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O QUE É DESAMPARO APRENDIDO?

10:061,715 words · ~9 min readPortuguese (Portugal, Brazil)Transcribed Apr 17, 2026
AI Summary

Learned helplessness is a psychological state where an individual feels incapable of changing a negative situation due to past failures, even when solutions are available. The video explains that how we interpret setbacks—as temporary accidents or permanent personal flaws—determines our risk for depression.

Understanding learned helplessness is critical because it reveals how pessimistic thought patterns can trap us in cycles of depression and inactivity, while offering a pathway to regain agency.

Section summaries

0:00-1:00

Introduction & Definition

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Defines helplessness and sets the stage for the psychological concepts.

1:00-2:00

Historical Animal Studies

optional

Provides the scientific background of how the term was coined using laboratory animals.

2:00-4:00

Human Application & Attribution Styles

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Essential explanation of why we react differently to failure based on our logic.

4:00-5:00

Depression Link & Tip 1

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Connects helplessness to depression and begins the actionable advice section.

5:00-8:00

Cognitive Strategies & Flexibilizing Beliefs

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Provides the most practical advice on how to challenge negative thought patterns.

8:00-10:00

Outro & Book Promotion

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Standard YouTube closing, sponsor/book plug, and links to other videos.

Key points

  • The Origin of Learned Helplessness — Coined in the 1960s based on animal studies (like dogs receiving unavoidable shocks), it describes a state where subjects stop trying to escape pain because they have learned that their actions have no effect.
  • Attribution Styles — This refers to the habitual way people explain negative events. Explaining failure through 'fixed' traits (e.g., 'I am stupid') leads to helplessness, while using 'temporary' factors (e.g., 'I had a fever') maintains hope.
  • Helplessness Beliefs in Depression — Individuals with depression often harbor beliefs that they are inherently incompetent, inferior, or vulnerable to a hostile world.
Pensamentos não são fatos objetivos, mas sim criações temporárias de um cérebro tentando interpretar a realidade. André (Minutos Psíquicos)
Muitas vezes não havia o que fazer para evitá-las. André (Minutos Psíquicos)

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0:00

Em alguns momentos da vida, é difícil acreditar  que as coisas irão melhorar ou que temos o que  

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é necessário para enfrentar certos obstáculos.  Depois de tomar tantas porradas da vida, alguns  

0:11

se tornam desesperançosos, pessismistas e não  esperam lá grandes coisas do seu próprio futuro. 

0:17

Eu sou o André, tenho um doutorado em  psicologia e hoje, com a ajuda do amigo  

0:21

e psicólogo Victor Keller, quero te explicar  o que é o desamparo, como ele se desevolve,  

0:25

o que são crenças de desamparo e qual  é a relação delas com a depressão. 

0:28

Se você gostou do assunto que a gente vai abordar hoje,  não deixa de clicar no joinha para nos ajudar,  

0:33

inscreva-se no canal, siga a gente nas redes  sociais e acompanhe o nosso podcast no Spotify! 

0:39

Vivenciamos o desamparo quando nos sentimos  muito vulneráveis a uma ameaça e incapazes  

0:54

de evitá-la. Algumas das reações mais  espontâneas ao desamparo são o desânimo,  

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a desmotivação e a desesperança. Os primeiros estudos sobre o desamparo  

1:04

ocorreram a partir da década de 1960. Eles eram  feitos com animais, como cachorros e ratos,  

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e envolviam procedimentos nada bacanas como  aplicar choques elétricos de baixa voltagem neles. 

1:18

Em um desses estudos, os animais eram colocados em  uma caixa na qual alguns deles recebiam choques,  

1:24

enquanto outros, não. No começo, os animais que  recebiam choques faziam de tudo para evitá-los. 

1:30

Depois de um certo tempo, eles iam parando de  reagir aos choques. Na próxima fase do estudo,  

1:36

todos os animais eram colocados em uma caixa  diferente na qual receberiam novos choques. 

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Se os animais andassem para outro compartimento  dentro dessa caixa nova, eles conseguiriam evitar  

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os choques, só que os animais que já tinham  parado de reagir aos choques na caixa anterior  

1:53

não tentavam escapar deles nessa caixa nova. Para os pesquisadores, aqueles animais que haviam  

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recebido choques antes, mas que agora nem tentavam  evitá-los mais, mesmo que isso fosse possível,  

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haviam desenvolvido aquilo que ficou  conhecido como desamparo aprendido. 

2:11

Esse desamparo costumava durar alguns  dias e envolvia três sintomas principais:  

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os animais demoravam mais para  exibir qualquer comportamento,  

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tinham dificuldade em aprender comportamentos  novos e exibiam sinais de um humor negativo. 

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Estudos parecidos com esses foram  feitos com seres humanos utilizando  

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estímulos como choques mais leves, barulhos  altos ou tarefas impossíveis de resolver. 

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Muitos dos voluntários exibiram os mesmos  sintomas que os animais: falta de motivação,  

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dificuldades de aprendizado e humor negativo.  Curiosamente, alguns não exibiam esses sintomas,  

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mesmo depois de aprender que não dava  para escapar dos estímulos aversivos. 

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Depois de outras pesquisas, ficou mais claro  que um dos fatores que determina se a pessoa  

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sentirá o desamparo é como ela interpreta a sua  falta de controle sobre o estímulo aversivo. 

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Se a pessoa acredita que não tem controle sobre  a ameaça por causa de aspectos passageiros da  

3:09

situação, é menos provável que ela se sinta  desamparada. Alguém que vai mal em uma prova,  

3:14

por exemplo, mas interpeta isso como resultado  da febre que estava sentindo no dia da prova,  

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pode se manter esperançoso  quanto ao seu desempenho futuro. 

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Caso a pessoa conclua que a sua falta de  controle sobre a ameaça ocorre por causa  

3:27

de alguma característica dela própria  ou da realidade que não irá mudar,  

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ai as coisas se complicam. Se um indivíduo  vai mal em uma prova e acha que isso ocorreu  

3:37

porque ele é muito burro mesmo e não tem o que  fazer, é mais provável que se sinta desamparado. 

3:42

Essa tendência a explicar eventos negativos com  base em aspectos passageiros ou duradouros da  

3:48

própria pessoa ou do mundo à sua volta é o que  psicólogos chamam de estilo de atribuição. Se  

3:53

o estilo de alguém é mais voltado para  explicar eventos negativos com base em  

3:57

aspectos imutáveis de si mesmo ou do mundo, o  desamparo será vivenciado com maior frequência. 

4:01

Se coisas ruins acontecem porque a pessoa ou  o mundo é de uma certa forma que supostamente  

4:06

não irá mudar, isso significa que ela estará  sempre vulnerável a vivenciar de novo essas  

4:11

coisas ruins. Ter esse estilo de atribuição é  um fator de risco para a depressão e contribui  

4:16

para o desenvolvimento de crenças de desamparo. Elas são crenças de que a pessoa é vulnerável a  

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diferentes riscos, incompetente ou inferior  aos outros. Quem nutre esse tipo de crença  

4:26

pode se ver como alguém pouco capaz de se  virar sozinho, enxergar o mundo como um  

4:30

lugar muito hostil e sentir pouca esperança  de que a sua vida irá melhorar algum dia. 

4:35

Todas essas crenças são comuns em indivíduos com  depressão e os sintomas desse transtorno podem ser  

4:41

amenizados caso essas crenças sejam modificadas.  Fazer isso não é fácil, ainda mais sozinho,  

4:46

mas é possível fazer algum avanço e aqui  vão algumas dicas de por onde começar. 

4:53

Dica número 1: preste mais atenção no  tipo de coisa que passa na sua cabeça  

4:58

logo antes de você ficar mal. É comum que  mudanças de humor ocorram logo depois que  

5:04

certos pensamentos autodepreciativos  ou negativos passem pela sua mente. 

5:10

Se você está se identificando com as  coisas que descrevemos sobre desamparo,  

5:14

pode ser que esses pensamentos sejam  algo como: "eu sempre estrago tudo",  

5:18

"nada dá certo na minha vida", "o mundo é muito  hostil" ou "eu não posso contar com ninguém". 

5:24

Uma vez que você tenha anotado ao longo de  alguns dias quais são esses pensamentos,  

5:29

a dica número 2 é analisar o quão realistas  eles são. Pensamentos como esses que são  

5:35

derivados de crenças de desamparo costumam  ser absolutos, irrealistas e inflexíveis,  

5:40

não permitindo exceções. É sempre bom lembrar que  

5:43

qualquer um desses pensamentos que passam pela  sua cabeça e te deixam para baixo não são nada  

5:48

além de uma interpretação da realidade dentre  outras possíveis. Pensamentos não são fatos  

5:53

objetivos, mas sim criações temporárias de  um cérebro tentando interpretar a realidade. 

5:58

Vamos pegar como exemplo o pensamento de  que a pessoa "sempre estraga tudo". É bem  

6:04

provável que essa pessoa ainda não tenha  estragado absolutamente tudo na sua vida,  

6:08

mas sim que tenha ficado muito chateado  com algumas ocasiões em que estragou. 

6:14

Dica número 3: avalie qual é o seu estilo de  atribuição e tente flexibilizá-lo. Se você  

6:21

se culpa por quase tudo o que acontece de  ruim na sua vida, provavelmente você está  

6:25

se dando mais crédito do que é justo. Pessoas que costumam apresentar esse  

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estilo de atribuição superestimam o quanto elas  seriam capazes de influenciar no que aconteceu.  

6:35

Coisas ruins acontecem com todo mundo e muitas  vezes não havia o que fazer para evitá-las. 

6:40

É super válido reconhecer a sua responsabilidade  por acontecimentos negativos. A grande vantagem  

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nisso é que, ao perceber que você contribuiu  para um evento negativo e que poderia ter  

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agido diferente, existe uma chance menor  de repetir os mesmos erros no futuro. 

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O problema surge quando alguma distorção cognitiva  se manifesta na hora de fazer esse julgamento,  

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como, por exemplo, quando alguém faz a  supergeneralização de que sempre estraga  

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tudo e que está praticamente destinada  a continuar repetindo isso no futuro. 

7:14

Outro aspecto sobre o qual vale refletir é o  quanto as suas explicações de eventos negativos  

7:19

se baseiam em fatores fixos ou passageiros  da realidade. Alguns acontecimentos ruins  

7:24

decorrem de circunstâncias passageiras que não  necessariamente se repetirão tanto no futuro,  

7:29

mas muitos têm dificuldade em reconhecer isso. Muitas pessoas passam por maus bocados ao longo  

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da vida e desenvolvem crenças de  desamparo. Dentre essas pessoas,  

7:39

é comum que elas tenham visões bem negativas  sobre si mesmas, a realidade e sintam uma grande  

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desesperança quando pensam no seu futuro. Mesmo percebendo que essas crenças não são  

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totalmente verdadeiras ou que são  um tanto radicais, pode ser bem  

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difícil se livrar delas sozinho. Caso você se  identifique com o que descrevemos no vídeo,  

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recomendamos que busque pela indicação de um bom  profissional da psicologia para te ajudar nisso. 

8:02

Todo mundo se sente desamparado diferentes  vezes ao longo da vida, só que geralmente,  

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esse sentimento é passageiro e pouco  prejudicial. Algumas pessoas nutrem  

8:12

fortes crenças de desamparo como resultado  das suas histórias de vida, as quais podem  

8:16

prejudicar consideravelmente o bem estar, os  relacionamentos e a qualidade de vida delas. 

8:20

Como muitas dessas pessoas não possuem esperança  de que as coisas possam melhorar ou acreditam  

8:26

que não podem contar com a ajuda de  ninguém, é muito mais difícil que a  

8:29

situação delas melhore espontaneamente.  Com a ajuda de um bom profissional,  

8:32

é possível sim que as coisas melhorem. Eu falo mais sobre o potencial humano de  

8:37

mudar no meu livro lindo e maravilhoso intitulado  "Ser humano: Manual do usuário - As origens,  

8:43

os desejos e o sentido da existência humana". Já  é possível você adquirir ele no link que está aqui  

8:48

embaixo, na descrição do vídeo. Em uma parte do livro, eu falo sobre  

8:51

alguns dos potenciais mais abundantes da nossa  espécie, como as nossas capacidades de aprender,  

8:55

criar e superar obstáculos. Esse livro foi  pensado especialmente para pessoas que nunca  

9:00

estudaram psicologia antes, então se você se  interessa pelos assuntos que a gente aborda  

9:04

aqui no canal, não deixa de comprar ele! Muito obrigado a todos vocês que fazem  

9:08

parte do programa de apoiadores do Minutos  Psíquicos. Vocês são uma grande motivação  

9:12

para a gente continuar fazendo vídeos aqui no  YouTube, e se você gosta do nosso trabalho,  

9:15

mas ainda não é um apoiador nosso, clique em  "SEJA MEMBRO" aqui embaixo para saber quais são  

9:19

os benefícios exclusivos que a gente oferece  em troca do seu apoio. Agora você também pode  

9:23

fazer uma doação direta para o canal através de  um pix e o QR code para fazer está aqui na tela. 

9:29

Hoje nós falamos sobre o desamparo, como  ele é aprendido em animais de laboratório  

9:33

e em humanos. Também descrevemos as  crenças de desamparo e como elas estão  

9:38

relacionadas com a depressão. No final,  demos algumas dicas de como alguém pode  

9:43

começar a flexibilizar as suas crenças de  desamparo e o seu estilo de atribuição. 

9:48

Se você gostou do vídeo de hoje, clica no joinha,  comenta aqui embaixo a sua opinião, inscreva-se  

9:53

no canal e clique no sininho para acompanhar  os próximos vídeos! Você já ouviu falar que a  

9:57

depressão é causada por um desequilíbrio químico  de serotonina no cérebro? Será que isso é verdade?  

10:01

A gente já fez um vídeo sobre isso aqui no canal  e ele é um ótimo complemento ao vídeo de hoje.

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