira julgar, o  espiritual somente, é impossível não observar  

1:33:08

também a conduta social daquela pessoa, então  na Jurema se passa condição de pecado de erro  

1:33:15

do que é certo o que é errado não somente  para que o espiritual tenha êxito Mas para  

1:33:21

que ele dentro da posição de idealizador de  sacerdote de padrinho também tenham postura  

1:33:29

para orientar os seus discípulos Não somente  quando estiver incorporado quando tiver um  

1:33:34

trabalho espiritual é daqui eu tenho ali Gabriel  que é meu afilhado e eles vão poder afirmar não  

1:33:47

somente como eu que dentro da construção deles  como juremeiros eles estão lá para orientar  

1:33:56

não somente em condições de espiritualidade,  algumas pessoas estão no decorrer da vida e  

1:34:04

o seu processo de amadurecimento que isso é  constante na nossa vida estão passando por  

1:34:09

situações que vão além de espiritualidade e ele  sabe que aquela condição se não é solucionado  

1:34:17

rapidamente vai interferir no espiritual daquela  pessoa, vou usar um viés aqui que é bem delicado  

1:34:29

uso de drogas uso drogas dentro da Jurema  eu observo um discípulo meu usando droga

1:34:39

Não padrinho, é só um baseadinho, entende?  Mas se eu socialmente não explicar para ele  

1:34:47

o que espiritualmente aquilo reflete dentro  da Jurema ele não vai ele não vai evoluir  

1:34:55

aí vamos lá hoje ele tá com um baseado  amanhã ele pega 10, 15 gramas e aí é preso

1:35:04

A falta de estrutura e direcionamento do que  é certo e errado dentro da tradição que ele  

1:35:11

se encontra permitiu que isso acontecesse e  aquilo vai influenciar diretamente na evolução  

1:35:18

espiritual, diretamente até também ligando com a  questão energética você pega esse cachimbo, aqui  

1:35:30

dentro aqui nessa madeira nesse cachimbo vai ter o  reconhecimento energético do que Lucas trabalhava,  

1:35:35

na energia do Lucas e é isso então quando falamos  de drogas, estamos falando de energia, é uma troca  

1:35:47

de energia, ele está recebendo ele como médium  como espiritualista como juremeiro, vai haver  

1:35:52

a troca e não tem como essa troca não influenciar  no espiritual dele, é um discernimento de certo e  

1:36:02

errado de pecado né e o pecado é o errado. Essa  concepção de certo e errado dentro da Jurema  

1:36:12

existe e eu posso dizer que na maioria das vezes  é ensinado de uma forma até involuntária, eu na  

1:36:27

minha adolescência vi várias pessoas que estavam  sobre erro e a própria entidade chegar e dizer,  

1:36:36

a minha matéria está cometendo esse erro isso  e aquilo me impressionou porque é difícil para  

1:36:43

nós em sobriedade psicológica afirmar nossos  erros nossos defeitos nossos pecados mas  

1:36:50

quando em transe espiritual em alguns momentos do  Encantado querer fazer a matéria O discípulo se  

1:36:57

reencontrar espiritualmente ele faz isso expurga  todos os erros para que socialmente seja exposto  

1:37:04

e a pessoa tenha por obrigação de buscar uma  solução para aquilo, parar de fazer enfim

1:37:37

Sim por exemplo eu também sou sacerdote de  Candomblé e as práticas não se proíbe uma da outra  

1:37:45

são distintas né há sacerdotes de Candomblé que  proíbam que acredito que haja uma proibição mas a  

1:37:53

Jurema pelo contrário ela não vê nenhum problema  somos cultuadores de energia da natureza somos  

1:37:59

cultuadores de energia de elementais é e não tem  problema algum de você como iniciada de noviça,  

1:38:11

mãe de santo, se iniciar na Jurema, lógico alguns  tabus que você tenha como um exemplo uso do mel  

1:38:21

deve ser indicado e falado para o sacerdote para  que isso não interfira em ambas as energias,  

1:38:29

logicamente já conheci pessoas que dentro  da condição de vivente dentro do candomblé  

1:38:35

tem tabu ao mel mas na prática da Jurema não  tem, não surte efeito físico e espiritual,  

1:38:48

sei que a prática de ambos não interferem sabendo  

1:38:51

lidar logicamente até porque enquanto o  Candomblé estamos cultuando Orixá, Vodun,  

1:38:57

Nkisi e enquanto Jurema estamos cultuando o que  o próprio candomblé chama de Egun, são espíritos  

1:39:09

de pessoas que já viveram de ancestrais então  assim como cultuar normalmente eu tenho vários.

1:39:35

E queria agradecer a todos que vieram  aqui hoje em especial o mestre Lucas,  

1:39:46

só para observarmos a minha casa pugna pela  tradição então eu busquei sempre para trazemos  

1:39:57

pra discutir sobre tradições alguém que  conheça a tradição como ela é em sua raiz,  

1:40:04

então falar de Jurema eu tenho que falar de  Alhandra, de Paraíba, de indígena de Nordeste  

1:40:14

não posso falar de Jurema de Catimbó em São Paulo,  não nasceu aqui, ela veio pra cá com os imigrantes  

1:40:24

nordestinos e o nosso trabalho de resgate  desta casa, casa com os ideias do mestre Lucas  

1:40:36

eu estive em Alhandra várias vezes e só o conheci  em 2019 por que ninguém la também fala de Catimbó  

1:40:48

como ele fala já misturado com Orixá, com várias  coisas que é o que eu não queria encontrar  

1:40:57

eu encontrei uma senhora lá Dona  Zita que tem o mesmo pensamento que  

1:41:03

ele, de encontrar na jurema a busca pelo mestre,  da mestra do Caboclo e da Cabocla e é isso que  

1:41:13

nós podemos oferecer nessa palestra de hoje eu vou  pedir Lucas que só faça só por favor três músicas.

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