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Formação PIBID - 2ª Formação - 28/02/2025

2:22:42Portuguese (Portugal, Brazil)Transcribed Jul 22, 2026
0:02

Aí,

0:04

então agora sim, boa noite a todos.

0:06

Espero que estejam bem.

0:10

A gente vai iniciar então a apresentação

0:15

do

0:18

a formação sobre

0:21

o texto que vocês leram,

0:23

que foi proposto pela

0:27

eh direção, pela coordenação

0:29

institucional lá da reitoria

0:32

como um

0:36

texto para estudo, né? Então, a gente

0:38

vai intercalar alguns estudos

0:40

organizados lá na reitoria com alguns

0:42

estudos próprios aqui do grupo

0:46

e as atividades que vocês já estão

0:49

realizando com os professores.

0:51

Então, essa atividade especificamente

0:54

vai tratar

0:56

do texto. Eu tentei trazer algumas

0:58

explicações a mais para, né, para

1:02

esclarecer um pouco para quem não tem

1:04

conhecimento,

1:06

mas eu não fugi muito do texto. Então,

1:08

se vocês tiverem questões

1:11

que não ficar eh que não ficaram claras,

1:15

vocês podem me avisar que,

1:18

né, que a gente vai tentando

1:22

esclarecer,

1:23

OK? Uma coisa que seria importante é

1:26

vocês anotarem o que a gente for falando

1:29

aqui para vocês

1:31

terem mais apropriação,

1:34

estudos sobre a pedagogia

1:36

histórico-crítica, como a gente já

1:38

comentou nas apresentações de vocês, né?

1:41

É a pedagogia que o IF adota e,

1:44

portanto, o projeto do PIBID está dentro

1:46

dessa pedagogia. Por isso que nós vamos,

1:49

como participantes,

1:52

nos debruçar no estudo dessa pedagogia

1:54

para compreender

1:57

como ela pode ser eh

2:00

integrada ao ensino de ciências.

2:04

OK?

2:05

Então, se tiverem perguntas, vocês podem

2:09

eh me interromper, tá? Eu tentei seguir

2:13

a ordem das perguntas,

2:16

então vocês podem acompanhar também pelo

2:19

que vocês fizeram, né? Se vocês tem a

2:22

lembrança da atividade que vocês

2:24

entregaram.

2:27

Eh,

2:29

então, a primeira pergunta falava, né,

2:32

uma pergunta muito simples que dizia o

2:35

que é

2:37

a educação?

2:39

Então, como uma teoria pedagógica, a

2:42

pedagogia histórico-crítica vai tentar

2:44

explicar esse processo do que é a

2:47

educação e o que está vinculado ao

2:50

processo de educação

2:53

eh do ser humano, tá?

2:57

Então, a primeira coisa que

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essas as teorias que são vinculadas

3:03

à psicologia histórico-cultural,

3:07

elas vão trazer esse entendimento, né,

3:12

de que a educação é um fenômeno próprio

3:15

dos seres humanos.

3:18

O que que vocês entendem que isso

3:20

significa? O que significa dizer que a

3:22

educação é um fenômeno

3:25

próprio dos seres humanos? O que que

3:27

vocês entenderam dessa

3:30

quase a primeira frase ali que aparece

3:32

no texto?

3:41

Pode falar.

3:44

Bom, pelo que eu entendi, só por essa

3:46

frase aí que

3:49

que a educação se se dá somente para os

3:52

seres humanos, que, por exemplo, os

3:55

animais irracionais, eles têm ali,

3:59

digamos, o aprendizado dele através dos

4:01

instintos que já vem eh passando da,

4:06

digamos, da mãe, do pai ali, mas é mais

4:11

do extinto e o seres humanos é

4:15

mais a parte da dessa educação.

4:18

Eu o que eu entendo através dessa dessa

4:22

dessa frase, né?

4:24

>> Uhum. que somente os seres humanos eh

4:29

eles podem fazer a educação e aprender

4:32

com a educação. É o único único

4:34

exclusivamento do ser humano, não de

4:36

outros animais irracionais como

4:39

cachorro, como como leão e entre outros.

4:44

>> Certo?

4:46

Que mais levantado a mão?

4:49

Não estaria atrelado, principalmente a

4:51

nossa capacidade de comunicação.

4:56

>> Uhum. Mais alguém?

5:03

>> S Jefferson.

5:12

Aí, eh, o texto ele apresenta que o ser

5:16

humano ele precisa adquirir certos

5:18

conhecimentos com relação à cultura e

5:21

tudo mais para que possa ser humanizado,

5:24

para que ele possa agir de maneira

5:26

efetiva na sociedade. Isso uma coisa que

5:29

eu pude compreender ali, que tem essa

5:32

necessidade de compreender a cultura,

5:36

certos aspectos por meio da educação.

5:40

>> Uhum.

5:41

Então aqui a gente tem eh Joel, pode

5:45

falando,

5:46

>> tá? Eh, complementando o que o Jefferson

5:49

falou, eu assim entendi que a educação é

5:53

uma ferramenta de validação da

5:56

existência do ser humano. Não sei se eu

5:59

entendi certo ou entendi errado, mas

6:01

creio que foi isso que eu entendi com

6:03

essa questão do fenômeno próprio dos

6:05

seres humanos, que é uma forma deles

6:06

validar, dos seres humanos validarem a

6:09

sua própria existência. Seria isso?

6:12

>> Uhum.

6:14

Então aqui a gente tem várias respostas,

6:16

né? Várias respostas, não, né? Vários

6:18

comentários, né? Não é uma pergunta

6:20

necessariamente,

6:21

mas eh todas elas vão caminhar num

6:24

sentido de se complementarem.

6:27

Então, a frase em si, né, que é o

6:29

fenômeno próprio de seres humanos, dá a

6:32

entender ou ela quer dizer que

6:35

dos seres vivos que existem, né, das

6:38

categorias de seres vivos que existem,

6:40

somente os seres humanos

6:43

eh realizam esse fenômeno, esse

6:45

processo, que é o processo de educação,

6:49

certo? Então,

6:51

se todo mundo concordar com essa, a

6:54

gente já mata ela aí. Então, os outros

6:57

seres vivos, né, em especial os outros

7:00

animais, eles não eh se organizam por

7:03

meio da educação, eles não têm um

7:05

processo de educação,

7:08

tá?

7:11

Mas eh não nessa frase exatamente, mas

7:15

ela quer dizer nas entrelinhas que a

7:19

educação é um fenômeno

7:21

que nos torna

7:24

seres humanos. Eu

7:27

acho que foi isso que o J quis dizer,

7:28

né? Ele nos eh

7:32

confere uma existência como seres

7:35

humanos.

7:37

E aí a gente pode ter eh algumas

7:39

questões que podem ficar mais confusas.

7:42

Por exemplo,

7:44

o ser humano não é simplesmente o

7:48

ser biológico, né, que nasce,

7:52

né, depois ali da gestação, ele já não é

7:54

um ser humano

7:57

ou ele precisa passar pelo processo de

7:59

educação para se tornar ser humano.

8:03

Pode falar, Andreila.

8:05

é que se ele não for alfabetizado, não

8:08

for educado, ele vai ser vai agir por

8:10

instinto igual a todos os outros

8:12

animais. Então, realmente a educação

8:14

confere esse caráter de ser humano para

8:16

ele, na minha opinião, pelo que eu

8:18

interpretei, né?

8:20

>> Uhum. Ateus.

8:22

>> Eh, eu acho que se formos levar o pé da

8:25

letra, isso, eh, tem muitos adultos que

8:31

não tiveram acesso à educação. Então,

8:33

nós vamos dizer que esses adultos aí não

8:36

são seres humanos. Eu acho que essa

8:40

pergunta é meio complexa de de se

8:43

responder. Não tem uma resposta certa,

8:46

mas eu acho que a partir do momento que

8:47

você nasce um ser,

8:50

uma pessoa, ele já é um ser humano. Ah,

8:55

a educação só vem para lapidar ele

8:59

durante o seu processo de evolução.

9:02

Mas a partir do momento que ele nasce,

9:04

ele já é um ser humano.

9:06

>> Uhum. Joel.

9:08

Tá? Eh, partindo desse ponto que o

9:11

Mateus levantou, dessa questão, ele

9:12

falou que adultos eh não têm eh

9:15

educação, mas eles não digam assim, pelo

9:18

que eu entendi, não são não são humanos,

9:20

não. Eh, assim, eu acho que os seres

9:24

humanos eles são capazes de adquirir

9:26

conhecimento de várias formas, né? o que

9:29

valida essa questão de produzir, porque

9:32

de alguma maneira ele vai produzir

9:34

conhecimento, vai produzir eh vai

9:36

utilizar essa ferramenta da educação

9:38

porque aprende com a convivência com a

9:42

com a sociedade em que ele está

9:43

envolvida. Por mais que ele não tenha

9:44

uma educação tradicional, ele vai ter

9:47

uma educação popular, porque é uma é uma

9:50

é não deixa de ser um tipo de educação,

9:52

não é educação tradicional como existe,

9:55

né? Enfim, eu acho que pelo ponto que o

9:58

Mateus levantou, acho que eu pude chegar

10:01

nessa nessa hipótese.

10:03

>> Uhum. Andreila.

10:06

>> É tipo, é complementando o que o Joel

10:08

falou em relação ao que o Mateus disse,

10:10

a educação ela não é só o que a gente

10:12

aprende na escola, né? Não é só a

10:13

educação formal. A gente aprende coisas

10:15

diariamente com os nossos pais. A gente

10:18

aprende como se portar, como se

10:19

alimentar. Se eu preciso, tipo, eu vivo

10:22

no interior e eu não compro comida, eles

10:24

aprendem como caçar. Tipo, a educação

10:26

não é só o que você aprende na escola, é

10:29

todo o aprendizado de san comum que você

10:31

aprende diariamente, que é passado de um

10:34

de pai para filho, de pessoas entre

10:36

pessoas.

10:37

>> Uhum.

10:39

A Daisy tinha levantado a mão?

10:44

>> Sim. Eh, eu acho assim que o ser humano,

10:47

tipo, ele sempre vai desde quando ele

10:51

nasce e aprender e ensinar, porque tanto

10:54

que hoje em dia tem um estudo, né, do

10:57

desenvolvimento do bebê, que desde os

11:00

primeiros meses ali do do ser humano,

11:02

ele já tá aprendendo e ensinando também,

11:05

tipo, desde a parte de gatinhar, tipo

11:07

falar, tudo, o ser humano, ele já tá

11:10

aprendendo desde quando ele nasce, no

11:12

caso.

11:13

>> Uhum.

11:15

Mateus,

11:17

>> eh, eu concordo tanto com o Joel contra

11:22

a Andreila. Eu acho que eu eu coloquei

11:25

meio equivocado. É, mas

11:28

eu concordo plenamente com a a Daisy,

11:31

com o que ela falou, que

11:34

desde a partir do momento que uma

11:35

criança nasce,

11:38

eh,

11:39

hoje em dia, ainda que antigamente você

11:43

via, as crianças não nasciam com olho

11:44

aberto, hoje eles nascem olhando já e já

11:47

a partir dessas interações eles já

11:49

começam a aprender algo.

11:53

Aí, aí eu posso fazer uma pergunta aí já

11:56

é a educação em si.

11:59

Uhum.

11:59

>> Só através da observação.

12:02

Eh,

12:04

mas eu ainda continuo com a que com a

12:07

partir do momento que que a que a pessoa

12:09

nasce, ela é um ser humano

12:12

independentemente.

12:16

>> Andreira quer falar mais?

12:20

Acredito eu, em referência a essa

12:22

pergunta do Mateus, que sim, observação

12:24

é uma forma de aprendizagem, porque é

12:26

natural do ser humano ele reproduzir o

12:29

que ele aprende. Até se a gente for

12:31

fazer pesquisas a respeito disso, eh,

12:34

geralmente as famílias, eh, por exemplo,

12:38

a gente trabalhando na escola, uma

12:39

família que o pai bate na mãe,

12:42

geralmente a criança ela é uma criança

12:45

mais agressiva que bate nos colegas. E

12:47

isso vem desde muito cedo. Ela aprende

12:50

isso desde desde que ela nasceu

12:52

praticamente vendo o pai batendo a mãe.

12:54

A criança que cresceu sem essa

12:56

violência, ela vai achar a violência um

12:58

absurdo, porque não faz parte da

13:00

realidade dela. Ela aprende o que ela

13:02

observa ao redor dela.

13:04

>> Uhum. Então aqui a gente também tem

13:07

falas que se complementam, né? Eu

13:10

entendo. Então, a a questão que eu

13:14

coloquei, coloquei de propósito, né,

13:16

para provocar

13:19

eh se o ser humano quando nasce ele já é

13:21

ser humano ou se ele vai se tornando ser

13:24

humano na medida em que ele

13:28

aprende, né, a

13:32

interagir em sociedade, por exemplo, né?

13:34

Então essa teoria psicologia

13:38

histórico-cultural, ela vai compreender

13:40

que o processo de se tornar humano,

13:45

ele também ocorre enquanto a gente

13:47

existe, né? Então, a gente é o indivíduo

13:49

da espécie humana quando nasce, né?

13:52

Todos nós somos,

13:54

mas a gente tem um processo de

13:57

desenvolvimento que é social, que vai

14:00

nos tornando cada vez mais humanos.

14:04

Isso que se chama o processo de

14:06

humanização, já me adiantando um

14:08

pouquinho. Então, são questões que a

14:10

gente precisa, né, ter em mente para

14:13

compreender o que que o Vigotsky, né,

14:16

que é o autor principal da psicologia

14:18

histórico cultural, tava tentando dizer,

14:20

né, que obviamente somos todos seres

14:24

humanos, mas ainda existe um

14:26

desenvolvimento

14:27

pela educação, por esse processo que a

14:29

gente tá chamando de educação, que é

14:31

exclusivo de seres humanos. que acontece

14:34

ao longo do desenvolvimento

14:37

do ser humano na sociedade,

14:40

certo?

14:42

E eu coloco aí uma outra pergunta, né? O

14:46

que que nos caracteriza como indivíduos

14:50

da espécie, né, que não é o nome da

14:53

espécie, mas enfim, dos como indivíduos

14:56

que se entendem por ser humano? O que

14:59

que é a característica,

15:03

vou usar o termo mais difícil agora, a

15:05

característica ontológica

15:08

do ser humano, ou seja, aquela

15:11

característica

15:13

que diz que o indivíduo, que aquela

15:16

aquele espécime é um ser humano.

15:21

Lembrando que a gente tá seguindo uma

15:22

teoria, então quero saber o que essa

15:24

teoria diz,

15:26

né? Essa é a questão mais importante.

15:28

Pode falar, Mateus.

15:31

Eu essa parte eu não lembro de ter visto

15:33

na teoria ali, mas seria o ato de

15:38

de poder se comunicar, de interagir

15:42

entre

15:43

um meio?

15:46

>> É, a questão da comunicação é boa. O

15:47

Thaago, ah, te cortei. Pode terminar.

15:50

>> Não, pode, pode continuar. Eu agora

15:53

fugiu o meu raciocínio.

15:55

O Thiago tinha comentado, né? Mas os

15:57

outros seres vivos também se comunicam,

16:00

né, e interagem. Tanto é que tem a

16:03

sociedade, né, eh, comunidades, não sei,

16:07

né, alguns insetos lá tem os nomes

16:09

certos para isso, os biólogos sabem. Mas

16:12

não é só a comunicação.

16:15

É o Robert escreveu ali, né? Segundo

16:18

essa teoria que vai se basear lá no

16:21

marxismo, né? O que nos torna humanos é

16:25

a capacidade ou, né, a nossa,

16:29

eh, possibilidade de realizar o que se

16:32

chama de trabalho.

16:35

E aqui a gente não jamais vai conferir

16:37

trabalho como serviço, né, ou como

16:39

ocupação.

16:42

trabalho é um uma categoria que a gente

16:45

chama, uma explicação, um conceito que

16:48

vai tentar definir

16:52

Uhum. Gabriel, o essa atividade aqui tá

16:57

ainda resumido, nós vamos colocar mais,

16:59

né, coisa aqui, mas em princípio o

17:02

trabalho é atividade de transformação da

17:05

natureza.

17:07

Então, o ser humano é o é a espécie

17:12

que para reproduzir sua existência ela

17:16

transforma a natureza. E as outras

17:18

espécies não fazem isso.

17:21

Claro, a gente pode pensar: "Ah, mas

17:23

João de Barro constrói a casa, né? O o

17:26

cachorro lá, ele vai tentar fazer um um

17:29

local adequado para ele sobreviver. Mas

17:33

comparar isso, a como o ser humano

17:37

transformou o planeta é um pouco

17:40

desproporcional, né? Pensa que agora a

17:43

gente tá,

17:45

por exemplo, eu, né, tô num edifício, tô

17:49

bem acima do do bem, não, né, mas estô

17:52

acima do do solo, né? Então, a gente

17:56

conseguiu verticalizar pra gente

17:58

conseguir se apinhar ainda mais, né, no

18:00

planeta.

18:02

a gente consegue se locomover, né, de

18:06

uma maneira muito eficiente em termos de

18:08

velocidade, né,

18:11

do que comparado com com outros

18:14

animais, por exemplo, embora a gente não

18:16

tenha capacidade tanta de nosso corpo

18:19

fazer isso, mas a gente transformou a

18:21

natureza de de tal forma que a gente

18:23

pega minérios e transforma em outras

18:25

coisas.

18:27

Então, a espécie humana, ela se

18:28

caracteriza por essa capacidade de

18:30

transformar a natureza, mas

18:35

como representantes da ciência da

18:36

natureza, a gente tem que entender que

18:38

essa palavra natureza não significa só

18:43

eh

18:45

as os componentes bióticos e abióticos

18:49

da biosfera.

18:51

existe a natureza social também que nos

18:54

forma humanos e a gente também

18:56

transforma essa natureza. Então,

18:59

basicamente o que nos torna ser humano,

19:02

né, é a capacidade de fazer essas

19:04

atividades de transformação da natureza.

19:09

Só que para conseguir fazer essas

19:10

atividades,

19:12

a gente precisa passar por um processo

19:15

educativo.

19:18

E é por isso que o ser humano precisa da

19:20

educação

19:22

para se desenvolver enquanto ser humano,

19:26

tá?

19:27

Se não tiverem concordando, podem

19:29

colocar aqui. Então, os demais seres

19:32

vivos, eles atuam numa lógica de

19:34

adaptação. Eles conseguem fazer

19:36

transformações ali locais,

19:39

né? Mas no sentido de conseguir

19:42

sobreviver.

19:44

O ser humano, ele consegue projetar essa

19:47

atividade para o futuro

19:51

e um futuro às vezes bem longe, né? que

19:54

é o próprio caso da escolarização, né? A

19:57

gente entra lá com 6 anos para sair

20:01

com 17 anos, né?

20:04

A gente projeta essa atividade que vocês

20:07

vão, que um ser humano vai realizar por

20:09

11 anos. Os outros animais não têm nem

20:11

essa noção de tempo que nós temos, né?

20:16

Então, tudo isso envolve coisas que vão

20:18

nos caracterizar como humanos e vão

20:21

estar relacionados ali com aquela

20:22

palavra trabalho. Então, eu vou abrir

20:25

aqui um parênteses para que precisa

20:28

ficar bem claro para todo mundo o que

20:30

que significa esse isso aí do trabalho,

20:33

tá?

20:34

Então, abrindo um parênteses aqui, o que

20:40

nós entendemos por trabalho, o que se

20:43

entende por trabalho dentro dessa

20:45

perspectiva do materialismo histórico

20:47

dialético, que é que a que a gente tá

20:49

estudando agora.

20:51

Então, primeiro, trabalho é uma

20:53

atividade teleológica. Esse termo não

20:57

está no texto, mas ele vai aparecer em

20:59

alguns outros textos, provavelmente.

21:03

Alguém sabe o que que significa essa

21:05

palavra

21:08

ou teleológica, no caso?

21:15

Não.

21:17

Então, atividade, a atividade

21:19

teleológica é uma atividade que ela é

21:22

dirigida.

21:25

Diga, Andre,

21:28

>> pelo que eu lembro, eu vi poucas vezes,

21:30

mas pelo que eu lembrava era algo que

21:33

era um processo, que era longo prazo,

21:35

pensando já lá na frente, basicamente

21:37

que você tinha falado antes, que é uma

21:39

coisa que vai pensando a longo prazo.

21:41

>> Isso. Então, ela é sempre dirigida para

21:44

um fim específico. Vou, como indivíduo,

21:48

planejar,

21:50

né, a atividade

21:53

que vai ser realizada, porque eu quero

21:55

chegar num objetivo. Então, é um

21:57

processo, como André falou, é o

22:00

atividade é sempre um processo, é algo

22:02

que vai envolver o planejamento e a

22:04

execução dessa atividade, tá?

22:08

Eh, então ela sempre vai ser dirigida a

22:11

um fim essa atividade teleológica,

22:14

não teológica, teleológica

22:18

e ela vai ser antecipada e planejada

22:21

mentalmente.

22:23

Essa é outra característica,

22:26

eh, que a gente pode entender como

22:30

própria dos seres humanos também, embora

22:33

a gente perceba que os outros animais

22:36

conseguem ter uma certa antecipação, ela

22:39

é mais vinculada

22:41

a estímulos e respostas do que a um

22:44

planejamento intencional, né? Então aqui

22:48

o que que eh o trabalho significa? Então

22:53

que a gente a gente antecipa, planeja

22:57

alguma coisa, alguma ação ou várias

22:59

ações para chegar num fim.

23:03

O exemplo que o o Vigotsk traz para

23:05

tentar explicar isso é como os seres

23:09

humanos em tribos, né, antigas faziam

23:14

para saciar a necessidade de se

23:16

alimentar.

23:18

Então, se você pensa num, se eu falar

23:21

besteira, os biólogos me corrigem, mas

23:22

se você, quando você pensa num, no, em

23:25

uma espécie de outros animais, a

23:29

relação, né, das ações que eles fazem

23:32

para se alimentar, ela é muito mais

23:34

direta, então eles caçam, né, ou eles

23:36

coletam, é uma coisa mais simples.

23:40

Já o ser humano não, né? Mesmo pensando

23:44

muito, muito tempo atrás,

23:46

né? possível entender que seres humanos

23:49

criaram, por exemplo, ferramentas que

23:52

possibilitavam

23:54

no futuro que ele matasse um animal, por

23:57

exemplo, para ter caça.

24:00

ou ser humano foi a espécie que

24:02

conseguiu desenvolver

24:05

a forma de cultivar seu próprio

24:08

alimento,

24:10

inclusive, né, fora das estações

24:13

específicas do desenvolvimento daquelas

24:15

plantas em quantidades muito maiores,

24:18

enfim. Então, isso não foi feito ao

24:22

acaso assim, vamos aqui pegar esse

24:25

quadrado e plantar, provavelmente, né?

24:28

Isso foi tentado, mas refletido. Ó, se

24:32

fizer isso, pode dar um resultado, né?

24:36

Então, o atividade, essa capacidade que

24:39

a gente tem de planejar o que a gente

24:40

vai fazer, é o que nos permite realizar

24:43

esse trabalho

24:46

dirigido ao que eu quero fazer, né?

24:50

Então, o trabalho ele sempre é

24:52

intencional,

24:55

ele você tem que saber o que você tá

24:57

fazendo. Por isso que a gente pede muito

24:59

para vocês se planejarem, para vocês

25:01

terem noção do que vocês estão

25:03

realizando,

25:05

porque através dessa transformação

25:09

é possível a produção

25:11

do que a gente chama de mundo da

25:13

cultura, né, no texto.

25:17

Então, o o ser humano ele vive, né, na

25:20

dualidade entre o mundo natural e esse

25:23

mundo cultural que é próprio dos seres

25:26

humanos. Só que esse mundo cultural, ele

25:29

não existe naturalmente. Ele precisou

25:32

ser produzido

25:35

por seres humanos e é constantemente

25:38

reproduzido por seres humanos por meio

25:42

do trabalho. Trabalho é o termo geral.

25:45

Existem vários tipos de trabalho, tá?

25:50

Outra coisa importante,

25:52

o trabalho, né, o desenvolvimento do

25:55

trabalho, desenvolvimento humano, ele

25:57

depende

25:59

do mundo natural. A gente vai chamar

26:01

isso de dependência material do mundo

26:04

natural.

26:05

Então, a gente, como indivíduo que

26:07

sobrevive, né, como organismo, a gente

26:10

precisa de

26:12

eh componentes que sustentem a nossa

26:16

vida, né, água, sais minerais,

26:20

né, o solo que a gente precisa estar em

26:22

cima, a própria gravidade, tudo que

26:24

existe naturalmente sustenta a nossa

26:27

existência como indivíduos de uma

26:30

espécie.

26:32

E, né, a gente vai chamar isso de base

26:35

material.

26:38

Só que nós, especificamente, além de

26:40

utilizarmos desse mundo para sobreviver,

26:43

a gente tem a capacidade como ser humano

26:46

de produzir novos materiais,

26:51

né? Então, a gente usa esse esse mundo

26:53

natural para garantir a nossa existência

26:57

e produzir novas coisas,

27:00

tá? E essas coisas produzidas e naturais

27:05

e sustentam também o desenvolvimento

27:08

cultural do ser humano, tá?

27:13

E além disso, esse trabalho, essa

27:16

atividade, ela vai se basear

27:19

em modos humanos

27:22

de produção e reprodução da cultura.

27:25

E aí a gente começa a entender aquilo

27:28

que você estavam comentando lá no

27:29

início, né, do desenvolvimento da

27:31

criança. Você for pensar em trabalho

27:34

como o trabalho assalariado, por

27:36

exemplo, né? Criança não trabalha,

27:39

criança não não é ser humano, né?

27:42

Mas não é isso.

27:44

Enquanto a criança está se desenvolvendo

27:48

como ser humano, mesmo que não tão

27:50

intencionalmente

27:52

no início, ela aprende modos humanos de

27:58

produção da vida, no caso. Então, ela

28:01

copia

28:03

o o seu entorno, como vocês colocaram.

28:06

Isso é uma forma de trabalho também de

28:09

desenvolvimento.

28:11

Não é menos complexo do que o que a

28:14

gente tá fazendo agora, mas adequado

28:17

para aquele organismo naquele estágio,

28:22

tá? Então quando a gente fala modos

28:24

humanos, eh, são as coisas, né, que nós

28:29

fazemos, os processos que a gente faz.

28:31

Então, escrever mesmo, falar, se

28:35

locomover, se vestir,

28:38

eh

28:40

se comunicar, enfim, tudo isso é modos

28:43

humanos. a gente pode avançar

28:46

modos humanos de resolver equações de

28:49

segundo grau, de dar nome para as

28:51

moléculas, de compreender o processo de

28:56

de,

28:58

né, de de comunicação hormonal, tudo

29:02

isso são modos humanos, tá?

29:05

E isso a gente traduz, né, nessa relação

29:09

como conhecimento.

29:11

Então, a gente tem conhecimento

29:16

sobre esses modos

29:18

e isso vai nos tornando cada vez mais eh

29:22

pertencentes, né, ao gênero humano como

29:25

algo genérico, né, como algo que

29:28

representa todo mundo para além da

29:31

individualidade de cada um.

29:35

OK,

29:37

tudo bem até aqui com essa parte do que

29:40

estamos entendendo por trabalho,

29:43

tá? Então, quando a gente fala em

29:45

educação,

29:48

educação é uma forma de trabalho, então

29:51

ela vai ser sempre dirigida a um fim,

29:53

vai envolver modos específicos de

29:55

realizar esse processo

29:58

e vai estar baseado, né, vai ter como

30:02

referência a base material, né, guarda

30:05

essa informação.

30:09

Então, o processo de trabalho, né, de

30:12

reprodução da vida humana,

30:15

ele se torna cada vez mais complexo na

30:18

medida em que a sociedade

30:21

se desenvolve historicamente.

30:23

Então, a vida como a gente vive hoje,

30:26

nós indivíduos do século XX, não é a

30:28

mesma

30:31

dos nossos ancestrais,

30:33

né?

30:35

A forma de reproduzir a vida, de

30:37

continuar existindo, é diferente. Não tô

30:41

dizendo que é melhor nem pior, tá

30:42

dizendo que é diferente.

30:45

E essas diferenças eh vão trazer

30:50

questões importantes. por exemplo,

30:54

eh é innegável hoje

30:57

que uma pessoa, um ser humano, um

30:59

indivíduo que não é alfabetizado

31:03

tem dificuldades para ter acesso

31:07

a muita coisa necessária paraa

31:09

reprodução da vida.

31:12

embora, né, ele possa saber coisas que

31:14

nós não sabemos, o que é provável, isso

31:17

dificulta,

31:18

né, a existência dele

31:22

mais do que a minha dificuldade, por

31:23

exemplo, de não saber plantar um

31:25

alimento, né? Não saber, não sei porque

31:27

eu nunca plantei, mas na prática eu não

31:30

sei.

31:31

A mesma coisa o uso da tecnologia, né? O

31:35

modo de comunicação tecnológico,

31:38

ele

31:40

é vigente hoje, né? Mas a gente tem

31:42

pessoas que têm dificuldade de realizar

31:45

esse tipo de tarefa e isso pode

31:48

prejudicar a vida dessa pessoa de alguma

31:52

forma ou tornar mais difícil eh fazer

31:55

com que ela precise de assistência e

31:58

assim por diante. Então, quanto mais

32:00

complexo o nosso processo de vida se

32:03

tornou,

32:05

mas a gente precisa de uma etapa da

32:09

nossa vida, que é a educação

32:12

institucional,

32:14

que é um processo institucional de

32:16

dizer, olha, quando você chega lá, né,

32:20

no que a gente entende lá como adulto,

32:23

você precisa

32:25

saber de todos esses modos humanos de

32:28

reprodução da vida para poder participar

32:31

efetivamente da sociedade. E daí o

32:34

processo educativo ele começa a encher,

32:36

né, começa a ter muita coisa que precisa

32:41

ser eh

32:44

apropriada pelos indivíduos para que

32:46

todos cheguem nesse nível, né, genérico

32:50

do que é ser um ser humano. Claro que

32:53

isso é arbitrário, né? Isso é escolhido

32:55

por sociedades pelo tempo.

32:58

Mas eh o que eu tô querendo dizer é nós

33:02

eh quanto mais eh complexo esse

33:06

processo, quanto mais atual, mais

33:08

contemporâneo,

33:10

mais se espera que o indivíduo aprenda

33:12

coisas

33:14

antes dele ser um um sujeito

33:18

independente para atuar na sociedade.

33:21

Certo?

33:23

Compreenderam?

33:26

E a educação, então, também é um

33:30

trabalho, um processo de trabalho

33:33

que a gente vai chamar de trabalho

33:34

educativo.

33:36

Então, o trabalho educativo é uma

33:38

expressão do trabalho humano, ou seja, é

33:40

uma forma específica do trabalho em

33:42

geral

33:44

que tem como finalidade

33:47

esse

33:49

processo de humanizar as pessoas.

33:53

aqui. Cuidado, né? Não é necessariamente

33:55

que você vai paraa escola, né, o

33:57

processo automático, mas há intenção,

34:00

né, de fazer isso, tá? Então, de todas

34:05

as das várias formas de trabalho que

34:07

existem, o trabalho educativo é um deles

34:11

e tem essa característica

34:14

especial, tá?

34:17

Então, já adiantei, né? Existem formas

34:20

de trabalho diferentes. Existem

34:23

diferentes formas de trabalho,

34:26

sim ou não?

34:33

Sim ou não?

34:36

Diga, já

34:39

>> eh sim. Nós vamos ter algumas

34:41

categorias, como que estavam no texto,

34:43

por exemplo, o trabalho material, que

34:46

ele é, por exemplo, caracterizado na

34:47

produção de um objeto, que o o autor, o

34:50

produtor, ele vai criar aquilo e vai

34:53

transferir para outra pessoa. Já o

34:55

trabalho educacional, ele também pode

34:58

entrar na categoria na produção de um

35:00

material didático, onde o produto se

35:03

separa do autor ou no que seria no ato

35:06

de educar, onde a educação ela vai ser

35:10

um trabalho material a partir do momento

35:12

que o que o autor ele vai educar e o

35:16

destinatário já vai estar recebendo.

35:17

Seria, eu acho que essas principais duas

35:19

dois tipos de trabalho que é apresentado

35:21

no no texto.

35:23

>> Uhum.

35:24

Então isso é bom lembrar, né? Eh, o

35:27

texto apresenta alguns tipos de

35:29

trabalho, expressões do trabalho, mas

35:32

existem outras que a gente não vai

35:34

tratar aqui. Não sei que vocês tenham

35:35

dúvida e dá um tempo, a gente comenta,

35:38

mas em princípio, né,

35:42

eh, o trabalho ele é ele é um trabalho

35:45

produtivo.

35:49

Isso vai mudar de época para época o que

35:51

é produtivo e o que não é produtivo.

35:54

Mas se a gente for pensar que o trabalho

35:56

é o que reproduz a vida,

36:00

na teoria, né, todo o trabalho produz

36:04

pelo menos a reprodução da vida. Então

36:06

ele é produtivo, ele tem uma produção.

36:10

Essas diferentes formas de trabalho,

36:12

elas vão tentar descrever o que acontece

36:14

com essa produção e o produtor, no caso.

36:19

Então, o texto traz dois principais

36:22

tipos de trabalho,

36:24

que é o trabalho material e o trabalho

36:27

não material,

36:30

tá? Que foi o Jefferson já adiantou.

36:34

Então, o trabalho material que vai nos

36:38

dar a dica de que algo é entendido como

36:40

trabalho material é a produção de novos

36:42

bens materiais.

36:44

Então, é a produção de alguma coisa,

36:47

tá?

36:49

De um novo produto.

36:52

Então, por exemplo, o trabalho no campo

36:54

é um trabalho material, um trabalho do

36:55

agricultor, ele produz um novo produto.

36:59

Trabalho numa fábrica é um trabalho

37:01

material. ele, né, o trabalhador produz

37:05

um novo produto,

37:07

tá? Então, se você a gente consegue

37:09

pensar que houve lá a matéria prima um

37:12

processo de transformação e um produto

37:14

final, esse processo de transformação é

37:17

um trabalho material, né, poucas linhas.

37:20

Então, vai haver a transformação da

37:21

matériapra. E aqui eu vou trazer mais um

37:24

termo que não está desse jeito no livro,

37:27

num texto, mas ele é importante para

37:29

nós.

37:31

Eh, por que que é tão importante isso,

37:34

né? Parece assim, tá? Eu peguei lá o a

37:37

madeira, né, a tóra lá e transformei

37:41

numa tábua, então trabalho material.

37:44

Por que que isso é importante, tão

37:46

importante assim, que é o que vai

37:48

caracterizar o ser humano?

37:51

Porque durante nesse processo de

37:54

transformação da matéria-prima,

37:57

a gente vai dizer que o trabalho

38:00

daquele ser humano foi objetivado

38:04

no produto final.

38:07

Então, houve a objetivação do trabalho

38:09

humano. Um objeto foi criado por meio do

38:12

trabalho humano

38:14

e ele traz nele

38:17

impressões do trabalho humano.

38:22

Por quê?

38:24

Porque para transformar a tora em

38:26

madeira foi necessário o conhecimento da

38:30

pessoa que tá fazendo isso. Então ela

38:33

sabe o que ela tá fazendo, ela planejou

38:36

o que ela tá fazendo, ela teve um

38:39

resultado esperado que é a a tó. Então,

38:42

a de certa forma já existia a previsão

38:45

da tor, né, da perdão, da tábua na

38:48

cabeça daquela daquele ser humano. Foi

38:51

necessário

38:53

materiais, né, eh, máquinas ou

38:58

ferramentas para realização desse

38:59

trabalho. Não é de pensar que isso

39:02

acontece, é preciso uma ação. Então,

39:05

quando a gente olha a tábua, se a gente

39:08

tiver a atenção, né, o, né, o o olhar

39:13

mais atento, a gente consegue entender

39:15

que aquele que a tábua produto natural.

39:21

Se não tivesse o trabalho humano, não

39:23

existiria a tábua.

39:25

Tão me acompanhando que eu quero dizer?

39:29

Então a gente consegue imaginar assim,

39:31

olha, para existir essa tábua, existir

39:33

um ser humano

39:34

que soube o que fazer com a Tóra, já

39:36

começo por aí. Já já isso já caracteriza

39:39

aquele produto como resultado do

39:42

trabalho humano que é material, tá?

39:46

Então vamos tentar explicar de novo, ó.

39:51

Nós temos no nosso redor, né, muitos

39:56

produtos que são de metais. Por exemplo,

39:59

aqui eu olho pra janela que tem uma que

40:02

é uma esquadrilha de alumínio. Pergunto

40:04

aos químicos, aos biólogos também.

40:07

Existe alumínio metálico na natureza?

40:13

E agora eu respiro.

40:15

É, não existe. Você não vai cavar e

40:18

achar uma uma, como chama isso aqui?

40:22

Barra. Uma barra de alumínio.

40:26

Então, como que eu tenho uma barra de

40:27

alumínio aqui na minha frente? Que que

40:29

precisou acontecer?

40:40

Ninguém sabe.

40:45

Diga, Jefferson

40:52

tá mudo. Não sei se tá falando.

40:57

Nós não vamos conseguir ter ele

40:59

naturalmente, como o senhor explicou.

41:01

Diferente de uma tora que a gente

41:03

consegue facilmente encontrar, é

41:04

necessário todo um trabalho, por

41:06

exemplo, de eletroquímica para poder

41:08

obter o alumínio e tudo mais. Então, é

41:10

um processo mais elaborado

41:13

do que simplesmente encontrar.

41:15

>> Uhum. É, é mais elaborado do que o que

41:18

eu comentei, mas do mesmo jeito eu quero

41:21

que vocês entendam o seguinte. Eu tenho

41:22

uma matériapra

41:24

que no caso do exemplo do alumínio vai

41:27

ser a bachita, o minério, que isso

41:29

existe na lá na natureza.

41:32

E o que que vai ser necessário para sair

41:34

da matéria-pra e chegar no produto?

41:37

Então, sair do minério da bachita para

41:39

chegar numa barra de alumínio.

41:42

Tem que o produto, vai ter que misturar

41:45

os dois, vai ter todo um processo

41:47

químico ali para não perder as

41:49

propriedades e não ficar mais duro, nem

41:51

mais mole do que pode ser. E vai ter que

41:53

moldar aquilo para ele ficar daquele

41:55

jeito.

41:56

>> Uhum. naquele formato, no caso.

41:59

>> Isso. Mas antes de tudo, que a gente

42:02

frequentemente esquece, precisa de um

42:05

ser humano.

42:08

A única coisa que consegue transformar o

42:09

máquina, né, para tirar seja uma

42:12

máquina,

42:14

foi o humano que fez a máquina e o

42:16

humano que opera a máquina. E a máquina

42:18

ela só surgiu porque humanos conseguiram

42:23

entender que é possível obter o alumínio

42:26

a partir da bachita.

42:29

Tão entendendo onde eu quero chegar?

42:31

Tudo que a gente faz como processo

42:35

tem eh é resultado de algum trabalho

42:38

humano anterior.

42:42

Então, quando a gente, quando a gente,

42:45

que eu digo ser humano, né, a produção

42:47

de alguma coisa, para essa produção

42:50

acontecer,

42:52

foi necessário o uso ali, né, usar

42:56

várias vários conhecimentos ou

42:58

tecnologias, como já descreveu, que

43:01

foram criados por seres humanos. Então,

43:04

nesse produto,

43:06

a gente diz que ele carrega na sua

43:10

constituição, no seu objeto,

43:14

o resultado do trabalho humano. E se eu

43:17

analisar o produto, eu consigo descobrir

43:21

o que que foi necessário para que ele

43:25

acontecesse.

43:27

A gente não faz isso no dia a dia, né,

43:29

no imediato da coisa, mas a gente pode

43:33

fazer isso e consegue fazer isso, porque

43:36

esse produto ele guarda isso na sua

43:39

constituição,

43:41

tá? Eu sei que é difícil, então vamos me

43:45

vamos me colocando lá.

43:48

E outra coisa, né, eh, que vai

43:51

caracterizar qualquer tipo de trabalho é

43:53

esse planejamento mental, né? Então, a

43:56

atividade, o trabalho material, ela ele

43:58

é algo que envolve lá as substâncias,

44:03

né, os materiais,

44:07

mas ele também eh estava planejado

44:09

anteriormente, né, na cabeça.

44:13

Então, ele é a realização

44:17

no mundo material de algo que a gente já

44:20

consegue planejar,

44:23

OK?

44:27

Pode interromper.

44:29

Oi. E o contrário do trabalho material é

44:33

o trabalho não material. Pus ali em

44:36

vermelho para ficar bem claro ali.

44:39

Então, o que que seria o trabalho não

44:43

material?

44:47

de uma maneira simples, ele seria a

44:50

antecipação mental de ações materiais,

44:56

tá? Mas o outro ali também tinha um

44:58

planejamento mental, certo?

45:01

Tudo que a gente faz tem um planejamento

45:03

mental, só que nós, como seres humanos,

45:06

conseguimos realizar na nossa cabeça

45:11

esse planejamento

45:13

a partir

45:15

dos conhecimentos que a gente tem.

45:18

E esse planejar já é uma expressão de

45:22

trabalho humano, né? Trabalho é sempre

45:24

humano, mas a expressão de do trabalho.

45:28

Vamos tentar dar mais exemplos, né?

45:32

Nós entendemos o mundo, cada indivíduo

45:37

entende o mundo, a realidade, por meio

45:39

de uma representação mental dela,

45:43

tá? Então essa teoria, a teoria marxista

45:46

vai entender que a realidade existe, não

45:50

só a marxista, né? todo o materialismo

45:52

vai entender que a realidade existe, ela

45:55

existe materialmente,

45:57

independente da gente

46:01

compreender e atuar nela,

46:04

a gente como ser humano. Então, o que

46:06

acontece? Existe a realidade, as coisas

46:09

existem. Mas pra gente entender isso que

46:12

é a realidade, a gente faz uma

46:15

representação mental dessa realidade,

46:18

que é a gente pensando sobre a realidade

46:21

mesmo, né? Esse processo de

46:25

representação, de criar essa

46:27

representação, de torná-la cada vez mais

46:30

complexa, também é uma forma de

46:33

trabalho,

46:36

tá? Por isso que o ser humano tá sempre

46:38

trabalhando, porque ele tá sempre

46:39

tentando explicar a realidade de alguma

46:42

forma, né? E essa e e esse processo

46:46

também é uma expressão do trabalho.

46:51

Aqui para criar essa representação de

46:53

mundo, representação mental do mundo, a

46:56

gente recorre a várias coisas. Uma

47:00

delas,

47:03

que a gente pode chamar genericamente de

47:04

ciência, é o conhecimento sobre as

47:07

características do mundo real. Então, o

47:10

mundo real ele existe, como eu comentei,

47:12

né? As coisas existem e elas têm

47:15

características, propriedades, né? A

47:18

gente estuda muitas propriedades em

47:20

química, em biologia.

47:23

Então, o conhecimento sobre essas

47:24

propriedades, que é o conhecimento da

47:27

ciência,

47:29

é o que uma das coisas, né, que nos

47:31

permitem construir essa representação de

47:34

mundo, tá? Que mais nos permite

47:37

construir uma representação de mundo? Um

47:41

processo que a gente vai chamar aqui de

47:43

valorização.

47:45

Vocês vão encontrar valoração também,

47:47

mas acho que valorização é o melhor,

47:52

que é você,

47:54

né, literalmente é atribuir valor, mas

47:58

valor pode ser correto, incorreto, bem,

48:00

mal, bom, ruim, né? Esses são valores

48:07

que se a gente for dar um um uma

48:11

categoria para isso, seria a categoria

48:13

da ética.

48:14

Então a nossa visão, a nossa

48:16

representação mental da realidade, ela

48:19

não é uma representação, entre aspas,

48:21

pura da realidade. Ela é resultado de um

48:24

processo interno nosso, que depende

48:28

também de questões éticas.

48:32

Lembrando, né, a diferença entre ética e

48:34

moral, né, tem a questão do

48:36

comportamento, a questão das condutas

48:38

sociais, tudo isso tá voltado aqui.

48:42

Nós também

48:45

para construir a representação mental do

48:47

mundo,

48:49

a gente usa símbolos,

48:52

que aqui a gente pode colocar como a

48:53

arte, né, em geral,

48:56

né, mas não no sentido de educação

48:57

artística, mas no sentido de que nós eh

49:02

operamos por meio de símbolos, de

49:04

simbolizações. E e não precisa ser um

49:06

símbolo escrito. Existem coisas

49:08

simbólicas que são místicas, né, são

49:14

verbais, enfim, né?

49:17

Então, essas três, esses três aspectos,

49:20

eles é o é o que permite que a gente

49:23

construa a nossa representação de mundo,

49:26

mesmo que a gente não saiba, tá?

49:29

Mas sim,

49:32

e além disso, o VGTK principalmente vai

49:34

trazer que o a linguagem humana, né, é o

49:40

que possibilita que esse processo

49:43

ocorra. ele medeia esse processo. Então,

49:46

a gente se comunica pela linguagem, mas

49:49

existe uma linguagem interna que a gente

49:51

não sabe, né, como é, que permite essa

49:55

representação mental da realidade.

49:59

Isso quer dizer o quê? que para

50:00

construir uma representação mental mais

50:03

objetiva, mais próxima da realidade, né,

50:07

a gente precisa se apropriar dos

50:09

conhecimentos científicos, de aspectos

50:12

éticos, artísticos, linguísticos.

50:16

E tudo isso vai transformando a nossa

50:20

representação da realidade.

50:23

Então, uma criança, ela tem uma

50:25

representação do mundo muito diferente

50:28

da nossa.

50:30

Tem aqueles exemplos clássicos, né, da

50:32

gente se esconde aqui, né, com a mão e e

50:36

a criança, né,

50:39

entende que a gente não está mais lá,

50:41

né? E tem gente que ainda vai ter

50:42

coragem de dizer que a criança é burra.

50:44

Não é que a criança é burra, né? Que a

50:46

representação de que ela tem das pessoas

50:51

é pelo rosto. Se não há o rosto ou a

50:54

voz, né, ou algo que diga que aquela

50:55

pessoa, aquela pessoa não está,

50:58

né?

50:59

essa interpretação de mundo dela,

51:03

porque ela ainda tá desenvolvendo essa

51:05

essa representação.

51:07

Eh, as crianças, né, não vão entender

51:10

que existe conflitos nacionais, essas

51:13

coisas, né, porque elas, o mundo delas é

51:17

menor.

51:19

A representação mental da realidade

51:21

delas abarca um contexto menor. Só que

51:25

essa própria representação

51:28

da realidade também é resultado do

51:31

trabalho, só que não é não tem uma

51:34

transformação

51:36

de uma matéria, de um material em outro

51:38

material.

51:40

Por isso que a gente vai chamar esse

51:41

trabalho de não material,

51:45

que não tem, é tudo na esfera do

51:47

pensamento que tá rolando aqui,

51:50

certo?

51:53

Mas os dois são trabalho produtivo. Um

51:56

vai produzir novos materiais e o outro

51:59

vai produzir representações mentais da

52:01

realidade,

52:03

tá?

52:05

Desses dois, a educação estaria onde? No

52:08

trabalho material ou não material?

52:14

>> Não material.

52:16

>> Não material.

52:19

Então, ao dizer que nós queremos

52:21

desenvolver o trabalho produtivo, a

52:24

gente tem que entender que o que a gente

52:25

quer desenvolver no final, né, se a

52:28

gente fosse resumir,

52:30

desenvolver a representação mental da

52:32

realidade que os estudantes têm, que os

52:34

estudantes produzem. É simples, não, né?

52:40

Pode falar, Mateus.

52:42

>> Mas não poderia dizer que se enquadra

52:45

tanto num quanto no outro? já que numa

52:49

discussão aí passada nessa no início ali

52:53

teve que a educação está

52:58

tanto no no institucional na instituição

53:03

quanto fora dela.

53:05

>> Uhum.

53:05

>> Então não podemos dizer que é que a

53:07

educação tá tanto num quanto no outro,

53:10

>> não? Porque

53:13

mesmo que seja fora da escola, o

53:16

processo de aprender envolve um trabalho

53:20

mental e não a transformação de um

53:23

material em outro material.

53:27

>> Ah, sim, entendi.

53:28

>> Obrigado.

53:30

Então, o que que vai acontecer aqui?

53:32

esqueci dessa linha ali.

53:34

Lá no trabalho material, eu destaquei o

53:37

processo de objetivação,

53:40

que era, né, a impressão do trabalho

53:43

humano nos objetos.

53:46

Não é o único processo que ocorre, eu só

53:48

dei destaque para ele, tá?

53:50

Só que no trabalho não material, como

53:53

não vai ter essa produção do objeto

53:55

propriamente dito, né, como a gente

53:58

espera ali,

54:00

a gente vai fazer o processo inverso. A

54:02

gente vai pegar os objetos

54:05

e

54:07

como indivíduo a gente vai se apropriar

54:10

desses desse trabalho humano que estava

54:13

dentro do do objeto.

54:16

a gente vai se apropriar e tomar para

54:18

nós mesmo.

54:20

Vou reexplicar aqui.

54:24

Vamos supor aqui que o que a gente tá

54:26

tentando aprender, né, que que a gente

54:29

tá aqui num processo de aprendizagem,

54:32

é fazer um protocolo lá que todos vocês

54:36

já devem ter feito, algum protocolo de

54:38

separação de misturas, por exemplo. Daí

54:40

a gente vai lá e usa um quitassato, uma

54:43

bomba vácuo, um funil de business, papel

54:46

filtro, tudo isso são objetos do

54:49

trabalho humano.

54:52

Quando a gente aprende a técnica de

54:54

filtração,

54:56

se a gente aprender desse jeito que tá

54:57

escrito aqui, né, a gente vai conseguir

55:02

se apropriar de todo o trabalho

55:05

envolvido na produção daqueles

55:08

materiais.

55:11

Ou seja, a gente vai conseguir

55:13

só eh só não, né? Utilizando esses

55:17

materiais, compreender o que o ser

55:21

humano, né, os seres humanos que

55:23

produziram essa técnica pensaram para

55:26

produzir. Então, por que que o funil tem

55:30

eh os buraquinhos? Por que que o

55:32

quitassato tem aquele eh bocal do lado

55:36

para tirar o ar?

55:39

Então eu não preciso eu, como ser

55:41

humano,

55:43

descobrir a técnica de filtração por

55:46

minha conta. Alguém já fez isso para

55:48

mim? Não para mim, né? Alguém já fez

55:51

isso na história. O meu papel agora como

55:54

ser humano desse tempo é me apropriar

55:57

desse conhecimento

56:00

para poder fazer coisas novas. Porque se

56:03

a gente tivesse que toda vez reinventar

56:05

tudo, a gente nunca teria saído do

56:07

lugar.

56:08

Entendem? O que que esse termo

56:09

apropriação quer dizer? E por que que eu

56:12

disse apropriação correta?

56:15

Porque se a gente não, isso não fica

56:18

claro, né? Quando a gente aprende as

56:20

coisas, a gente não consegue entender

56:22

esse trabalho humano embutido ali,

56:26

a gente ainda precisa se dedicar mais à

56:29

apropriação,

56:31

né, desses objetos. E agora eu me

56:34

atentei para uma coisa que pode causar

56:35

confusão.

56:38

Quando eu falo objetos,

56:41

eu também posso me referir a objetos

56:44

culturais.

56:47

Por exemplo,

56:48

a escrita, o alfabeto é um objeto, tá?

56:54

Por mais que ele não tenha, né, forma,

56:58

embora ele possa ter, né, a gente pode

56:59

esculpir as letras aqui, ele também é

57:02

um, ele é um objeto humano, ele tem, né,

57:06

o trabalho

57:08

colocado ali pra gente se apropriar, tá?

57:13

Então, se a gente pensar na palavra

57:15

objeto,

57:17

no modo geral, é tudo aquilo que foi

57:20

produzido por meio do trabalho humano,

57:23

tá? Então, uma pedra não é um objeto.

57:26

O objeto ele tem que, ele foi produzido,

57:30

tá bom?

57:33

Só que dentro do não material, que é

57:35

onde a educação está, a gente tem mais

57:38

duas divisões aqui,

57:41

que é um processo de trabalho não

57:45

material, onde o produto desse trabalho

57:49

se separa do produtor.

57:55

E aqui a gente pode ter como exemplos

57:57

livros, artigos, obras artísticas. Então

58:01

o que acontece? Não há uma transformação

58:03

da matéria-prima. Não é o caso de eu ir

58:05

lá tirar o eucalipto e produzir o papel

58:11

que vai dar os livros, né, ou os

58:13

artigos. Não é eu produzir a tela,

58:16

produzir a tinta, não é isso. É o

58:19

trabalho de a partir, né, desses

58:23

materiais que já existem

58:25

produzir algo que é não material. Então,

58:28

a obra artística, ela não é simplesmente

58:31

o material que está lá, ela transmite

58:34

outras coisas. E essas outras coisas

58:38

elas são não materiais, ela vai envolver

58:40

a valoração, a simbolização,

58:44

certo? No caso dos livros científicos

58:47

ecientíficos, o que ele vai trazer ali

58:49

são os conhecimentos científicos.

58:52

Não me importa, entre aspas, o material,

58:55

o produto que me interessa, é o

58:58

conhecimento que tá sistematizado ali,

59:02

certo? Por isso que são produtos do

59:05

trabalho não material,

59:09

só que ele se separou do produtor. Quem

59:12

produz o livro

59:14

faz o livro e o livro vai embora para

59:18

ser usado para outras pessoas. Quem

59:21

produz o artigo, deposita ele e ele,

59:24

entre aspas, né, vai embora para outras

59:26

pessoas. A obra artística, né, ela é

59:29

independente do pintor, né, por exemplo,

59:31

se for um quadro, né, o pintor morre, a

59:33

obra continua. Então, há uma separação

59:36

disso,

59:39

OK?

59:41

Então, e além disso, né, há o produtor

59:44

que faz o produto, estão separados, né,

59:48

e em outro processo, um outros seres

59:51

humanos vão se apropriar desse produto,

59:54

vão usar esse produto para construir ou,

59:59

né, melhorar a sua representação mental

1:00:02

da realidade. Então a gente não tem

1:00:05

contato, né, de quem tá usando o objeto

1:00:08

com quem produziu necessariamente.

1:00:12

Beleza?

1:00:14

E nós temos um eh o trabalho não

1:00:16

material onde não há essa separação.

1:00:21

O produto do trabalho, ele não se separa

1:00:25

do produtor, ele não gera algo

1:00:29

eh físico. Eu não quero dizer físico,

1:00:32

que possa ser digital, mas não gera algo

1:00:34

que possa ser transportado, né? Que

1:00:36

possa ser difundido para outras pessoas.

1:00:39

é algo próprio interno desse produtor,

1:00:45

como por exemplo, o próprio trabalho

1:00:47

educativo

1:00:49

ou outras formas de apropriação

1:00:51

cultural.

1:00:52

Então, quando os indivíduos realizam o

1:00:55

trabalho educativo,

1:00:57

o produto desse trabalho

1:01:00

é a representação mental da realidade.

1:01:04

E eu não posso

1:01:06

pegar essa representação mental da

1:01:08

realidade de outra pessoa.

1:01:11

Ela é minha representação mental. E

1:01:14

outras formas também de apropriação

1:01:16

cultural, né? ou seja, aprender formas,

1:01:19

outras eh linguagens ou línguas,

1:01:23

né, enfim, outras técnicas, por exemplo,

1:01:26

um esporte, né, também pode envolver o

1:01:29

trabalho educativo, né? Então,

1:01:33

aprender um um uma técnica é algo que eu

1:01:36

aprendo para mim. Eu me aproprio e

1:01:39

consigo desenvolver essa técnica. O

1:01:42

produto disso é eu conseguir desenvolver

1:01:44

a técnica. O produto do trabalho

1:01:46

educativo é a minha representação

1:01:48

mental,

1:01:50

entende? Ele não se separa de mim.

1:01:53

Consegue entender?

1:01:57

Mas ah, você tá falando, né? Você tá

1:02:00

mostrando o produto

1:02:03

do trabalho educativo seu. Sim. Só que

1:02:06

quando a gente fala já não é mais o

1:02:08

produto, já é outra coisa,

1:02:12

tá?

1:02:14

É como falar da garrafa e usar a

1:02:16

garrafa. São coisas diferentes.

1:02:20

OK?

1:02:24

Vocês estão a entendendo?

1:02:28

Tá. Então tá.

1:02:32

Então, a gente define o trabalho

1:02:35

educativo

1:02:37

como um trabalho não material

1:02:41

que não se separa do produtor,

1:02:46

certo?

1:02:49

Então, tá?

1:02:51

E daí a gente tem a natureza do processo

1:02:53

educativo enquanto trabalho humano, que

1:02:55

também tá lá nas perguntas, eu acho, né?

1:02:58

Uma dessas.

1:03:00

Então vamos lá. O trabalho educativo

1:03:05

é o trabalho não é uma expressão, é um

1:03:07

tipo de trabalho não material

1:03:11

no qual durante o qual não há separação

1:03:14

entre o produtor e o produto.

1:03:18

OK?

1:03:23

E o que que é esse produto de certa

1:03:25

forma, né? Como que se produz esse

1:03:28

produto interno?

1:03:30

É pela apropriação do que a gente chama

1:03:33

de cultura sistematizada.

1:03:40

Fiz uma pausa para ver se alguém querer

1:03:42

comentar alguma coisa. Cultura

1:03:45

sistematizada,

1:03:47

que é aquela cultura que está

1:03:50

sistematizada,

1:03:52

que a gente tem acesso a ela de forma eh

1:03:56

processual. a gente consegue obter essa

1:03:59

cultura. Não é algo espontâneo, não é

1:04:01

algo vivencial, é algo sistematizado,

1:04:05

tá?

1:04:07

E essa cultura sistematizada, ela está

1:04:10

sistematizada em produtos do trabalho

1:04:13

material, como tinha comentado,

1:04:17

mas também em produtos do trabalho não

1:04:18

material que se separam do produtor, tá?

1:04:22

que aí eu não coloquei. Então eu vou

1:04:24

voltar aqui nesse produtos de trabalho

1:04:26

material.

1:04:28

Então quando a gente usa isso aqui,

1:04:35

a gente está ou deveria estar, né, se

1:04:38

apropriando

1:04:40

de modos humanos

1:04:42

de se comunicar.

1:04:45

Por exemplo, tudo que tá aqui tá escrito

1:04:47

em português, no meu caso, né? Acho no

1:04:49

caso de todo mundo aqui. Então, para eu

1:04:51

conseguir usar isso aqui, eu preciso

1:04:53

falar português.

1:04:57

Se eu entrego esse celular para uma

1:04:58

pessoa que não fala português, qual é a

1:04:59

primeira coisa que ela vai tentar fazer?

1:05:07

configurar o dispositivo para pra

1:05:10

linguagem dela.

1:05:12

>> É, pra língua dela. Ela vai tentar mudar

1:05:14

o idioma, ela vai precisar ter acesso ao

1:05:18

que está aqui sistematizadamente.

1:05:22

Então aqui a gente pode reforçar o papel

1:05:25

da linguagem, né, no caso da língua.

1:05:29

Então a gente se apropria dessa cultura

1:05:31

que está nos produtos materiais.

1:05:34

E essa cultura vai fundamental, fomentar

1:05:37

o nosso desenvolvimento individual,

1:05:41

porque eu consigo melhorar minha

1:05:45

representação de mundo

1:05:48

e atuar diferente na sociedade.

1:05:53

OK? Essa frase é extremamente

1:05:56

ampla e genérica. Você vou tentar dar

1:05:59

exemplos.

1:06:02

Quando a gente estuda química e

1:06:06

biologia, o que a gente tá tentando no

1:06:08

fim das contas é se apropriar

1:06:14

dessa cultura sistematizada, do

1:06:16

conhecimento químico, conhecimento

1:06:18

biológico,

1:06:21

para conseguir explicar o mundo e atuar

1:06:24

nele, como químicos, como biólogos, como

1:06:28

jovens, como velhos, não sei como estão.

1:06:31

vão se classificando, né, como

1:06:33

brasileiros. Enfim, nós atuamos na

1:06:37

sociedade, na vida, com base naquilo que

1:06:41

a gente já apropriou de cultura,

1:06:45

tá?

1:06:48

E isso nos permite desenvolver,

1:06:50

desenvolver no sentido de melhorar essa

1:06:53

representação, tá? Isso que é

1:06:54

desenvolvimento nesse caso.

1:06:58

Então, quando vocês estão lá aprendendo

1:07:00

a mexer no microscópio,

1:07:04

agora que eu tô dando esses essas essa

1:07:06

explicação, imagine o microscópio. Isso

1:07:09

é mais pros biólogos, né?

1:07:12

Mas vou vou continuar no microscópio.

1:07:14

Vocês conseguem imaginar agora do que eu

1:07:16

falei? O que de trabalho humano está

1:07:20

presente naquele microscópio?

1:07:26

Quando você usa uma bureta para fazer

1:07:28

uma titulação,

1:07:30

você consegue entender que aquilo não é

1:07:32

só um

1:07:34

recipiente de vidro. Existe um monte de

1:07:38

trabalho humano colocado ali.

1:07:44

Consegue ou não consegue? Alguns

1:07:46

levantaram os dedos.

1:07:50

É isso que eu quero que vocês comecem,

1:07:52

né, a a entender. Então, quando eu

1:07:56

aprendo a usar a bureta para fazer uma

1:07:58

titulação,

1:08:00

eu não aprendi só a abrir e fechar uma

1:08:02

torneirinha. Eu aprendi ou me apropriei

1:08:06

o conhecimento necessário para entender

1:08:08

o que é uma titulação,

1:08:12

para que serve indicador, para que, né,

1:08:15

o a medida que tem ali no na bureta, a

1:08:19

graduação da bureta, para que que eu

1:08:21

faço aquilo, onde eu posso usar lá no

1:08:25

microscópio,

1:08:27

né, eu aprendo sobre, eu deveria

1:08:29

entender, né, sobre a ampliação das

1:08:33

lentes, o que as lentes fazem, por que

1:08:35

que tem a luz que vem de baixo? Por que

1:08:37

que eu abro ou fecho mais ou menos o

1:08:39

diafragma?

1:08:41

O que que significa focar, né, ou

1:08:44

focalizar, que eu tenho lá as as

1:08:46

graduações para fazer isso.

1:08:48

>> Por que que tem diferentes tipos de

1:08:50

microscópios com diferentes materiais

1:08:52

para conseguir observar melhor ou pior?

1:08:56

>> É sim, diferente. Ali falando do ótico,

1:08:59

né, que normalmente o que a gente usa,

1:09:00

mas existem outros equipamentos.

1:09:03

Tá? Então quero que vocês comecem a

1:09:04

tentar pensar um pouco nisso também, tá?

1:09:07

Não, não de imediato.

1:09:10

Então o produto que é, né, essa essa

1:09:14

melhora na representação mental,

1:09:18

a gente pode usar um termo mais

1:09:20

específico que são transformações

1:09:23

psíquicas,

1:09:25

transformações na estrutura psíquica do

1:09:28

indivíduo.

1:09:30

E essas transformações

1:09:33

elas permitem a formação de uma segunda

1:09:36

natureza. Eu não gosto muito desse

1:09:38

termo, mas ele aparece segunda natureza,

1:09:41

que é a natureza humana,

1:09:44

OK? Então a gente vai se tornando ser

1:09:47

humano durante o desenvolvimento

1:09:50

nosso, né, por meio das transformações

1:09:52

psíquicas que a gente

1:09:55

provoca por meio do trabalho.

1:09:59

E essas transformações, elas criam uma

1:10:01

segunda natureza. O que seria essa

1:10:03

segunda natureza? a gente acaba

1:10:05

naturalizando

1:10:07

processos culturais.

1:10:10

Por exemplo,

1:10:12

a leitura e a fala.

1:10:16

A gente não lembra muito bem, não sei se

1:10:18

tem gente que lembra ou não, mas

1:10:20

aprender a ler, principalmente a ler,

1:10:23

falar é mais fácil, mas aprender a ler é

1:10:25

um processo difícil pro indivíduo, né?

1:10:29

Coitado das pedagogas que precisam

1:10:30

ensinar a gente a ler.

1:10:32

Só que agora que a gente já sabe ler, a

1:10:35

gente não pensa mais sobre isso. A gente

1:10:38

lê. É natural ler para nós. Só que não é

1:10:43

uma natureza biológica. Não tava lá no

1:10:46

gene nosso, no gen g gen gen ler,

1:10:53

né? Como poderíamos interpretar, né? De

1:10:56

Pagê, por exemplo. Não tá lá. Código

1:10:59

genético não tem lá o coddons para cada

1:11:02

letrinha que você vai aprendendo, não

1:11:03

tem.

1:11:05

O que tem é a nossa base material. A

1:11:08

leitura é uma natureza cultural que fica

1:11:13

automática até certo ponto, né, na nossa

1:11:17

estrutura.

1:11:20

É ler em português, no caso, né? Se a

1:11:22

gente for pegar o denominador comum.

1:11:24

Aqui

1:11:26

o outro exemplo que os autores trazem,

1:11:28

que eu uso também, mas

1:11:31

mas a leitura é o exemplo mais marcante

1:11:33

ainda, eu acho, é aprender a dirigir ou

1:11:36

aprender a andar de bicicleta.

1:11:39

Também não é natural dirigir.

1:11:43

Natural é respirar, não dirigir.

1:11:46

Mas a gente aprende a dirigir. E

1:11:48

aprender a dirigir, eu acredito que para

1:11:51

todos não é um processo simples, fácil.

1:11:55

Você tá lá na autoescola tentando

1:11:57

aprender a dirigir, você precisa ficar

1:11:58

pensando em cada micromovimento que você

1:12:01

vai fazer

1:12:03

pro negócio sair do lugar e não morrer e

1:12:06

não atropelar ninguém.

1:12:09

Só que chega um momento em que você

1:12:10

torna isso automático, natural. a gente

1:12:14

usaria esse termo. Só que é uma natureza

1:12:17

cultural dirigir, não é algo biológico

1:12:21

dirigir.

1:12:23

Só que a gente deixa isso automático, a

1:12:25

gente automatiza. Então, a ideia do

1:12:28

processo educativo é que a gente consiga

1:12:30

pegar o conhecimento científico

1:12:34

e torne ele natural para nós, a gente

1:12:37

consiga pensar o mundo de forma

1:12:39

científica,

1:12:42

que a gente tenha, né, se aproprie

1:12:44

dessa, a gente crie essa segunda

1:12:47

natureza nossa de pensar cientificamente

1:12:52

e agir cientificamente no mundo.

1:12:56

conseguiram entender?

1:13:01

Tá? Quero ver, hein?

1:13:03

Então aqui a gente tem

1:13:05

a possibilidade de estabelecer a relação

1:13:08

entre a educação e o ensino, que é algo

1:13:10

que a gente já falou, né, há algum

1:13:12

tempo.

1:13:15

Então, a educação é esse processo geral,

1:13:18

bem geral, né,

1:13:21

que tem como função eh que os as pessoas

1:13:25

que estão envolvidas nesse processo

1:13:27

educativo

1:13:29

se apropriem da cultura sistematizada.

1:13:32

Tá? O que que vamos dar? Outros exemplos

1:13:34

de cultura sistematizada

1:13:38

que às vezes, né, a gente acha que a

1:13:40

cultura sistematizada é é a ciência lá,

1:13:44

né, que a gente tira da biblioteca, mas

1:13:47

não, né?

1:13:48

Por exemplo,

1:13:50

eh, existem formas de sistematização

1:13:56

que seriam, de certa forma populares, se

1:13:58

a gente pudesse usar esse termo. Por

1:14:00

exemplo, livros de receita,

1:14:02

que eu acho que é uma coisa que não

1:14:04

existe mais,

1:14:06

né? Então, a gente procura tudo na

1:14:09

internet, né? a gente não precisava, não

1:14:11

precisa mais ir lá nos livros que os

1:14:14

nossos avós, nossas mães talvez tinham

1:14:18

para produzir, né, o alimento daquela

1:14:21

forma. Aquilo também é cultura

1:14:23

sistematizada porque ela tá escrita ali,

1:14:27

tá? Então, a diferença entre cultura

1:14:30

sistematizada e não sistematizada não é

1:14:32

ser algo científico do no nessa questão

1:14:37

de ser da universidade, ser da escola.

1:14:40

Ser sistematizada é estar sistematizada,

1:14:43

estar escrito, organizado e que uma

1:14:45

pessoa pode aprender usando aquilo, né?

1:14:49

pode ser transmitida a cultura por meio

1:14:52

daquilo. Rituais, por exemplo, pode ser

1:14:54

considerado uma forma de cultura

1:14:56

sistematizada,

1:14:58

popular, né, normalmente.

1:15:03

Mas voltando aqui ao ensino, né, a

1:15:05

relação, a educação é esse processo

1:15:07

genérico e o ensino

1:15:11

é a parte, né, o de vai descrever o que

1:15:16

o indivíduo mais desenvolvido

1:15:20

culturalmente

1:15:22

vai possibilitar pro menos desenvolvido

1:15:25

se apropriar dessa cultura.

1:15:28

Então, a gente não se apropria da

1:15:30

cultura sozinho

1:15:34

e não se apropria da cultura de uma

1:15:36

maneira arbitrária, empírica.

1:15:40

Empírico significa de experimentação

1:15:43

ingênua, sem querer.

1:15:47

É preciso um processo intencional para

1:15:49

que isso ocorra.

1:15:52

E para fazer isso acontecer, existem

1:15:55

técnicas, existem conhecimentos

1:15:57

específicos para isso. Isso é o ensino,

1:16:02

é organizar o processo

1:16:05

para que alguém aprenda. E a educação é

1:16:08

o processo genérico

1:16:10

de apropriação da cultura. Então, o

1:16:15

ensino ele vai est muito mais eh

1:16:18

presente na educação formal, na educação

1:16:20

institucionalizada, na escola,

1:16:23

mas nem sempre, né, quando

1:16:27

não há tanto tempo atrás, em algum em

1:16:29

alguns lugares, né, o pai ensina a

1:16:32

profissão pro filho, ele tá ensinando,

1:16:37

né, ele ele tem seus métodos ali de

1:16:39

ensino que podem ser discutidos, mas ele

1:16:42

tem, né, uma organização de ações. Isso

1:16:46

é o ensino de maneira geral.

1:16:49

Eh, mas obviamente como a gente atua na

1:16:52

escola é o ensino escolar, então ele é

1:16:55

um ensino característico, tem suas

1:16:58

técnicas e teorias.

1:17:00

Ah, já coloquei aqui, né? Então, lendo

1:17:03

aqui, educação é o processo geral de

1:17:05

formação humana por meio do trabalho

1:17:06

educativo

1:17:08

e o ensino é a organização desse

1:17:10

processo educativo. Aqui eu coloquei

1:17:13

pelo professor, mas a gente poderia usar

1:17:15

pelo indivíduo mais desenvolvido

1:17:18

com objetivo de promover a a

1:17:20

aprendizagem

1:17:21

dos indivíduos menos desenvolvidos.

1:17:24

E daí quando a gente usa mais

1:17:26

desenvolvido e menos desenvolvido,

1:17:28

as pessoas se sentem muito

1:17:30

desconfortáveis com esse termo.

1:17:33

Não sei se alguém aqui se sentiu assim,

1:17:37

mas é isso mesmo, gente. Tá?

1:17:40

Existem pessoas, né, que historicamente

1:17:45

já tiveram acesso à cultura.

1:17:49

Então, em termos culturais, daquele

1:17:52

escopo cultural, ela é mais desenvolvida

1:17:54

do que as pessoas que ela tá ensinando.

1:17:57

É impossível você ensinar,

1:18:01

você fazer esse processo se não tiver

1:18:03

essa diferença de desenvolvimento

1:18:06

em relação à cultura que está sendo

1:18:09

discutida no processo educativo.

1:18:11

Então precisa dessa diferença aqui, n o

1:18:15

indivíduos mais desenvolvidos

1:18:18

organizando o processo, né, de ensino e

1:18:21

aprendizagem dos menos desenvolvidos,

1:18:25

tá? Não precisa ficar desconfortável,

1:18:27

não é demeritório, nada do tipo, é assim

1:18:29

mesmo.

1:18:31

OK?

1:18:36

E a gente entra então num tema que é

1:18:39

muito mal compreendido às vezes, que é o

1:18:41

trabalho como princípio educativo.

1:18:46

Também tem uma pergunta sobre isso ali,

1:18:48

né? Tinha. Então o trabalho é tudo

1:18:51

aquilo que a gente já discutiu, né? Ação

1:18:54

intencional planejada do ser humano, que

1:18:56

pode ser material e não material.

1:18:59

Ao dizer eh que a gente entende o

1:19:02

trabalho como princípio educativo, a

1:19:05

gente tá querendo dizer que a educação

1:19:07

é um tipo de trabalho humano.

1:19:12

E para aprender,

1:19:16

para ensinar e aprender, a gente precisa

1:19:18

realizar trabalho, né? O trabalho

1:19:22

educativo vai envolver atividade de

1:19:25

ensino, né? E atividades de

1:19:27

aprendizagem.

1:19:29

dentro desse trabalho.

1:19:32

Outra coisa que a gente tá dizendo, tá

1:19:34

colocado nessa frase e a gente pode não

1:19:38

entender que o trabalho educativo

1:19:42

existe, a educação existe, porque os

1:19:45

seres humanos de hoje, da nossa

1:19:49

sociedade,

1:19:51

necessitam de um processo intencional de

1:19:54

apropriação cultural para se

1:19:57

desenvolver.

1:19:59

Então essa apropriação da cultura é uma

1:20:02

necessidade humana que foi criada pelos

1:20:05

seres humanos, mas ela é uma

1:20:07

necessidade,

1:20:09

ela tá colocada hoje para você, para um

1:20:12

qualquer indivíduo do planeta entender o

1:20:15

que tá acontecendo no planeta, ele

1:20:17

precisa se apropriar da cultura

1:20:19

sistematizada, senão ele não vai

1:20:21

entender. Ele precisa

1:20:24

saber ler, escrever, pelo menos a sua

1:20:26

língua materna. Você vai entender as

1:20:29

expressões matemáticas, né, do do mundo,

1:20:33

conhecimento científico em geral,

1:20:37

sobre ética, né, e moral, sobre

1:20:41

simbolismos. Ele precisa disso porque

1:20:43

senão não consegue compreender e atuar

1:20:46

livremente no mundo. É isso que tá

1:20:48

dizendo essa frase aqui.

1:20:51

E a gente também tá reforçando que a

1:20:54

objetivação da cultura

1:20:57

e a apropriação também da cultura,

1:21:00

poderia colocar aqui,

1:21:02

não são processos naturais, são

1:21:05

processos

1:21:07

sociais no ser humano, tá?

1:21:10

Então, não existe um processo natural de

1:21:12

transformação de matériapra num produto

1:21:16

e a apropriação da cultura não é um

1:21:20

processo natural,

1:21:23

tá?

1:21:25

Não é, é um processo social.

1:21:29

Então, a apropriação, aqui eu pus

1:21:30

apropriação, né? Eu vou corrigir. A

1:21:32

apropriação

1:21:34

não é espontânea, ou seja, ela não

1:21:36

ocorre ao acaso.

1:21:39

Ela precisa ser sistemática.

1:21:42

Então ela vai envolver a ação

1:21:44

intencional

1:21:45

das pessoas que estão no processo

1:21:49

sobre os produtos culturais, que são

1:21:52

produtos humanos, né,

1:21:54

com o objetivo de promover o

1:21:57

desenvolvimento de uma segunda natureza,

1:21:59

que é a natureza cultural.

1:22:02

Certo?

1:22:05

De novo,

1:22:07

então, a apropriação da cultura não é

1:22:09

espontânea.

1:22:11

A apropriação da cultura, ela é feita em

1:22:14

um processo sistemático

1:22:17

e intencional

1:22:20

que atua sobre os produtos humanos da

1:22:23

cultura, materiais e não materiais.

1:22:27

E o objetivo dessa apropriação é

1:22:31

desenvolver naquele indivíduo uma

1:22:33

segunda natureza que recebe esse nome,

1:22:37

porque não é a natureza biológica que

1:22:39

todos já têm, é a natureza cultural

1:22:43

que precisa ser apropriada pelos

1:22:46

indivíduos.

1:22:48

OK?

1:22:50

E aqui a gente responde a pergunta lá no

1:22:52

início. Então, a natureza humana ela não

1:22:54

é dada e inata. a gente não nasce com

1:22:58

ela, com essa segunda natureza humana.

1:23:00

1:23:02

ela é produzida pelos indivíduos,

1:23:05

pelos seres humanos, com base no na

1:23:09

natureza natural. natureza natural, vale

1:23:13

o a cacofonia, né, que eu coloquei na

1:23:16

base biofísica,

1:23:18

mas ela eh não é

1:23:23

não está presente no DNA, por assim

1:23:25

dizer, colocando em outros termos, né?

1:23:27

Ela não é

1:23:29

não é que o indivíduo humano ele vai

1:23:31

desenvolver, se desenvolver

1:23:33

biologicamente, vai se apropriar dessa

1:23:35

cultura como um uma expressão, né, do

1:23:38

código genético, não é assim. que

1:23:41

funciona. OK, pode falar, Joel.

1:23:45

>> Eh, só uma pergunta sobre a apropriação

1:23:47

ali para ver se eu entendi mesmo. Eh,

1:23:50

então o ser humano para ele eh ele para

1:23:53

ele ser, digamos, produzir a sua

1:23:55

cultura, né, ele tem que se apropriar da

1:23:58

cultura pré-existente para produzir a

1:24:00

sua própria. Seria isso?

1:24:03

>> É, a cultura é social, tá?

1:24:06

É melhor pensar a cultura como uma

1:24:09

expressão da sociedade,

1:24:11

mas é isso.

1:24:14

Pra gente produzir a nossa representação

1:24:18

mental da realidade

1:24:21

e as formas de atuar nessa realidade, a

1:24:24

gente se apropria de conhecimentos

1:24:27

sistematizados, de culturas

1:24:29

sistematizadas

1:24:31

anteriores.

1:24:33

E daí a partir dessa a gente pode atuar

1:24:36

e produzir a cultura do nosso tempo,

1:24:41

se for o caso, né?

1:24:44

OK.

1:24:46

Tá bom.

1:24:49

Então,

1:24:52

oi, que eu fiz? O que é o trabalho

1:24:54

educativo? Reparem que a gente saiu da

1:24:57

página um paraa página dois do texto,

1:24:59

né? Em 1 hora e meia.

1:25:04

Vai tudo bem?

1:25:06

Essa frase o Saviana escreveu, todo

1:25:08

mundo repete, tatua e etc. Mas tá aí. O

1:25:11

trabalho educativo

1:25:13

é o ato de produzir direta e

1:25:16

intencionalmente em cada indivíduo

1:25:19

singular a humanidade que é produzida

1:25:22

histórica e coletivamente pelo conjunto

1:25:24

dos homens.

1:25:28

Entenderam essa frase?

1:25:38

Sim ou não?

1:25:40

Sim. Joel não.

1:25:44

O do sí. Sim. O outro Joel também não.

1:25:48

Então vamos lá. Vamos. Essa frase é o

1:25:51

resumo de tudo que eu falei. Vamos lá.

1:25:54

Vamos lá, Gabriel. Vamos lá.

1:25:57

O que que significa, né? eh

1:26:02

esse pedacinho, né, final. A humanidade

1:26:06

que é produzida histórica e

1:26:07

coletivamente pelo conjunto dos dos

1:26:09

homens. Significa que

1:26:13

para a gente se desenvolver como

1:26:16

indivíduo,

1:26:18

a gente se apropria da cultura

1:26:22

produzida anteriormente.

1:26:26

Tudo bem?

1:26:29

OK? É isso que quer dizer.

1:26:34

E o trabalho educativo

1:26:37

é o ato, ou seja, as ações

1:26:41

para que o indivíduo consiga se

1:26:44

apropriar dessa cultura.

1:26:47

Isso é o trabalho educativo. Então

1:26:49

precisa de pessoas pensando esse

1:26:52

processo, dirigindo esse processo com a

1:26:55

intenção de que cada indivíduo se

1:26:59

aproprie da cultura humana produzida.

1:27:04

E daí o que que ele tá jogando aí de

1:27:06

palavras é aquela questão de que essa

1:27:08

produção é interna. Então, quando o

1:27:11

indivíduo se apropria da cultura e

1:27:15

produz internamente

1:27:17

lá pelo trabalho não material, sua

1:27:20

representação de mundo, ele tá

1:27:22

produzindo aqui na cabeça dele

1:27:25

tudo que a humanidade produziu histórico

1:27:28

e coletivamente. Tudo é exagero, né? Mas

1:27:30

o que a humanidade produziu histórico e

1:27:33

coletivamente, ou seja, ele vai se

1:27:35

desenvolvendo e se tornando cada vez

1:27:38

mais genérico, cada vez mais humano, né,

1:27:43

entre entre aspas aqui, né, no sentido

1:27:47

cultural. Então, qual que seria o

1:27:49

objetivo final, assim, se a gente fosse

1:27:51

pensar no processo educativo perfeito,

1:27:55

que todas as pessoas do planeta, como

1:27:58

indivíduos singulares,

1:28:00

se apropriassem de toda a cultura humana

1:28:02

já produzida.

1:28:04

Esse seria o ideal, o esperado.

1:28:08

Só que, gente, a gente mal consegue se

1:28:10

apropriar de uma parte, né? Quanto mais

1:28:13

de tudo. Então, o que que a gente

1:28:16

precisa fazer?

1:28:18

primeiro ou, né, junto com a com

1:28:22

processo de ensino, é identificar

1:28:26

quais objetos culturais,

1:28:29

qual parte da cultura sistematizada

1:28:33

precisa efetivamente ser apropriada

1:28:35

pelos indivíduos para que eles se tornem

1:28:39

humanos, né, para que eles

1:28:42

consigam participar efetivamente da

1:28:45

sociedade na qual vivem.

1:28:48

Certo?

1:28:50

Vou dar um exemplo que me veio agora. Se

1:28:53

ficar ruim, vocês me digam. Todas as

1:28:56

línguas que existem no planeta são

1:28:58

objetos culturais, correto? Português,

1:29:01

espanhol, russo, mandarim, tupiguarani,

1:29:05

línguas que eu não sei nem o nome. Ou

1:29:08

seja, são produtos humanos. a humanidade

1:29:12

produziu.

1:29:14

Só que para eu conseguir viver

1:29:17

de maneira adequada, né, na sociedade,

1:29:21

eu não preciso conhecer todas essas

1:29:24

línguas,

1:29:26

porque se precisasse também já era, né?

1:29:29

Impossível.

1:29:32

Então, na hora de pensar

1:29:35

qual eh quais objetos culturais são

1:29:39

necessários para os indivíduos

1:29:40

brasileiros se desenvolverem, a gente

1:29:43

pensa automaticamente na língua

1:29:45

portuguesa ou na língua brasileira de

1:29:47

sinais, né?

1:29:49

A gente não se preocupa com outros

1:29:50

objetos da língua.

1:29:53

Ah, não. Mas daí a gente pode pensar,

1:29:55

não, no mundo de hoje, como a gente mora

1:29:57

perto da fronteira, é necessário que nós

1:30:01

saibamos falar espanhol.

1:30:03

Então, esses objetos culturais, esse

1:30:05

objeto cultural vai ser necessário para

1:30:08

aqueles indivíduos. Não precisamos

1:30:12

compreender, né, os os povos

1:30:14

tradicionais da da região. Então vamos

1:30:16

falar Tupi Guarani. Precisamos falar no

1:30:19

mundo inteiro, então precisamos aprender

1:30:21

inglês por enquanto, né? Antes era o

1:30:25

francês, por exemplo. Então a

1:30:27

identificação desses objetos vai

1:30:29

depender de qual sociedade, de qual

1:30:32

tempo, né, de como aquela sociedade

1:30:35

vive. Se a gente for pensar nos artesãos

1:30:38

da Idade Média, os objetos culturais

1:30:40

importantes eram a profissão. Tanto é

1:30:43

que a maioria das pessoas da Idade Média

1:30:46

eram analfabetas.

1:30:48

Graças a isso, nós temos as várias

1:30:50

línguas. Se todo mundo soubesse falar

1:30:53

latim e falasse latim o tempo todo,

1:30:55

provavelmente a gente estava falando

1:30:56

latim até hoje.

1:30:58

Então, naquela época saber a gramática,

1:31:01

né, que era como eles chamavam, não era

1:31:03

importante pros indivíduos.

1:31:07

ou paraa massa, né, trabalhadora em

1:31:09

geral, né, particular. Então, a

1:31:13

identificação desses objetos faz parte

1:31:16

do trabalho educativo,

1:31:18

tá? vocês precisam conseguir responder

1:31:22

ou conseguir pelo menos ter uma

1:31:24

explicação para vocês do por vocês, como

1:31:29

futuros ou não, né, mas em formação com

1:31:32

professores de química e biologia

1:31:35

vão ensinar aquelas coisas, aquelas

1:31:38

coisas que estão ensinando são

1:31:40

essenciais para indivíduo viver em

1:31:42

sociedade?

1:31:46

A resposta tem que ser sim e a gente tem

1:31:49

que conseguir explicar como,

1:31:52

tá?

1:31:54

OK. Então essa é um papel importante do

1:31:57

trabalho educativo.

1:32:00

E a segunda parte que não vai vir da

1:32:03

cultura sistematizada, então veja que os

1:32:05

objetos culturais que a gente ensina,

1:32:09

boa noite,

1:32:11

a eles já tão sistematizados na cultura.

1:32:14

A gente vai identificar quais são os

1:32:16

essenciais,

1:32:18

né?

1:32:19

Ah, aqui eu não mudei, só que aqui nesse

1:32:22

quadradinho azul que eu vou mudar

1:32:25

daqui a pouco, é, a gente precisa também

1:32:28

agora, como pessoas, professores, né,

1:32:32

docentes que vão ensinar alguém,

1:32:35

identificar

1:32:37

quais as melhores formas

1:32:41

de provocar essa apropriação nas

1:32:43

pessoas,

1:32:46

certo? Então, objeto cultural ele existe

1:32:49

para ele ser apropriado, eu preciso de

1:32:51

um processo intencional que dirija

1:32:55

o aluno para essa apropriação.

1:32:59

Como que eu faço isso?

1:33:01

Essa é a segunda dimensão do trabalho

1:33:03

educativo.

1:33:05

Então, a primeira é identificar os

1:33:07

objetos e a segunda identificar

1:33:11

qual a melhor forma de provocar

1:33:14

apropriação por parte dos estudantes.

1:33:18

OK? Vamos falar um pouquinho mais disso.

1:33:21

Então, a identificação dos objetos

1:33:23

culturais vai envolver o quê?

1:33:27

Distinguir. A gente precisa conseguir

1:33:30

distinguir entre o que é essencial,

1:33:34

ou seja, o que é imprescindível pro que

1:33:37

uma pessoa saiba,

1:33:40

o que é fundamental, o que é principal,

1:33:42

né?

1:33:43

E aquilo que é secundário,

1:33:46

aquilo que é acidental, aquilo que eu

1:33:47

posso aprender

1:33:50

de outras formas,

1:33:52

seria o acidental, que é secundário, ou

1:33:55

seja, é um detalhe, é algo que se eu

1:33:57

souber,

1:33:59

tudo bem, eu vou, né, estar mais

1:34:01

enculturado, mas ele não é fundamental.

1:34:05

Mesma coisa, algo que é acessório, né?

1:34:07

Algo que não é aquilo que é o principal.

1:34:10

E a gente precisa conseguir fazer essa

1:34:12

distinção, tá? Não vai ter um manual,

1:34:16

bom, pode considerar o livro didático,

1:34:18

mas enfim, não tem um isso escrito em

1:34:21

pedra, né? A a sociedade tem que

1:34:25

determinar isso. E dentro da pedagogia

1:34:28

histórico-crítica,

1:34:29

o Saviane vai usar o termo de clássico

1:34:32

para dizer o que é essencial. que é

1:34:36

essencial é aquilo que é clássico,

1:34:41

certo? Então, um o conhecimento

1:34:45

clássico, a cultura clássica aqui nesse

1:34:47

contexto é o que

1:34:50

se consolidou na história como essencial

1:34:53

em dado tempo histórico. Então, o que é

1:34:56

essencial hoje para uma para um

1:34:59

estudante?

1:35:01

Língua, né, matemática, ciências, tã.

1:35:05

Então isso se tornou se firmou

1:35:07

essencial.

1:35:09

O que que a gente eh tem que

1:35:12

compreender, né, que o que a gente vai

1:35:15

ensinar lá no trabalho, no no processo

1:35:18

educativo é o saber sistematizado.

1:35:21

Mas nem tudo que está sistematizado é

1:35:24

clássico,

1:35:26

certo? Como eu falei, o latim, por

1:35:28

exemplo,

1:35:30

embora a gente chama isso de língua

1:35:31

clássica, ele não é clássico pra gente

1:35:35

sobreviver na sociedade. A gente não

1:35:37

precisa saber falar latim. Saber falar

1:35:40

latim é secundário,

1:35:42

acessório,

1:35:44

né? No geral tô falando, né? Claro que

1:35:47

vai ter profissões, por exemplo, que

1:35:49

isso é essencial. Então, tá vendo como o

1:35:51

que é essencial? Ele vai mudar, né, de

1:35:53

acordo com o que que eu quero fazer. Por

1:35:55

isso que o processo tem que ser

1:35:57

intencional.

1:36:00

Então, esse saber sistematizado,

1:36:03

saber clássico, diga Jeferson,

1:36:08

professor, com relação ao que é

1:36:09

essencial e o que é não essencial,

1:36:12

digamos assim, eu gostaria de fazer dois

1:36:14

questionamentos

1:36:16

com relação a algumas coisas que eu

1:36:17

observei. Eh, por exemplo, no primeiro,

1:36:20

no livro ele mencionava de atividades

1:36:24

que estariam tomando o lugar do que é

1:36:27

essencial,

1:36:29

como

1:36:30

eh, por exemplo, a semana, eh, no texto,

1:36:32

ele menciona, por exemplo, a semana da

1:36:34

bandeira e coisas assim que eram

1:36:36

atividades que deveriam ter um cunho de

1:36:38

apoio a o que é essencial, a história,

1:36:42

por exemplo, mas estavam tomando lugar.

1:36:45

Daí eu tenho um questionamento sobre,

1:36:47

por exemplo, no PIBID, nós vimos muitos

1:36:49

alunos da formação docente trabalhando

1:36:53

em um cartaz sobre o carnaval.

1:36:56

Era um cartaz que tinha informações

1:36:58

históricas de origem, objetivos e tudo

1:37:02

mais. E com complemento a isso, por

1:37:05

exemplo, na na numa escola fundamental

1:37:08

aqui da cidade, as crianças foram

1:37:09

fantasiadas, sabe?

1:37:12

Primeiro seria esse questionamento.

1:37:16

Eu queria saber por a que ponto eh uma

1:37:19

atividade como aquela do estudo do da

1:37:22

formação de docentes de estudar sobre o

1:37:25

tema, desenvolver um trabalho sobre o

1:37:26

tema,

1:37:28

se tornaria algo essencial ou estaria

1:37:31

tomando o tempo, digamos assim?

1:37:35

>> Tá,

1:37:37

não vai ter uma resposta clara para

1:37:38

isso, né? Vai depender também do que

1:37:42

cada pessoa acha essencial.

1:37:44

Mas a pergunta que a gente teria que

1:37:46

responder é para um brasileiro,

1:37:51

nós

1:37:53

é essencial que a gente compreenda

1:37:56

essa expressão cultural que é o carnaval

1:37:59

pra gente se entender a cultura

1:38:01

brasileira e essas, né, e a nossa vida

1:38:05

enquanto brasileiros.

1:38:09

Essa é a pergunta.

1:38:11

Eu responderia que sim.

1:38:13

>> Sim, concordo. Eh, porque

1:38:16

>> e daí o que que acontece? Só

1:38:19

para não perder, daí você faz a segunda

1:38:21

pergunta. Esse é o quadradinho vermelho.

1:38:25

Carnaval, como expressão cultural é

1:38:28

essencial que a gente entenda. Agora eu

1:38:30

preciso pensar no quadradinho azul. Como

1:38:32

que eu faço isso?

1:38:34

Da a gente pode entender assim, ir de

1:38:36

fantasia ou fazer um dia do carnaval é

1:38:40

suficiente

1:38:41

para que o estudante entenda a expressão

1:38:44

cultural do carnaval, sua importância

1:38:46

histórica, sua importância na

1:38:49

constituição da identidade brasileira.

1:38:52

E daí a gente começa a ter essa questão,

1:38:54

né,

1:38:56

de como que eu faço para aquele objeto

1:39:00

ter esse significado que a gente precisa

1:39:02

que ele tenha.

1:39:04

Então essa é a crítica, as datas

1:39:05

comemorativas, não é o conteúdo que tá

1:39:08

lá, né? Mas a forma, por exemplo,

1:39:12

Halloween. Adoro Halloween, né? Mas de

1:39:16

que forma compreender o Halloween nos

1:39:20

torna, né, é essencial paraa nossa

1:39:23

atuação na sociedade?

1:39:26

E como que no processo de ensino

1:39:29

aprendizagem que quais as melhores

1:39:32

formas da gente fazer com que os

1:39:34

estudantes se apropriem dessa expressão

1:39:36

cultural que é o Halloween, por exemplo?

1:39:38

Tá? Não sei se ficou claro, mas pode

1:39:41

comentar perguntas.

1:39:49

>> Pode comentar, Jefferson.

1:39:53

Eh, professor, eh, desculpa, eu queria

1:39:55

saber com também seguindo nessa linha

1:39:58

que eu queria perguntar, é, por exemplo,

1:40:00

a inclusão de empreendedorismo no

1:40:02

currículo do ensino médio aqui, pelo que

1:40:05

eu abri no currículo do Paraná.

1:40:08

>> Uhum. Tipo, é, cai aquele ponto de que é

1:40:11

essencial ou tá sendo

1:40:15

é importante para o aluno brasileiro

1:40:18

aprender, ter esse isso daí em, por

1:40:20

exemplo, detrimento de diminuição de

1:40:22

carga horário de outros conteúdos, por

1:40:25

exemplo, química não tem. e biologia. Eu

1:40:26

acho que também não tem mais no terceiro

1:40:28

ano, mas empreendedorismo está incluído

1:40:31

ali.

1:40:33

Isso daí já faz um tempo que eu tô

1:40:34

pensando.

1:40:36

Então, a gente precisa primeiro pensar e

1:40:39

e entender se empreendedorismo

1:40:43

é uma expressão do saber sistematizado

1:40:47

no sentido de conhecimento científico

1:40:52

ou

1:40:53

é uma tecnologia, são formas de fazer

1:40:56

alguma coisa.

1:40:58

Porque o que a gente ensina ou deveria

1:41:00

ensinar na escola é o conhecimento

1:41:02

científico

1:41:05

e não formas específicas de fazer

1:41:08

determinadas coisas.

1:41:12

Por exemplo, a gente não vai ensinar na

1:41:14

escola e não deve ensinar na escola

1:41:15

declarar o imposto de renda.

1:41:18

>> Porque se você sabe ler, você lê o guia

1:41:21

lá da Receita Federal e você faz o teu

1:41:23

imposto de renda.

1:41:25

ou você paga um profissional para fazer

1:41:27

isso. Tem profissões que fazem isso. Não

1:41:29

é essencial e não é um conhecimento

1:41:32

científico perc

1:41:34

ou a declaração de imposto de renda. Que

1:41:37

que eu poderia fazer por meio de tentar,

1:41:40

né, de mostrar a declaração do imposto

1:41:43

de renda, aprender alguma coisa,

1:41:46

matemática, né, tributária, alguma coisa

1:41:48

assim?

1:41:50

Tá vendo que o que a gente não pode

1:41:52

colocar o exemplo e o como fazer, o que

1:41:58

fazer antes do conteúdo científico.

1:42:02

O conteúdo científico é clássico.

1:42:05

Então, lá na disciplina de

1:42:07

empreendedorismo, na no componente

1:42:09

curricular de empreendedorismo, eu

1:42:11

estou, né, o professor, né, que, né,

1:42:15

professor, eh, ensina conhecimentos

1:42:18

científicos,

1:42:20

porque se sim,

1:42:22

não é um problema imediato isso. Agora,

1:42:25

se não, tá ocupando o lugar de alguma

1:42:27

coisa que é mais essencial que isso.

1:42:32

Certo?

1:42:35

Consegui responder?

1:42:36

>> Sim. Eh, professor, só por exemplo aqui,

1:42:38

eu tô com o documento aberto e ele

1:42:41

apresenta aqui objetivo: reconhecer e

1:42:43

avaliar conhecimentos e recursos

1:42:45

relacionados à matemática como meio para

1:42:47

alcançar os objetivos pessoais e

1:42:49

profissionais, buscando atingir a

1:42:52

buscando agir de forma proativo.

1:42:56

Acho que meio fora assim, só para

1:42:58

complementar do que eu tô li do

1:42:59

documento agora.

1:43:01

É, faz, compara com isso aqui, né?

1:43:06

Isso, o objetivo que ele colocou aí tem

1:43:09

a ver com isso aqui? se apropriar dos

1:43:12

objetos culturais produzidos pela

1:43:14

humanidade,

1:43:16

né, para atuar em sociedade.

1:43:19

Se sim e isso não tá ocorrendo, o

1:43:23

problema pode estar na forma

1:43:26

de ensinar e não no conteúdo, no objeto

1:43:30

propriamente dito,

1:43:33

né? Agora, perceba que do mesmo jeito,

1:43:35

minha interpretação, embora não tenha,

1:43:38

né, aprofundado no texto, parece raso,

1:43:41

porque o próprio empreendedorismo não

1:43:43

vai depender só de conhecimentos

1:43:45

matemáticos, né?

1:43:48

Então, o que que que o que que

1:43:50

precisaria inverter, no caso, né, na

1:43:52

minha na visão dessa pedagogia, o que é

1:43:55

importante nessa ementa toda aí são os

1:43:58

conhecimentos matemáticos,

1:44:01

certo? Se a gente quer usar práticas que

1:44:04

a gente entende como empreendedorismo

1:44:07

para trazer significado pro conhecimento

1:44:10

matemático, é uma coisa, você tá

1:44:13

trabalhando na forma.

1:44:16

E a gente não pode colocar forma em

1:44:19

primeiro lugar,

1:44:21

me repetindo, né? A gente tem que pensar

1:44:23

no conteúdo. Em primeiro lugar, a gente

1:44:25

tem que pensar o que,

1:44:28

que é o objeto, né? Qual o objeto

1:44:30

cultural? Eu

1:44:32

quero que os alunos se apropriem. Esse é

1:44:35

o primeiro.

1:44:37

E ligado a ele, mas de certa forma

1:44:40

secundário é a melhor forma de

1:44:43

socializar esse objeto.

1:44:46

Então, quando a gente muda essa ordem, a

1:44:49

gente esvazia a escola

1:44:53

dos seus objetos.

1:44:56

Nós vamos discutir isso também em algum

1:44:58

momento,

1:45:00

mas é, né, a questão de de

1:45:02

empreendedorismo, por exemplo, é isso. O

1:45:05

nome pelo nome não vai resolver muita

1:45:07

coisa. a gente tem que ver o conteúdo e

1:45:09

a forma, mas como provavelmente, né,

1:45:12

nessa construção curricular já não houve

1:45:15

a preocupação em pensar no conteúdo e na

1:45:18

forma,

1:45:20

é provável, né, que esse tipo de

1:45:24

organização curricular não atingja esses

1:45:26

objetivos,

1:45:28

né? A gente tem essa expectativa.

1:45:32

OK?

1:45:33

Mas vamos tentar eh com esse slide ver

1:45:36

se eu consigo esclarecer ainda um pouco

1:45:38

mais. Então, lembrando, na escola o

1:45:42

objeto é o saber sistematizado. São eh,

1:45:46

recortes do saber sistematizado que são

1:45:49

essenciais. Mas o que que é esse saber

1:45:51

sistematizado?

1:45:54

Ele é uma expressão do conhecimento

1:45:57

elaborado,

1:45:59

que a gente pode chamar de conhecimento

1:46:00

teórico,

1:46:03

que é o contrário do saber espontâneo,

1:46:06

que é o conhecimento empírico.

1:46:08

Então, o saber espontâneo é aquilo que a

1:46:10

gente consegue aprender pela nossa

1:46:11

vivência na sociedade já humana. a gente

1:46:15

vive e aprende coisas espontâneas,

1:46:19

coisas empíricas da experiência.

1:46:22

Esse tipo de coisa não deve ser foco da

1:46:25

escola, porque ele já vai ser aprendido

1:46:28

em outros espaços

1:46:30

e a escola precisa resguardar o seu

1:46:33

espaço, porque se o conhecimento teórico

1:46:37

não for ensinado na escola, ele não vai

1:46:40

ser ensinado em outro lugar.

1:46:43

Já o conhecimento empírico, ele vai ser

1:46:46

ensinado em outro lugar. Então não é que

1:46:48

a gente tá tirando um para pôr o outro.

1:46:50

A gente tá resguardando um espaço

1:46:53

exclusivo do saber teórico, porque ele

1:46:57

não tem como aparecer em outras esferas

1:47:00

que não seja a escola desse pensando ela

1:47:03

desse jeito, né?

1:47:06

Então ele é sistematizado, ele não é

1:47:08

algo fragmentado, né? Ele tem uma

1:47:11

sequência lógica

1:47:14

de construção, né? Lógica histórica de

1:47:17

construção.

1:47:20

Aqui vem outro termo, né, que é que é

1:47:23

complexo aqui, mas ele é um conhecimento

1:47:25

que é erudito e não popular, mas ao

1:47:28

mesmo tempo a gente defende educação

1:47:30

popular. Então temos que entender o que

1:47:32

que é o que que isso quer dizer.

1:47:36

O conhecimento erudito é a mesma coisa

1:47:38

que o conhecimento teórico.

1:47:41

Tem um paralelo aqui essas essas

1:47:44

classificações.

1:47:46

E ele é teórico, ele é erudito porque,

1:47:49

primeiro ele depende de uma linguagem

1:47:51

específica e segundo porque ele é um

1:47:54

sistema conceitual.

1:47:57

Já o saber popular,

1:48:00

né, a cultura popular, ela não é eh ela

1:48:05

não se constrói assim, ela se constrói

1:48:08

da experiência, das explicações de um

1:48:10

grupo, né, de algo mais particular, não

1:48:14

universal, como o conhecimento teórico.

1:48:17

Então, o conhecimento popular, o saber

1:48:19

popular, ele é popular, significa que

1:48:22

ele permeia a vida do povo, das pessoas.

1:48:27

Agora, o que que a gente precisa que

1:48:28

todas as pessoas tenham também esse

1:48:31

conhecimento erudito que não pode ficar

1:48:33

restrito

1:48:35

a determinados grupos de pessoas,

1:48:39

tá? Então, o conhecimento científico

1:48:42

metódico, eh, conhecimento

1:48:43

sistematizado, metódico, teórico e

1:48:46

erudito, a gente tá chamando de

1:48:49

conhecimento científico.

1:48:52

Então, não é química, física, biologia,

1:48:54

né? é o conhecimento sistematizado de

1:48:57

matemática, da música, da língua,

1:49:01

das técnicas, da tecnologia. Tudo isso

1:49:04

vai est nesse nesse

1:49:07

eh nessa categoria de conhecimento

1:49:10

científico, tá? Então, esse tipo de

1:49:13

conhecimento, ele não é aprendido de

1:49:16

maneira espontânea. Então, eu preciso de

1:49:18

um lugar e de um processo

1:49:21

intencional para isso, tá?

1:49:25

E aqui quem já teve aula de

1:49:26

epistemologia deve lembrar, né,

1:49:29

desses três tipos de saber, de

1:49:32

conhecimento que já é definido, né,

1:49:35

desde a antiguidade.

1:49:37

Então aqui a gente tem a episteme, que é

1:49:40

o saber epistêmico, a doxa que é o saber

1:49:44

dogmático de senso comum e a Sófia, que

1:49:46

é o saber da experiência.

1:49:49

Tudo isso faz parte da nossa

1:49:51

constituição de ser humano, tá? como ser

1:49:54

cultural.

1:49:56

Só que a Sófia é o saber da nossa

1:49:59

experiência de vida. Então, a gente

1:50:01

aprende vivendo ele.

1:50:04

E a doxa é o senso comum e o

1:50:08

conhecimento dogmático, religioso,

1:50:10

místico, enfim, que é aprendido em

1:50:13

outros lugares.

1:50:15

Onde que

1:50:17

sobra, né? O que que tá faltando desses

1:50:19

dois que você já vai ter

1:50:20

obrigatoriamente é a episteme, que é o

1:50:23

conhecimento científico,

1:50:26

que se você não tiver um espaço adequado

1:50:28

para ele, que é a escola, ele vai

1:50:31

faltar.

1:50:32

E a gente defende que a gente precisa de

1:50:34

tudo isso

1:50:36

no processo de humanização. Então,

1:50:39

quando a gente ouve, por exemplo,

1:50:42

eh que eh mais vale, né, a experiência

1:50:47

do que ir pra escola, né, do que o

1:50:49

aprender, é uma visão parcial

1:50:54

do que é realmente essencial, tá?

1:50:59

Então, as pessoas que são experientes,

1:51:01

elas têm saber, elas são sábias, mas é

1:51:04

esse tipo de saber.

1:51:07

A gente precisa completar isso com essas

1:51:09

outras expressões do saber. Do mesmo

1:51:12

jeito, não dá para pensar a escola como

1:51:14

um lugar de senso comum. um senso comum.

1:51:17

A escola faz parte, né, da sociedade,

1:51:20

vai interagir com esse senso comum, só

1:51:22

que ele tem que eh ser confrontado, né,

1:51:26

ou

1:51:28

articulado com o saber científico,

1:51:30

porque senão não faz sentido ter escola.

1:51:33

Então, quando a gente começa a tirar o

1:51:34

saber científico da escola, a escola

1:51:37

perde sua razão de ser,

1:51:39

que é o que nós estamos vendo hoje,

1:51:42

inclusive vendo o o retorno já, né, ao

1:51:45

que ao que era antes, porque perceberam

1:51:48

que não é bem assim, né?

1:51:51

OK.

1:51:52

E aqui, né, que é o quadradinho azul que

1:51:56

eu acabei não corrigindo ali,

1:52:01

além dos objetos culturais essenciais, a

1:52:04

gente precisa identificar os meios

1:52:06

adequados para isso, tá?

1:52:11

Então, esse esse meios, esses esses eh

1:52:15

meios educativos vão envolver os

1:52:17

conteúdos escolares, os espaços

1:52:20

escolares, os tempos escolares, os

1:52:23

procedimentos didáticos, os recursos

1:52:26

didáticos, todos esses termos que a

1:52:28

maioria de vocês já teve algum tipo de

1:52:30

contato.

1:52:32

Então, todos esses eh componentes do

1:52:36

trabalho educativo, eles têm que ser

1:52:37

organizados de maneira intencional, tê

1:52:39

que ser planejados

1:52:42

para possibilitar a apropriação cultural

1:52:45

dos estudantes.

1:52:47

OK?

1:52:50

Então aqui, né, tem uma o final, né,

1:52:54

naquela mesma frase. Então, a gente

1:52:56

organiza isso para esse fim aqui, que

1:52:59

cada indivíduo singular

1:53:02

realize com uma segunda natureza a

1:53:04

humanidade produzida historicamente. Ou

1:53:07

seja, que cada indivíduo

1:53:10

torne natural

1:53:12

essa a cultura humana

1:53:15

na sua forma de representar o mundo e de

1:53:18

agir no mundo,

1:53:21

certo?

1:53:23

E daí a gente já definiu, mas vamos

1:53:26

reforçar a função social da escola. Para

1:53:28

que que tem escola?

1:53:31

Primeiro,

1:53:33

a escola é a parte da educação

1:53:37

que a gente vai considerar em termos

1:53:40

pedagógicos.

1:53:42

Ou seja, a prática social, a nossa vida,

1:53:45

né, que é a prática social global, ela

1:53:47

tem, né, a gente se educa o tempo todo,

1:53:49

como se já colocaram,

1:53:51

mas eh instituição, escola, vai ter uma

1:53:54

dimensão específica que a dimensão

1:53:56

pedagógica,

1:53:58

que é intencional, né, para a

1:54:00

apropriação dessa cultura.

1:54:02

Então essa a escola, né, tem como

1:54:05

objetivo, como função propiciar

1:54:10

apropriação de instrumentos culturais

1:54:12

que possibilitam o acesso ao saber

1:54:15

elaborado e aos fundamentos do saber

1:54:17

elaborado.

1:54:20

Que que dá acesso ao saber elaborado?

1:54:22

principalmente as linguagens, a

1:54:25

linguagem, a língua materna

1:54:28

e as simbolizações, a química e biologia

1:54:31

são cheias de símbolos, de formas de

1:54:34

escrever. Se a gente não tem a, se a

1:54:38

gente não se apropria desses

1:54:39

instrumentos, a gente não consegue nem

1:54:41

ter acesso ao que diz a química e a

1:54:43

biologia, quanto mais usar isso para

1:54:46

explicar o mundo, né? Então, a gente tem

1:54:48

que cuidar desses dois.

1:54:51

E daí surge o termo que muitas vezes as

1:54:54

pessoas não entendem, né, que a o

1:54:57

processo que ocorre na escola é o

1:54:59

processo de transmissão, apropriação

1:55:00

desses saberes,

1:55:03

tá? Então, a apropriação a gente tá

1:55:04

falando desde o início, o indivíduo que

1:55:07

tá aprendendo se apropria dos

1:55:10

instrumentos culturais. Acho que isso já

1:55:12

tá OK.

1:55:14

Só que aquele termo transmissão que

1:55:16

muita gente, né, compara o ensino

1:55:18

tradicional, eles ele quer deixar muito

1:55:21

claro que para ocorrer a apropriação

1:55:25

é necessário um processo intencional

1:55:29

de socialização desses objetos.

1:55:33

Ou seja, o estudante ele não constrói

1:55:37

conhecimento,

1:55:39

ele se apropria de um conhecimento que

1:55:41

já existe.

1:55:43

Só que esse conhecimento ele existe lá

1:55:46

sistematizado

1:55:48

e a gente precisa fazer um processo para

1:55:51

que o estudante se aproprie. Esse

1:55:53

processo é a transmissão.

1:55:56

Resolveram chamar de transmissão,

1:55:59

tá? Então, só que é impossível pensar um

1:56:02

sem o outro. Não há apropriação sem a

1:56:05

transmissão e nem a transmissão. Se ela

1:56:09

não envolve a apropriação, ela não serve

1:56:10

de nada, tá?

1:56:14

Então aqui, né, o acesso se dá pela

1:56:17

leitura, pela escrita da língua materna,

1:56:19

pelas linguagens, né, pela linguagem eh

1:56:22

científica, matemática, enfim.

1:56:25

e os fundamentos dos saberes, então, de

1:56:28

ciências humanas, ciências da natureza,

1:56:30

sociais, tecnologias, enfim. Então,

1:56:34

isso, né, que a gente define como

1:56:36

essencial pro estudante. Então, o quanto

1:56:40

de ciências humanas, o quanto, né, ou o

1:56:43

que de ciências da natureza é essencial.

1:56:47

Essa discussão não tá pronta, ela

1:56:49

precisa existir e ela também não é

1:56:51

imutável,

1:56:53

tá?

1:56:55

E depois ele vem paraa concepção do

1:56:57

currículo. Por quê?

1:57:00

Bom, vocês já sabem o que é currículo,

1:57:02

né? O o a documentação escolar, né?

1:57:05

Principalmente a expressão maior do

1:57:07

currículo.

1:57:09

Então o currículo é aquilo que vai guiar

1:57:10

o trabalho educativo, né? Em resumo, se

1:57:15

ele vai guiar o trabalho educativo, a

1:57:17

gente já definiu que o trabalho

1:57:19

educativo tem que propiciar a

1:57:21

apropriação do saber sistematizado,

1:57:24

o currículo

1:57:26

tem que se orientar para isso. Todas as

1:57:30

ações curriculares da escola devem ser

1:57:33

orientadas para a apropriação de saber

1:57:36

sistematizado pelos estudantes,

1:57:39

todas.

1:57:40

inclusive a organização administrativa

1:57:42

da escola,

1:57:44

a organização didática, tudo tem que ser

1:57:49

orientado para isso.

1:57:52

E o currículo Saviane vai dizer que é o

1:57:54

conjunto das atividades nucleares da

1:57:57

escola. Quais são as atividades

1:57:59

nucleares? as que permitem a apropriação

1:58:02

do saber sistematizado.

1:58:05

Então, a gente vai ter a necessidade de

1:58:07

promover essa apropriação

1:58:10

e a gente tem tempos definidos e espaços

1:58:13

definidos para isso. Então, a partir

1:58:16

dessas questões materiais, a gente pensa

1:58:20

em quais atividades e como elas vão

1:58:22

acontecer para possibilitar essa

1:58:24

apropriação.

1:58:27

E daí ele coloca a diferença entre

1:58:28

curricular e extracurricular, né? Então,

1:58:32

o curricular é o essencial,

1:58:36

só que o extracurricular ele não pode tá

1:58:38

lá, né, só ocupando espaço, ele tem que

1:58:41

estar vinculado

1:58:43

e contribuir para os os processos

1:58:45

curriculares.

1:58:47

No IF, o que que seria os principais

1:58:50

processos

1:58:52

extracurriculares, né, que a gente pode

1:58:54

pensar os os projetos de pesquisa e

1:58:57

extensão que não são do currículo de

1:58:59

vocês, né? TCC num extensão curricular,

1:59:02

eles não podem existir propriamente sem

1:59:05

estar vinculados ao trabalho que é

1:59:07

desenvolvido na formação de vocês, né?

1:59:11

Se a gente for seguir essa teoria

1:59:13

pedagógica.

1:59:16

Então essa

1:59:18

necessidade de do Saviane de falar o que

1:59:21

é curricular e extracurricular

1:59:23

veio dessa concepção ampliada de

1:59:26

currículo que se tem hoje muito

1:59:29

derivada, né, do construtivismo e tal,

1:59:32

que é o excesso de estímulos, né? Quanto

1:59:34

mais estímulos, melhor, mas você não

1:59:36

pensa muito bem na organização desses

1:59:39

estímulos, né?

1:59:41

E também isso acaba colocando a escola

1:59:45

eh ou atribuindo à escola funções de

1:59:47

outros espaços sociais, que é aquela

1:59:51

famosa expressão, né, que o professor

1:59:53

virou médico, psicólogo, assistente

1:59:55

social, porque se joga na escola todas

1:59:58

essas funções que não são atribuição da

2:00:02

escola.

2:00:03

Isso, né, vai de uma visão

2:00:07

na qual o saber sistematizado não é

2:00:10

importante. Essas outras coisas são mais

2:00:13

importantes

2:00:15

e com isso a gente perde a

2:00:17

especificidade da escola.

2:00:19

Se o saber sistematizado já não é mais

2:00:22

eh o objetivo da escola, a gente não

2:00:25

precisa formar professores

2:00:28

que saibam muito bem dos objetos

2:00:30

culturais que a gente acha que precisa

2:00:33

ensinar. E da gente precariza a formação

2:00:35

de professores, por exemplo,

2:00:38

né? A gente não precisa mais de

2:00:40

professores que saibam muito bem

2:00:41

química, a gente precisa de professores

2:00:42

que saibam mediar conflitos. A gente

2:00:45

cria essas outras formações que colocam

2:00:48

no professor funções que ele não deveria

2:00:51

ter, que existem outros profissionais

2:00:54

mais qualificados para fazer isso.

2:00:56

Tragam esses profissionais pra escola.

2:00:58

Não joguem isso na responsabilidade

2:01:01

daquele que deveria socializar o

2:01:03

conhecimento sistematizado.

2:01:06

OK?

2:01:09

Daí vem a ideia de saber escolar.

2:01:12

Então,

2:01:14

a mera existência do saber sistematizado

2:01:16

não é suficiente para que ocorra

2:01:18

apropriação. Isso eu já comentei, né?

2:01:20

Então, o fato de existir lá as teorias

2:01:22

da química não é suficiente para que

2:01:25

todo mundo saiba química. E a gente

2:01:27

observa isso empiricamente.

2:01:29

É preciso um processo intencional que é

2:01:32

o processo educativo.

2:01:34

E esse processo ele vai principalmente

2:01:38

dosar e sequenciar esse saber.

2:01:42

até que nível de especificidade eu vou

2:01:45

discutir esses saberes? Quais deles

2:01:50

em que sequência?

2:01:52

Então, nem sempre a gente ensina,

2:01:55

logicamente na escola, por exemplo, a

2:01:57

sequência histórica de desenvolvimento

2:02:00

da química da biologia, porque faz mais

2:02:03

sentido sequenciar de outra forma hoje,

2:02:06

que a gente já sabe de tudo,

2:02:09

tudo entre aspas, né, que a gente já tá

2:02:11

no nível mais avançado dessas ciências,

2:02:14

mas historicamente as pessoas foram

2:02:16

descobrindo essas coisas. Nós não

2:02:18

descobrimos mais. a gente se apropria do

2:02:21

que já está sistematizado, né? E por que

2:02:25

que eu tenho que dosar e sequenciar de

2:02:27

novo? Porque eu tenho tempos e espaços

2:02:28

definidos, né? 200 dias letivos, tantas

2:02:33

aulas dessa disciplina, tantas aulas, é,

2:02:37

tantos minutos, tudo isso tá

2:02:38

estabelecido. Eu não tenho todo o tempo

2:02:40

do mundo para falar das coisas, então

2:02:44

preciso organizar.

2:02:46

Tem também as condições concretas dos

2:02:48

sujeitos e da escola,

2:02:51

né? Questões estruturais da escola que

2:02:54

vão impactar em quais atividades podem

2:02:55

ser feitas. o nível de desenvolvimento

2:02:59

dos sujeitos vão impactar nas atividades

2:03:01

que podem ser feitas, possíveis

2:03:04

necessidades específicas vão impactar

2:03:06

nas atividades que podem ser feitas e

2:03:08

assim por diante. Por isso que não tem

2:03:10

uma receita de bolo. Cada grupo é um

2:03:13

grupo, né?

2:03:17

E a gente tem que pensar, né, na ordem e

2:03:21

nessa dosagem que permita a transmissão

2:03:23

e apropriação da cultura. Não adianta a

2:03:25

gente só pincelar as coisas, por

2:03:28

exemplo,

2:03:29

porque assim a gente não se apropria

2:03:32

adequadamente. Então é muito difícil

2:03:35

organizar esse saber escolar. Você já

2:03:37

devem sentir isso, quem vai no estágio,

2:03:40

né, e tá mais pro fim do curso. E além

2:03:43

disso, né, de dosar o conteúdo

2:03:45

científico, saber científico, a gente

2:03:47

tem que estabelecer os melhores métodos

2:03:49

de ensino, dentre as possibilidades que

2:03:52

a gente conhece, qual o melhor ou quais

2:03:54

os melhores para aquele grupo, naquelas

2:03:57

condições, naqueles tempos e para aquele

2:04:01

conteúdo,

2:04:03

certo?

2:04:05

Eh, e uma coisa importante, né? Às vezes

2:04:10

a gente pensa, não, que é, a gente tá,

2:04:12

né, no século XX, nó vamos fazer

2:04:15

exercício de repetição, não vamos fazer

2:04:17

prova, né? Não vamos fazer prova, eh,

2:04:20

eles decorarem a tabuada e etc. Mas isso

2:04:23

é completamente equivocado, tá?

2:04:26

Porque acabei de falar que a gente

2:04:29

naturaliza o ato de dirigir que a gente

2:04:32

repete até automatizar.

2:04:34

a gente aprende, naturaliza a ler,

2:04:37

porque a gente repete até automatizar.

2:04:40

Então, em geral, esses processos de

2:04:42

automatização, eles são necessários,

2:04:46

tá? Mas eles não podem ser o fim do

2:04:49

processo.

2:04:50

Eu preciso usar aquilo que eu

2:04:52

automatizei para alguma coisa, senão

2:04:55

também não resolve nada, né?

2:04:59

E a gente não pode pensar a partir do

2:05:02

método, que é o caso das metodologias

2:05:05

ativas, por exemplo. A gente tem que

2:05:07

usar o melhor método para ensinar o

2:05:10

conteúdo.

2:05:12

Não usar o método que eu quero

2:05:15

para ensinar tudo ou usar o método que

2:05:18

eu quero porque sequer aquele método.

2:05:22

Eu já falei isso hoje, né? A gente não

2:05:24

pode colocar o método acima do conteúdo.

2:05:28

O método ele é adequado ao conteúdo, tá?

2:05:35

OK.

2:05:38

E existia uma, tinha uma questão, uma

2:05:42

acho que é última, penúltima, que

2:05:43

falava, né, de que que isso tudo que a

2:05:47

gente tá falando da escola tem a ver com

2:05:49

a questão da liberdade,

2:05:51

não da libertação. Eu não nem lembro se

2:05:53

tá libertação no texto ou não, mas

2:05:56

liberdade, tá?

2:05:58

Verdade. Então aqui vai aparecer um

2:06:02

outro termo que eu vou tentar explicar,

2:06:04

mas ele é mais complexo. Então a

2:06:05

liberdade significa, em termos gerais,

2:06:08

superar a alienação do trabalho. O que

2:06:10

que é a alienação do trabalho? é quando

2:06:13

o produto do trabalho ele é expropriado

2:06:17

do produtor,

2:06:19

não necessariamente o objeto,

2:06:22

mas o resultado daquele processo.

2:06:25

Então, a gente entende que só vai ser

2:06:28

livre quando o produto do nosso trabalho

2:06:31

ser garantia nossa, né? Ser nosso por

2:06:34

garantia,

2:06:36

né? Ah, tava aqui, né? Então, a

2:06:39

alienação do trabalho é privar o

2:06:40

sujeito, né, dos produtos da sua

2:06:42

atividade, que podem ser materiais ou

2:06:44

não materiais. No caso,

2:06:47

no caso da educação, que é o nosso foco,

2:06:50

essa ideia da liberdade vai

2:06:53

significar o quê?

2:06:55

Que a que o indivíduo ele vai se

2:06:59

apropriar dos instrumentos culturais

2:07:01

necessários

2:07:03

e ele vai atuar em sociedade de maneira

2:07:06

autônoma.

2:07:08

sem a necessidade de recorrer a outras

2:07:10

pessoas.

2:07:13

Isso não significa que não vai, né, usar

2:07:17

eh recorrer a outras pessoas para

2:07:20

determinadas tarefas, né, no caso ao

2:07:23

médico, né, ao professor, enfim. Mas

2:07:26

para reproduzir a sua vida, para viver,

2:07:29

né, de forma, inclusive para poder

2:07:33

escolher o médico, escolher o professor,

2:07:35

né, ele precisa

2:07:37

entender da da realidade e para isso ele

2:07:40

precisa de determinados instrumentos,

2:07:44

né? volto sempre na questão da leitura,

2:07:47

né, no caso da comunicação, né,

2:07:52

e também a automatização de determinados

2:07:54

processos culturais, que volta também na

2:07:57

questão da leitura, o exemplo mais

2:07:58

prático, né, de entender.

2:08:01

Então, essa, quando a gente se

2:08:03

alfabetiza, quando a gente é

2:08:04

alfabetizado, né, ou se alfabetiza, a

2:08:06

gente cria esse hábito da leitura que é

2:08:08

segunda a natureza. E a ideia é que a

2:08:11

gente faça isso com todos os

2:08:14

instrumentos culturais essenciais

2:08:18

paraa vida, né?

2:08:20

E quando a gente cria essa segunda

2:08:22

natureza, né, esse processo é

2:08:25

irreversível

2:08:27

eh culturalmente, tá? Obviamente, se

2:08:29

você perde uma parte do cérebro, você

2:08:31

pode ter funções cerebrais prejudicadas,

2:08:33

mas se você tá lá se desenvolvendo em

2:08:36

condições normais de temperatura

2:08:37

impressão, você não vai desaprender

2:08:40

a falar e a escrever na língua que você

2:08:43

já aprendeu.

2:08:45

Só que para fazer esse processo

2:08:47

irreversível é necessário muita

2:08:50

persistência,

2:08:52

constância e paciência,

2:08:55

né? Tipo ir paraa academia, né? Tem que

2:08:57

ter persistência, constância e

2:08:59

paciência.

2:09:01

Então você tem que fazer, fazer fazer,

2:09:04

persistir, porque não é algo natural,

2:09:08

biologicamente falando, é um processo de

2:09:12

trabalho, ele demanda planejamento,

2:09:15

execução,

2:09:17

compreender o produto, usar aquele

2:09:19

produto, não é fácil, tá?

2:09:26

Ah, e aqui eu não vou ficar tanto nesse

2:09:29

ponto porque a gente até já falou um

2:09:31

pouquinho,

2:09:32

mas essa dicotomia, né, entre a cultura

2:09:35

popular e a cultura erudita,

2:09:38

que não deveria ser um o contrário do

2:09:41

outro, são formas diferentes da

2:09:43

expressão cultural. Então, a cultura

2:09:46

popular é aquilo que vem da nossa

2:09:47

vivência. Resumindo,

2:09:50

e é com base nisso, com base nessa

2:09:53

vivência que a gente vai conseguir

2:09:55

entender o saber científico,

2:09:57

tá? Por isso que é necessário que na no

2:10:01

processo educativo haja relação entre

2:10:03

esses dois.

2:10:05

Só que a gente precisa entender que o

2:10:07

conhecimento científico ele permite

2:10:09

outras formas de compreensão

2:10:11

que são essenciais

2:10:14

e eles vão enriquecer essas expressões

2:10:16

populares. Então não é que a gente vai

2:10:18

substituir uma coisa pela outra, é que a

2:10:21

gente como ser humano tem direito a

2:10:23

todas

2:10:25

para se desenvolver, né? Então o que

2:10:27

acontece? A cultura popular todo mundo

2:10:30

tem, todo mundo desenvolve nos seus

2:10:32

grupos populares, né? grupos sociais. O

2:10:36

que não pode acontecer é a privatização

2:10:39

do excesso essa cultura erudita, porque

2:10:42

senão alguns têm e alguns não têm. Isso

2:10:46

gera uma desigualdade.

2:10:49

Só que não é só uma desigualdade, né?

2:10:51

Todos somos desiguais em certos

2:10:54

momentos. Mas o domínio da cultura

2:10:56

erudita

2:10:58

permite que a gente interprete a

2:11:00

realidade de outra forma e faça coisas

2:11:03

que quem não sabe não consegue fazer. E

2:11:06

isso gera um processo de dominação, uma

2:11:09

relação de poder que existe, que

2:11:12

documentado, a gente sabe que existe, e

2:11:15

que nessa pedagogia, nessa filosofia, a

2:11:18

gente combate. Então, de novo, é direito

2:11:21

de todo indivíduo se apropriar de toda a

2:11:24

cultura que ele precisa, tá? Da melhor

2:11:28

forma.

2:11:30

Então, terminando, né, concluindo,

2:11:34

eh, a natureza da educação. Aí vocês

2:11:37

comparem com as respostas que vocês

2:11:38

deram lá já, né? Então, entender a a

2:11:42

educação como trabalho não material

2:11:45

e que o produto não se separa do

2:11:48

produtor, né, no ato de produção,

2:11:51

é o que vai nos permitir entender a

2:11:53

especificidade da educação.

2:11:57

Então, como ela é um trabalho não

2:11:58

material que não vai se separar, ela

2:12:02

significa

2:12:04

que ela vai atuar na representação

2:12:06

mental da realidade.

2:12:08

E para construir essa representação, a

2:12:11

gente precisa de conhecimentos

2:12:14

científicos, né, de ideias, né, de

2:12:17

pensamentos coletivos, de conceitos,

2:12:21

de valores, de atitudes, hábitos e

2:12:25

símbolos. Então, tudo isso vai compor o

2:12:30

conteúdo do trabalho educativo,

2:12:33

tá?

2:12:35

Só que não são todos os conhecimentos,

2:12:37

né? todos os símbolos, todos os

2:12:40

conceitos, porque não dá pra gente se

2:12:42

apropriar de tudo isso já mais, né?

2:12:46

A gente precisa identificar quais são

2:12:49

necessários

2:12:51

a formação daquele indivíduo singular

2:12:54

como pessoa, né, pertencente da sua

2:12:58

sociedade,

2:13:00

tá?

2:13:02

E esses elementos eles têm que ser

2:13:04

apropriados por esses indivíduos de

2:13:07

forma a produzir uma segunda natureza,

2:13:11

que é

2:13:13

se apropriar dessa cultura e tornar ela

2:13:17

automática, né? Se quiserem usar esse

2:13:20

termo,

2:13:22

para que a pessoa vive em sociedade,

2:13:24

para que ela não dependa de outras

2:13:26

pessoas que já se apropriaram dessa

2:13:28

cultura,

2:13:30

tá?

2:13:31

Então, a natureza para a a educação para

2:13:34

conseguir fazer tudo isso,

2:13:37

ela

2:13:38

ela ocorre, né, de forma deliberada,

2:13:40

intencional, ou seja, planejada,

2:13:42

organizada, intencional,

2:13:45

por meio de relações pedagógicas entre

2:13:48

os indivíduos.

2:13:51

Só que essas relações estão

2:13:53

historicamente determinadas. Significa o

2:13:55

quê? que elas dependem das condições

2:13:59

reais daquelas pessoas,

2:14:02

tá? Então, compreender a educação por

2:14:05

essa pedagogia

2:14:08

torna a educação um processo muito

2:14:10

complexo

2:14:13

e a gente precisa entender essa

2:14:15

complexidade,

2:14:18

né? Por isso que a gente vai ter outros

2:14:19

estudos, porque esse texto ele é o texto

2:14:21

inicial, mas ele traz muita coisa que

2:14:23

ainda fica

2:14:25

necessitando de mais explicações. Por

2:14:28

isso a gente precisa continuar.

2:14:30

Mas verifiquem se vocês conseguiram

2:14:33

compreender a ideia central aqui, que é

2:14:35

entender que

2:14:38

o ser humano, né, se caracteriza por

2:14:41

realizar trabalho,

2:14:43

que existe o trabalho material e não

2:14:45

material e que esse trabalho não

2:14:48

material envolve representação mental de

2:14:52

cada indivíduo.

2:14:54

Então, a função da educação,

2:14:56

principalmente

2:14:58

eh institucional,

2:15:00

é que cada indivíduo se aproprie dos

2:15:04

instrumentos culturais necessários para

2:15:06

produzir essa representação de mundo, de

2:15:09

modo que no seu desenvolvimento como

2:15:12

indivíduo, ele se torne cada vez mais

2:15:14

autônomo, independente,

2:15:17

né, para realizar

2:15:19

as suas ações, né, a sua, a reprodução

2:15:21

da sua vida em sociedade.

2:15:25

OK?

2:15:27

Então, os estudos pedagógicos ali

2:15:30

daquelas relações pedagógicas,

2:15:33

eles vão identificar os elementos

2:15:35

necessários paraa constituição da

2:15:37

humanidade

2:15:38

e as melhores estratégias para esse fim.

2:15:42

Então, a gente tem as ciências da

2:15:43

natureza que vão criar produtos

2:15:46

culturais sobre as propriedades do mundo

2:15:50

natural. A gente tem as ciências humanas

2:15:53

e sociais que vão criar objetos

2:15:55

culturais sobre as propriedades do mundo

2:15:58

cultural.

2:16:00

E a gente tem as ciências pedagógicas

2:16:02

que vão desenvolver objetos culturais

2:16:05

que vão possibilitar

2:16:08

as melhores estratégias para que os

2:16:10

indivíduos se apropriem desses objetos

2:16:13

que as outras ciências criaram.

2:16:18

OK? Estão vivos ainda?

2:16:21

Querem comentar alguma coisa? Precisam

2:16:23

digerir um pouquinho?

2:16:28

Gel não tá vivo. É isso.

2:16:31

Faz a mãozinha para baixo.

2:16:36

Gabriel Michele

2:16:39

também. Talvez gerir um pouco. Isso vai

2:16:43

ficar gravado lá. A gente vai voltar a

2:16:45

discutir.

2:16:46

Qualquer coisa, voltem no texto, vejam

2:16:48

se vocês entenderam isso que eu quis

2:16:50

falar,

2:16:52

né? Não é uma coisa fácil, tá gente?

2:16:55

Entender? Pedagogia histórico-crítica e

2:16:57

psicologia histórico-cultural não é

2:16:59

tarefa fácil, tá? Mas vocês conseguem,

2:17:06

se a gente fizer o método certo, vocês

2:17:08

conseguem.

2:17:11

Não, o quê, Mateus?

2:17:15

>> Eu já participei de

2:17:18

palestra, já li livro

2:17:21

da minha ex-namorada,

2:17:24

eh, tudo referente à pedagogia história

2:17:26

crítica. Acompanhei ela fazendo o TCC

2:17:29

dela referente também à pedagogia

2:17:31

história crítica e não consegui entender

2:17:34

nada referente a pedagogia história

2:17:37

crítica.

2:17:38

Tipo, é algo que f é um é um são textos

2:17:43

bem, digamos, maçante, maçante de se lê

2:17:48

e com com alguns termos assim, se você

2:17:52

não está no meio há algum tempo, você

2:17:55

tem uma certa dificuldade para entender.

2:17:59

Eh,

2:18:01

agora com esse com essa leitura, esse

2:18:05

trabalho com o PIBG, tô conseguindo

2:18:07

compreender alguma coisa do que que é a

2:18:10

pedagogia história crítica, mas mesmo

2:18:12

assim

2:18:13

é meio complexo algumas coisas referente

2:18:16

a essa teoria.

2:18:18

>> Uhum. É bem complexo. A gente tenta.

2:18:25

Mariana quer comentar alguma coisa. Acho

2:18:26

que eu posso tirar a tela aqui.

2:18:30

>> Ã, eu quero falar que eu fiquei feliz

2:18:34

com a participação de alguns dos

2:18:35

estudantes que mantiveram inclusive o

2:18:37

contato, ou seja, até falando que não

2:18:40

sobreviveram muito bem até o final da

2:18:43

formação.

2:18:45

Eh,

2:18:47

eu concordo que é um tema difícil. a

2:18:51

gente tem que pensar que a gente tem

2:18:53

estudantes nos diferentes períodos,

2:18:55

então alguns de vocês estão com mais ou

2:18:57

menos contato já com as disciplinas

2:19:00

pedagógicas,

2:19:01

mas, né, eh, é um tema importante de se

2:19:06

discutir dentro do IF e é um tema

2:19:09

importante pra gente também se

2:19:11

apropriar.

2:19:17

Eu eh não sei se a gente teria essa

2:19:21

chance de fazer isso, João, para fingir

2:19:25

eh a gente vai ter a lista de frequência

2:19:28

com os nomes de vocês, né? Quem

2:19:30

participou, sai um relatório depois, mas

2:19:34

para frente de registro também, será que

2:19:36

existiria alguma chance da gente

2:19:37

conseguir tirar uma foto com todo mundo

2:19:39

de câmera ligada assim bonitinho para

2:19:42

comemorar os sobreviventes do carnaval?

2:19:45

se vocês ainda estão aqui.

2:19:59

Profe, vai me desculpar, mas eu não vou

2:20:01

poder ligar não.

2:20:05

Nem, eu já para falar a verdade, eu tô

2:20:09

com not em cima da cama escutando a aula

2:20:14

e assim que terminar já vou desligar e

2:20:16

dormir.

2:20:19

>> Saber

2:20:19

>> eu não vou poder ligar, não é nem por

2:20:21

opção, é porque eu tô pelo computador e

2:20:24

o computador não tem webcam. Uhum.

2:20:27

>> Tá certo. Tudo bem. Então vamos,

2:20:32

vamos deixar para lá essa abertura para

2:20:34

vocês.

2:20:35

>> Tira o print da tela com nossas carinha

2:20:37

ali, profe. Todo mundo quase tem foto de

2:20:39

perfil bem bonitinho. A foto, a foto já,

2:20:41

já tá ótimo. Já, já dá, já dá um bom um

2:20:45

bom registro, né? Tem uma foto ali, né?

2:20:47

Então, já dá.

2:20:49

>> A gente tem que ficar feliz, né? E João,

2:20:51

que eles ainda estão acordadinhos,

2:20:52

vivinhos, né? Falando com a gente.

2:20:54

>> Uhum. Bom,

2:20:56

>> fiz que o nosso nome do e-mail é o nosso

2:20:59

nome mesmo. Podia ser Flavinho do Pneu.

2:21:02

>> É,

2:21:04

>> é, pensando por esse lado, Andrila,

2:21:06

concordo. Bom, então quem eh puder

2:21:10

ligar, quem não puder, eu vou te fazer

2:21:12

um print, então, com a imagem de todos

2:21:16

vocês.

2:21:17

>> Vou fazer um esforço.

2:21:19

Ah.

2:21:38

Pronto, consegui registrado esse lindo

2:21:40

momento. Muito obrigada, João.

2:21:45

>> Agradeço também, pessoal, depois que

2:21:48

vocês conseguirem digerir o texto,

2:21:51

se quiserem perguntar alguma coisa,

2:21:53

podem ali perguntar e a gente vai

2:21:56

continuar estudando esse tema, tá bom?

2:21:58

Então, boas férias da do IF.

2:22:04

Boas atividades nas escolas e a gente se

2:22:07

vê depois do carnaval.

2:22:11

>> Eh, aproveito para reforçar para vocês

2:22:13

não sumirem durante as férias nas

2:22:15

escolas.

2:22:16

>> Mesmo os alunos que estão com

2:22:18

supervisores do IF, eu sei que vocês têm

2:22:20

atividades para realizar. Então,

2:22:23

descansem das atividades acadêmicas do

2:22:25

IFR. mais eh se mantenham nas atividades

2:22:29

do PIBIT. Então é isso, pessoal. Bom

2:22:32

carnaval, boas férias temporárias

2:22:36

e até breve.

2:22:39

Tchau.

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